|
27/ABR/2006
Primeiro desafio será
em Junho
Francisco dos Santos comanda seleção portuguesa masculina de vôlei
Aos 46 anos de idade, Francisco dos Santos assume o comando da
seleção portuguesa masculina sénior de voleibol. O seu desafio
começa em Junho,com o apuramento para o Europeu, e com a Liga
Mundial, que se disputa em Julho.
Em entrevista ao Lamego Hoje, o treinador, que esteve há poucos
dias em Lamego durante uma ação de formação do projeto Gira-Volei,
falou das diferenças entre o desporto praticado no Brasil e em
Portugal, além de traçar, como aspecto negativo, a ausência de
jogadores profissionais.
Ígor Lopes (Portugal) - Natural
do Estado de Minas Gerais, no Brasil, José Francisco dos Santos
nasceu 1960. Começou como treinador em 1989, tendo sido, em 1992,
vice-campeão da Copa Brasil. Em 1996, venceu a Copa Sudeste e a
Copa Brasil.
De volta ao Brasil, em 1999 assumiu o cargo de treinador-adjunto
de Bernardo Rezende (Bernardinho), na Seleção Brasileira de
seniores femininos,conquistando medalha de bronze nos Jogos
Olímpicos de Sidney, em 2000.
Em
2001, Chico dos Santos, como é chamado, acompanhou Bernardinho na
mudança para a Seleção Brasileira de seniores masculinos, pela
qual conquistou os seus principais títulos como o Campeonato do
Mundo (2002), a Liga Mundial (03/04/05) e a medalha de ouro nos
Jogos Olímpicos de Atenas (2004).
Em 2004, estreou na carreira internacional a vencer o campeonato
espanhol com o Tenerife.
No ano passado, conquistou a Liga Mundial e os títulos do
Campeonato
Sul-Americano e da World Grand Champions Cup, tendo ficado em
segundo lugar na Copa América.
Lamego Hoje: Como avalia os primeiros dias de trabalho?
Francisco dos Santos: Estou a acompanhar alguns jogos e
treinamentos. Sei
que teremos muito trabalho, porque o número de jogadores é
reduzido. Por isso, temos que formar um grupo muito coeso, que
terá como meta ganhar jogos em função da equipa e não baseado nas
suas individualidades.
Quais são os seus objetivos por aqui?
O
mais importante é melhorar a qualidade técnica dos jogadores. Ou
seja, temos que jogar com mais velocidade, mais alegria, mais
comunicação e menos erros.
Quando conseguirmos isso, vamos pensar em vitórias.
Como vê a prática do voleibol em Portugal?
Os treinadores e os jogadores portugueses praticam voleibol como
algo a mais, diferente de outros países, que têm o voleibol como
primeira opção. O
treinador tem que ter outro emprego e os jogadores investem mais
no estudo.
Por isso, fica difícil colocar Portugal entre as potências
mundiais do voleibol.
Acho que treinadores e jogadores têm que acreditar mais e arriscar
mais nas suas carreiras desportivas.
Em
termos técnicos, qual é o ponto negativo dos atletas portugueses?
A quantidade de erros de contra-ataques.
Que diferenças há em relação ao voleibol no Brasil e em Portugal?
No Brasil, alguns treinadores e atletas vivem do voleibol.
Que jogadores são indispensáveis na sua equipa?
Aqueles que queiram trabalhar com 110 por cento de vontade.
Em Portugal há mais jogadores estrangeiros no campeonato nacional
do que, por exemplo, no Brasil.
Acha que este é um dado positivo ou, na sua opinião, isso acaba
por prejudicar o desenvolvimento da modalidade neste País?
Acho que deve haver uma melhora do nível dos jogadores
estrangeiros para melhorar o nível do próprio campeonato. Se os
jogadores que chegam a
Portugal não têm um alto nível, é melhor investir em jogadores
jovens, nem que nesse primeiro instante o nível da competição seja
menor, mas, com certeza, num futuro próximo, teremos uma maior
quantidade de jogadores no mercado.
Em Junho joga o apuramento para o Europeu. Acredita que Portugal
tem uma equipa capaz de conseguir bons resultados?
Portugal tem um pequeno grupo de jogadores que está a ser
trabalhado desde 2001. Apesar de alguns reforços, esse grupo vai
ser a base da equipa. Temos muito trabalho pela frente para
podermos superar as nossas deficiências. O nível do voleibol
mundial é muito forte, mas acho que se os jogadores e a equipa
técnica acreditarem no trabalho, poderemos alcançar os nossos
objetivos. |