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03/JUL/2006
Da Presidência de Elos
Internacional - Portugal
Em defesa da Língua e da Cultura Lusíada
É lugar comum afirmar-se que a maior
riqueza de um país consiste nas suas potencialidades culturais, no
duplo aspecto de realização do passado e de capacidade de
continuação no futuro.
E como escreveu Levi.Strauss "cada
cultura desenvolve-se graças ás trocas com outras culturas. Mas é
necessário que cada uma ponha nisso uma certa resistência, senão
muito depressa não terá mais que lhe pertença e possa dar em
troca. A ausência e o excesso de comunicação têm uma e outra o seu
perigo.
Será por isso necessário que cada
cultura saiba criar raízes e manter-se fiel a elas, raízes que são
e estão no seu passado mas são também o presente e o futuro. As
culturas que morrem são justamente aquelas que perderam a memória
do passado e ao perdê-la perderam a sua própria identidade,
deixaram-se confundir ou integraram-se noutras.
O conteúdo da identidade de um grupo,
de um povo, de uma nação ou de uma comunidade de povos ou de
nações e até a identidade da própria pessoa humana comporta sempre
fatores, designadamente os relacionados com todo o seu passado,
seu e dos seus antepassados, os seus códigos culturais, as suas
ideologias, os valores defendidos e vividos, a literatura, a
filosofia, os hábitos coletivos, a maneira de ser e de estar no
mundo e fundamentalmente o seu idioma, o seu modo habitual de se
expressar e de comunicar com os outros, seja oralmente seja
através da escrita.
O sucesso da epopéia portuguesa de
quinhentos em busca de outras terras desconhecidas e de contacto
com outros povos e outras gentes, dilatando a fé e o império,
permitiu que a língua portuguesa por todos falada no pequeno
retângulo europeu desde o reinado de El-Rei D. Diniz, passasse a
ser aprendida e falada pelos quatro cantos do mundo, e fosse
mesmo, durante largas dezenas de anos e por toda a parte, a língua
mais utilizada nas trocas comerciais.
Na sua aventura por mares nunca dantes
navegados, descobriram os portugueses as terras de Santa Cruz e
contataram desde logo com os aborígenes que aí encontraram; e aí
fizeram nascer algo de novo, construindo essa grande nação que é o
Brasil. Repito e acentuo, construíram o Brasil, não o descobriram,
não o conquistaram nem o invadiram, pela simples razão de que até
então não existia. O Brasil como Nação e até como Estado, resultou
portanto e apenas a partir da chegada e da fixação dos portugueses
nessas terras do novo continente.
E podem os brasileiros ufanar-se de
que nunca viveram sob domínio estrangeiro, salvo quando por mero
acidente histórico, franceses e holandeses, nessa altura peritos
em pirataria, lá estiveram por algum tempo em certos locais.
Até 1822, os habitantes do Brasil, foram tanto portugueses quanto
hoje o somos nós.
E o que aconteceu com o Brasil;
aconteceu semelhantemente com Angola, com Moçambique, com a Guiné,
com S. Tomé e Príncipe, e Cabo Verde ou mesmo com Timor, países
que até à chegada dos portugueses não existiam e que até alguns
deles como Cabo Verde e S. Tomé, eram terra virgem sem qualquer
vestígio de presença humana.
Pois bem, se os portugueses ao criarem
essas Nações levaram consigo a sua maneira de ser e de estar no
mundo, os seus valores, a sua tolerância, o seu pluralismo racial,
a sua ânsia de desenvolvimento econômico, cultural e social e
principalmente religioso, levaram também sua língua e conseguiram
que fosse ela a principal força, a dura e eficiente argamassa que
permitiu aglutinar e dar identidade cultural a povos que até então
a não possuíam.
O mundo da língua portuguesa composto
atualmente por diversas nações, será assim um mundo de cultura e
de desenvolvimento, um espaço de esperança no futuro, se todos
nós, os que falamos a língua de Camões, desde o Minho até Timor,
tanto nos chamados países de língua oficial portuguesa, como em
todos os demais locais em que ainda é continuará a ser falada,
como sejam algumas ilhas das Filipinas, em Goa, Damão e Diu e no
Ceilão hoje Sri Lanka, e até por algumas etnias na Polinésia e em
África, repito, se todos nós formos capazes de nos unir, encontrar
idéias e soubermos mobilizar-nos na defesa dos valores comuns em
prole do desenvolvimento em todos os seus aspecto, cultural,
econômico, social, político e mesmo religioso
"É a falar que a gente se entende",
diz o nosso povo, e porque falamos a mesma língua, temos que nos
entender uns com os outros e é entendendo-nos que melhor podemos
realizar e atingir os nossos objetivos pessoais e coletivos.
A isso se chama ou poderá chamar-se
"Lusófona", essa grande família que tem em comum uma idêntica
civilização e está interligada através da língua que todos nós
falamos, língua que é atualmente o sexto idioma mais falado no
mundo e que só somando, unindo todos os países que se expressam em
português, será possível resistir a tempos da tão apregoada
globalização, mundialização ou americanização ou unificação de
culturas, com conseqüente perda da nossa identidade de pessoas e
de nações.
Tendo em vista estes objetivos, temos
a obrigação histórica de defender e difundir e até impor a língua
portuguesa e de impulsionar e manter apertados laços culturais de
amizade e de cooperação entre todos os povos e comunidades que
pensam, falam e escrevem na língua de Camões.
Alcindo Costa
Presidente do Elos Internacional da Comunidade Lusíada
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