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03/AGO/2006
Governo português ignora as comunidades, diz Carlos Pereira
O presidente mundial do Conselho das Comunidades falou ao Mundo
Lusíada e afirmou que o governo português pouco conhece e não faz
questão das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
Mundo Lusíada
Pela primeira vez o presidente mundial do Conselho das Comunidades
Portuguesas, Carlos Manuel Pereira, esteve em visita à comunidade
portuguesa no Brasil. O conselheiro visitou associações
portuguesas em São Paulo, Rio de Janeiro, e no nordeste
brasileiro.

O presidente do Clube de
Portugal do ABC André Magalhães, o visitante da França, presidente
do CCP-Mundial, Carlos Pereira.
Para o português residente na França, é importante saber as
necessidades dos luso-brasileiros. “Eu vim de férias ao Brasil,
ouvi falar tanto no Brasil. Eu moro na França e gostaria de
conhecer as comunidades portuguesas que estão noutro país”. Vindo
do RJ, onde esteve com a comunidade local, Pereira seguiu para São
Paulo e para o litoral paulista. Dando seqüência à sua viagem,
partiu na segunda-feira, 31 de agosto, para o Recife.
Ao Mundo Lusíada, o atual presidente mundial do CCP falou sobre
como o governo português desconhece as comunidades e os
portugueses a residirem no exterior. A entrevista foi concedida
durante sua visita ao Clube de Portugal do Grande ABC, no domingo
30 de julho, durante a Festa Portuguesa promovida na entidade.
Realidade Luso-brasileira
A comunidade luso-brasileira é muito expressiva. Diferente da
comunidade portuguesa na França, no Brasil as casas portuguesas
contam com seus próprios espaços para a difusão de sua cultura.
“Eu estou admiradíssimo com estas casas portuguesas. Eu conheço a
Europa toda, em todos os países da Europa não há exemplos de casas
como estas, enormes. Isso para nós é gigante, é um mundo grande.
Não há essas casas, em geral, na Europa, recorre-se às salas
municipais; as Câmaras Municipais é quem emprestam as salas para
poder se fazer estas festas. Aqui são as sedes dos próprios
clubes, eu visitei algumas casas aqui em São Paulo e no Rio, e
também espero visitar no Recife, e isto me impressionou muito, são
mundos muito grandes”.
Preocupações
Entre as preocupações já apresentadas ao presidente do CCP, a
transmissão da cultura às gerações futuras ganha espaço para
reflexão. O esforço, segundo Pereira, deve ser grande para que
“esta riqueza” não se perca. “Se calhar, as pessoas que estão cá
não dão valor a essas casas, mas eu dou porque venho do país onde
não há esta realidade”.
Para Carlos Pereira, seria muito negativo os dirigentes não darem
a devida continuidade. “Eu pretendo conversar aqui sobre algum
plano organizado, alguma coisa que permitisse motivar os mais
novos a ingressar nestas casas e não deixarem perder esta riqueza
que me parece enorme”.
Governo português
Para o presidente do CCP-Mundial, o governo português pouco
conhece e não faz questão das comunidades portuguesas espalhadas
pelo mundo, que representa cerca de 5 milhões de portugueses.
“Portugal não conhece as comunidades portuguesas, pura e
simplesmente ignora. Nem conhece e nem quer conhecer”.
O importante, na sua visão é motivar o governo português para
“descobrir a força que é ter 1/3 da população portuguesa fora de
Portugal”. O esforço do órgão está em mostrar essa “riqueza” que o
país não utiliza, e convencer os dirigentes – o Presidente da
República, Primeiro-Ministro, ministros e deputados – sobre a
realidade das comunidades portuguesas fora do país.
“É uma riqueza enorme para Portugal. É uma promoção cultural
enorme, é uma promoção comercial, uma promoção turística. Portugal
só tinha a ganhar com os portugueses que moram fora. Só que
Portugal esquece, no dia-a-dia não se lembram de nós, e é uma
pena”, disse ao Mundo Lusíada.
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