A convocação unilateral
de eleições para o novo Conselho das Comunidades Portuguesas (o
atual mandato terminou em março deste ano sem que até finais de
setembro tivesse sido marcado novo pleito), foi o principal motivo
da reunião que os 15 membros do Conselho Permanente do CCP
realizaram em Lisboa no final de setembro. Da agenda de trabalhos
constava também um encontro com os deputados da Comissão
Parlamentar dos Negócios Estrangeiros, sobre a nova Lei do CCP, e
com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António
Braga. Em jeito de balanço, Carlos Pereira destacou o sucesso da
reunião e afirmou que “os objetivos foram atingidos a cem por
cento”.
Os 15 membros do
Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, que tutela o CCP,
reuniram-se entre 24 e 26 de setembro na Assembléia da República,
em Lisboa, para debater o futuro do CCP e discutir a marcação das
eleições. Na agenda, os conselheiros levavam encontros marcados
com os deputados da comissão parlamentar dos Negócios
Estrangeiros, onde se discute desde março último, a nova lei que
irá tutelar o CCP, e ainda com o secretário de Estado, António
Braga, com o presidente da Assembléia da República, Jaime Gama e
com o Presidente da República. Desses encontros, os conselheiros
não concretizaram o que estava agendado com Cavaco Silva, já que
no dia marcado o Chefe de Estado compareceu ao funeral de
Magalhães Mota, um dos fundadores do PSD.
Reunião frontal
O encontro com António Braga decorreu no final do primeiro dia de
trabalhos e foi considerado por Carlos Pereira, como “uma reunião
frontal em que foram ditas coisas que deviam ser ditas”. Carlos
Pereira não quis pormenorizar quais foram os assuntos “frontais”,
mas o jornal Mundo Português soube de uma fonte presente ao
encontro que os conselheiros lembraram António Braga de que o
Conselho é um elo de ligação entre Portugal e as comunidades e
queixaram-se que este é um órgão consultivo que não tem sido
ouvido pelo secretário de Estado. Em resposta, António Braga teria
dito que não tem havido oportunidades e que quando há necessidade
para a realização de consultas, se faz. Na reunião, António Braga
prometeu retomar a consulta que tinha programado com os
conselheiros no início deste ano, sobre o ensino do português no
estrangeiro e que, de lá para cá, não se tinha ainda concretizado.
Pereira destaca que na reunião “se desbloquearam algumas questões”
que levaram os conselheiros a retirarem a proposta de marcar
eleições e ainda uma proposta de marcarem um plenário antes do fim
do ano. Tal dever-se a conselheiros e secretário de Estado terem
chegado a um acordo sobre a realização das eleições para o CCP,
que se mantinham num impasse desde março: apesar de ter sido nessa
altura que o atual Conselho cessou funções, António Braga alegava
que só marcaria eleições depois da nova lei daquele organismo ser
aprovada e publicada.
Braga acabou por propor aos conselheiros, em agosto, duas datas.
“O secretário de Estado fez-nos uma proposta de duas datas, 10 ou
17 de fevereiro, que estivemos a analisar e escolhemos o dia 17,
porque 10 é muito próximo do Carnaval. Ficou garantida esta data”,
revelou Carlos Pereira ao Emigrante/Mundo Português.
“Os conselheiros atuais vão participar no próximo plenário, fazem
a avaliação do mandato e depois há a passagem de poder aos novos
conselheiros”, explicou ainda referindo que a primeira reunião
plenária dos novos conselheiros não deverá ocorrer antes de “fins
de março, princípios de abril”.
A questão da Lei
No segundo dia de trabalhos os conselheiros, o ponto alto da
agenda foi a muito esperada reunião com os deputados da Comissão
Parlamentar dos Negócios Estrangeiros, que tinham em mãos a nova
lei do CCP e a responsabilidade de aprová-la em sede de comissão.
A nova lei, que prevê a redução dos atuais 96 conselheiros para
73, dos quais 63 são eleitos e dez nomeados, foi discutida em
março no Parlamento, tendo na altura baixado à comissão dos
Negócios Estrangeiros para ser debatida na especialidade, onde
ainda se mantinha, na altura da reunião do Conselho Permanente.
Inicialmente, tinha sido previsto que os conselheiros seriam
ouvidos pelo grupo que estava a trabalhar a lei, mas acabaram por
ser recebidos por todos os membros da Comissão Parlamentar.
Durante a reunião, os conselheiros pediram “muita urgência” na
votação da lei e apresentaram aos deputados os pontos dos quais
discordam. Os membros do CCP não concordam com a nomeação de (dez)
conselheiros, alegando que o atual conselho já tem membros das
comunidades madeirenses, açorianas, luso-eleitos e dirigentes
associativos. “Achamos que não fica bem haver aqui dez membros
nomeados enquanto os outros são eleitos; uns vão às eleições e os
outros estão quase à espera que alguém os convide”, afirmou.
O presidente do CCP adiantou ainda que os conselheiros não
concordam com a criação de um conselho consultivo da juventude
dentro do CCP que, alega não teria poder algum, estaria “ali em
anexo”. “Achamos que esta não é a melhor maneira de motivar os
jovens para a questão cívica: um grupo de 11 jovens que são
nomeados e serão o ‘conselho’ do Conselho. Reuniriam-se a cada
dois anos, dariam conselhos aos conselheiros e depois os
conselheiros os passaria ao Governo. Achamos que não é a melhor
forma, achamos que de fato é preciso implicar os jovens, e fizemos
uma proposta: que o Governo organize uma espécie de fórum, um
seminário, ao mesmo tempo que organiza o plenário (do CCP).
Achamos que a idéia é boa mas não inserida no CCP”, destacou
Carlos Pereira.
No fim da reunião se confirmou a votação da lei na Comissão para 3
de outubro, devendo depois baixar ao Plenário da Assembléia para
ser votada na globalidade, por todos os deputados. Do presidente
da AR, os conselheiros terão recebido a promessa de que, uma vez
aprovada pela Comissão de Negócios Estrangeiros, a nova lei do CCP
seria imediatamente posta em votação no Plenário.
O CCP é um órgão consultivo do Governo português para questões
ligadas à emigração, eleito para um mandato de quatro anos. É
composto atualmente por 96 conselheiros e tutelado por um Conselho
Permanente.