O projeto da primeira central solar
portuguesa de produção de energia térmica, capaz de produzir
eletricidade para 20 mil pessoas, a ser instalada na zona de
Tavira (sul do país), entra nesta sexta-feira 18 de julho, em
consulta pública, segundo fonte da Comissão de Coordenação e
Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.
O projeto prevê a ocupação de 10 hectares
de estruturas para a produção de energia (dos quais sete de
painéis solares), num terreno de 25 hectares.
A colocação em consulta pública por parte
da CCDR do Algarve tem por objetivo proporcionar a participação
ampliada de entidades e público interessados no projeto, através
colheita de opiniões antes do licenciamento.
De acordo com o responsável técnico da
central, Manuel Collares Pereira - co-fundador da empresa ESTP
(Energia Solar Térmica de Portugal) -, se os procedimentos
administrativos o permitirem, a central, com uma capacidade para
produzir um máximo de 6,5 megawatts, deverá começara a funcionar
em meados de 2009.
"É um projeto que tem esbarrado em algumas
dificuldades burocráticas, apesar dos apoios que recebeu desde a
primeira hora do Ministério da Economia", disse Collares Pereira à
Agência Lusa.
Ele frisou que se trata da primeira
central de "fabricação" de energia elétrica a partir de energia
térmica produzida pelo sol, já que as outras centrais solares
portuguesas - por exemplo a central de 11 megawatts atualmente em
construção na zona de Serpa - produzem eletricidade "diretamente",
sem passar pela fase térmica.
"Essas centrais são mais caras e produzem
menos energia", sustenta o responsável da ESTP, explicando que a
transformação da energia produzida pelo vapor de água em
eletricidade se faz numa turbina com capacidade para 6,5 megawatts.
"Se considerarmos que uma família de
quatro pessoas produz uma média de 3 kilowatts, esta central
deverá produzir energia para 20 mil pessoas, embora em certas
alturas essa capacidade possa crescer ainda mais, até às 30 mil",
disse.
A energia será vendida à empresa Rede
Elétrica Nacional (REN), que introduzirá na rede, afirmou. "Nunca
teremos a certeza se esta energia será consumida no Algarve ou em
outras regiões do país", esclareceu.
O projeto, que pressupôs um protocolo,
assinado em dezembro, com associação do Aproveitamento
Hidroagrícola do Sotavento Algarvio (AHSA), deverá representar um
investimento de 20 milhões de euros.