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22/MAI/06
Portugal: Autarca reclama da falta de informação
Barragem irrita população em
Armamar
A população de Lumiares,
na freguesia de S. Martinho das Chãs, em Armamar, está revoltada
com o atraso no encerramento das comportas da barragem situada
naquela localidade. De acordo com os populares, que ameaçam
fechar, novamente, as comportas daquela estrutura, a situação é
“intolerável”. Por seu turno, a Direção Regional de Agricultura de
Trás-os-Montes (DRATM) promete para breve o início das atividades
da barragem.
Ígor Lopes, de Portugal
-
Depois de um jogo de empurra entre vários organismos, como o LNEC,
INAG e DRATM, a população de Lumiares diz-se “farta” de promessas
e de datas para o fecho da barragem. Segundo esses populares, são
já quase três anos de indecisão, desde o término das obras daquela
estrutura, que podem prejudicar seriamente a agricultura no
concelho.
Esta infra-estrutura foi
já alvo de algumas vistorias que apontaram algumas incorreções.
Entretanto, foi feito um adendo ao orçamento inicial da obra, com
vista a instalação de sensores responsáveis pela monitorização da
segurança da albufeira.
Mas, neste
momento, os residentes naquela localidade prometem fechar a
barragem com as suas próprias mãos, caso a barragem não seja
encerrada. A falta de informação torna-se, assim, um dos pontos
negativos nesta situação.
De acordo com o
presidente da Junta de Freguesia de S. Martinho das Chãs, Sérgio
da Silva, um dos problemas agora é a falta de argumentos que
convença a população. “Já não tenho mais como para explicar o
atraso do encerramento das comportas da barragem. Além disso,
tenho poucas informações sobre o verdadeiro ponto da situação da
barragem. Inclusive, as pessoas da freguesia estão revoltadas e
pensam em fechar, elas próprias, a barragem.
Como membro da autarquia
tenho que zelar pelo bom senso, mas está a chegar a um ponto que
está a saturar, pois as pessoas estão indignadas. Já houve uma
tentativa de fecho sem qualquer prejuízo para a estrutura. Eu
tento conversar com o povo para que tenham calma. Mas eles querem
fechar novamente”.
“Estive na Direção
Regional acerca de dois meses. Durante esse encontro, o diretor
prometeu-me que iria fechar a barragem o mais breve possível. Mas
já estamos em Maio e a barragem ainda não está fechada”, conta
este responsável.
“Depois de vermos que a
obra já está feita, já lá vão três anos, as pessoas estão
indignadas, pois ficaram sem as suas terras. E por incrível que
pareça, continuam a pagar contribuição autárquica dessas terras
que já não lhes pertencem”, denuncia.
Por seu turno, o
presidente da Associação de Fruticultores de Armamar, José Osório,
garante ter recebido indicação por parte da Direção Regional de
que o fecho da barragem será feito, somente, no próximo período de
chuvas, ou seja, a partir de Outubro.
“Um dos
responsáveis pela Direção Regional contou-me que houve uma
alteração orçamental no projeto da barragem, em virtude da
necessidade de serem instalados Planos de Observação, que são
alguns sensores usados para monitorar a
segurança da barragem”, esclarece José Osório.
Para
este responsável, a situação causa grande “apreensão” por parte da
Associação, já que, com a falta de água, “a produção agrícola do
concelho pode ser seriamente afetada”.
“Mesmo assim, penso que a atitude da população deve ser contida.
Através da força, vamos
conseguir somente fazer com que o processo se atrase ainda mais”,
refere José Osório, que reclama, também, de falta de informação.
“Um dos grandes
problemas é que não temos qualquer tipo de informação da Direção
Regional. Nós é que temos que procurar esclarecimentos em relação
a esta matéria, senão, nunca saberíamos nada”, frisa.
DRATM
mantém fecho para breve
Contatada pelo LH, a
Direção Regional de Agricultura informou que vai proceder,
“brevemente, ao fecho do orifício existente na torre de tomada de
água”, já que, segundo esta entidade, essa medida não foi tomada
durante a execução da obra, “dada a necessidade de manter a
captação de água de abastecimento à Vila de Armamar”.
A DRATM disse ainda
estar a aguardar “a aprovação dos Planos de Observação e 1º
enchimento pelo Instituto da Água (INAG), enviado ao Laboratório
Nacional de Engenharia Civil (LNEC) em 25/01/2006, para de
imediato concluirmos os procedimentos para a instalação do
referido plano”, após todo esse trâmite, “o INAG fará uma visita
prévia à obra para autorizar o início do enchimento da albufeira”. |