O BCP, o maior banco privado português,
foi notificado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM)
da aplicação de uma coima no valor de cinco milhões de euros, a
mais alta alguma vez aplicada pelo regulador do mercado de
capitais lusos. O BCP confirmou a coima, deixando em aberto a
possibilidade de contestar por via de uma impugnação judicial.
O banco português informou que foi
notificado no dia 26 de junho de uma decisão de coima de 5 milhões
de euros, com suspensão parcial de execução de 2,5 milhões de
euros no prazo de dois anos, "procedendo-se à execução da coima na
integralidade se durante o tempo de suspensão for praticado
qualquer ilícito criminal ou de mera ordenação social previstos no
Código dos Valores Mobiliários".
O BCP diz também que "em caso de
impugnação judicial, a decisão relativa à suspensão parcial da
execução da coima extingue-se, sem produzir qualquer efeito".
Contudo, o banco português admite que "a decisão de impugnação
judicial da decisão da CMVM está a ser estudada e será tomada em
função da proteção dos interesses últimos dos clientes, dos
acionistas e da instituição".
Esta é uma condenação histórica da CMVM. O
anterior recorde, ao nível de coima, pertencia ao próprio BCP, que
a 18 de agosto de 2008 tinha sido punido por incumprimento dos
deveres dos intermediários financeiros. A CMVM decidiu na ocasião
aplicar ao BCP uma coima de 3 milhões de euros, mas a medida foi
alvo de impugnação judicial.
Este ano a CMVM já decidiu a aplicação de
coimas em quatro outros processos. Em dois deles a visada foi a
Galp Energia (parceira da Petrobras na exploração de blocos
petrolíferos no Brasil), com coimas de 100 mil euros e de 75 mil
euros. Nos outros dois processos a CMVM aplicou coimas de 25 mil
euros à Sport Lisboa e Benfica SAD e à Caixa - Banco de
Investimento. Todas estas decisões foram impugnadas judicialmente.