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22/JUN/2007
Parceria estratégica com União Européia é
positiva para Brasil
Mundo Lusíada
Com Lusa
A Parceria Estratégica entre a União
Européia e o Brasil, anunciada em 30 de maio pela comissão
européia marca a presidência portuguesa na UE, no segundo semestre
de 2007.
O bloco ainda convidou o país a apresentar sua posição sobre o
alcance desse mecanismo.
"O Governo brasileiro acolhe de forma altamente positiva a
proposta da Comissão Européia, que é decorrência natural de um
relacionamento iniciado há 47 anos" divulgou o governo brasileiro.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a ação vai de
encontro com as diversas parcerias que o Brasil já mantém com
países membros da UE, como Alemanha, França, Reino Unido,
Portugal, Espanha e Itália.
O ministério divulgou ainda que a parceria estratégica Brasil-UE
aprofunda as relações bilaterais, através da formalização do
Diálogo Político de Alto Nível e uma maior cooperação em
diferentes áreas de "interesse mútuo".
Entre as essas áreas estão a energia/biocombustível, ciência e
tecnologia, meio ambiente, cooperação técnica, temas sociais,
desenvolvimento regional e transportes marítimos. "O Governo
brasileiro entende que essa parceria, que tem caráter estritamente
bilateral, poderá representar impulso político às negociações
Mercosul-UE" diz a nota do MRE.
No próximo dia 4 de julho, acontece em Lisboa a reunião de Cúpula
União Européia-Brasil, uma iniciativa da futura presidência
portuguesa no bloco europeu, que se inicia em 1 de julho.
UE reconheceu peso do Brasil
Para a cientista política Lúcia Avelar, diretora do Instituto de
Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), a influência
regional do Brasil tem que ser reconhecida, já que faltava o
reconhecimento de que o Brasil é um país emergente.
Lúcia Avelar disse à Agencia Lusa que a América Latina,
notadamente a América do Sul, estava relegada a segundo plano na
política externa européia e que a nova parceria com o Brasil
poderá significar uma maior aproximação.
"A América do Sul sempre teve um desenvolvimento na periferia do
mundo capitalista e hoje procura uma sustentabilidade no plano
regional. É necessária uma parceria com a UE com identidade e
autonomia regional", defendeu.
Questionada se as relações privilegiadas do Brasil com a Europa
poderão influenciar nas negociações para um acordo de livre
comércio entre o Mercosul e a UE, Lúcia Avelar respondeu que há
fortes interesses na integração através do mercado, notadamente
por parte de um segmento da população brasileira que tem um nível
de concentração de riqueza muito alto.
"Vemos com muito otimismo esta parceria, que é um aprofundamento
natural das relações já existentes com a Europa. Parece-me muito
generoso de Portugal, que é a nossa pátria primeira, ter feito
esta proposta", assinalou Lúcia Avelar.
A cientista política admitiu que o fato de ter sido Portugal e não
a Alemanha, por exemplo, a tomar essa iniciativa de privilegiar a
relação do Brasil com o bloco europeu tem uma "diferença de peso",
mas não acredita que haverá resistências à proposta por parte dos
outros países da UE.
"Temos que ser realistas do peso que tem cada país da União
Européia. A Alemanha é o país mais forte do bloco, com o euro
tendo uma âncora muito forte na riqueza, na produção alemã. Mas
temos com Portugal relações muito fortes, a começar pela língua,
pela história colonial e pela similaridade da cultura", destacou.
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