O técnico português de futebol, o
brasileiro Luiz Felipe Scolari, afirmou em entrevista ao “FIFA
Magazine” que acredita na possibilidade de a formação das “quinas”
chegar pela segunda vez consecutiva à final do Europeu, em 2008.
“Até onde pode chegar Portugal? acredito
que podemos chegar à final, apesar de termos de superar formações
complicadas pelo caminho, tanto na primeira fase (República Checa,
Suíça e Turquia), como nas quartas-de-final e nas semi-finais”,
afirmou Scolari.
Segundo o técnico brasileiro, a formação das “quinas” cresceu
muito desde que atingiu a final do Euro2004: “(termos perdido a
final), foi uma grande depressão, mas, no meio de uma grande
tristeza, percebi que tinha sido um primeiro grande passo para
Portugal, no sentido de ter ficado mais competitivo, capaz de
atingir finais”.
“Fiquei com a certeza de que não seria a
nossa única final e, a confirmá-lo, fizemos um grande Mundial, em
2006, e qualificamo-nos para o Europeu de 2008, prova em que
pretendemos chegar longe. Portugal tem mais confiança do que
antes”, frisou.
De acordo com Scolari, a chegada à final
do Euro2004 provocou uma mudança significativa: “Portugal é agora
muito forte mentalmente. A qualificação para o Europeu não foi
fácil. Tivemos maus momentos, mas, ainda assim conseguimos. Há uns
anos... teríamos falhado”.
“Chegar à final do Euro2004 teve esse
efeito”, reforçou o técnico luso.
Scolari pretende atingir de novo à final
do Europeu (07 a 29 de Junho, na Áustria e Suíça) e é da opinião
que uma boa prestação na prova catapultará a formação das “quinas”
para mais uma prestação de bom nível no próximo Mundial, em 2010,
na África do Sul.
“As coisas estão ligadas, até porque o
período entre as duas competições é extraordinariamente reduzido.
Essa fase é, aliás, um grande desafio para os técnicos”, disse o
técnico brasileiro, referindo-se à renovação que é sempre
necessário fazer.
De acordo com Luiz Felipe Scolari, um
técnico “não deve ter medo de mudar e introduzir novos jogadores,
mesmo que a equipe perca experiência”, já que em qualquer momento
“ganham-se novos talentos para o futuro”.
“A renovação na seleção portuguesa ainda
não está completa”, disse ainda o técnico das “quinas”, deixando
claro: “a experiência é importante, mas, para mim, uma mescla
entre a experiência e a juventude é sempre a melhor opção”.
Essa é a receita que está a aplicar na
seleção portuguesa: “é exatamente isso que procuro e a estratégia
tem resultado, mas é preciso continuar o processo”.
O técnico “canarinho” falou também de
Cristiano Ronaldo, reconhecendo a sua enorme importância na
seleção: “é um jogador chave tanto no Manchester United como na
seleção portuguesa. É um exemplo de um rapaz que amadureceu
depressa, como homem e líder”.
“Estou absolutamente convencido de que o
Cristiano (Ronaldo) vai estar entre os melhores jogadores do Mundo
ao longo dos próximos três, quatro ou cinco anos e, a longo prazo,
será o capitão e um dos líderes da seleção portuguesa”, afirmou.
Scolari disse ainda que a vida de técnico
é “boa”, apesar de em várias situações implicar “mais
responsabilidades do que um primeiro-ministro ou um presidente”,
uma vez que “toda a gente fala de futebol e sabe um pouco sobre o
assunto”.
“Ser técnico é bom, mas não é fácil”,
disse ainda o técnico brasileiro, acrescentando ainda que a grande
diferença entre Portugal e o Brasil, seleção que levou ao penta no
Mundial de 2002, é a “quantidade de jogadores”.