A Superintendência da Polícia Federal (PF)
em São Paulo informou em 14 de julho que Humberto Braz, um dos
principais auxiliares do banqueiro Daniel Dantas, dono do Banco
Opportunity, está preso no Centro de Detenção Provisória de
Guarulhos.
Ex-presidente da Brasil Telecom, Braz se
entregou dia 13, era o único foragido entre os que tiveram a
prisão decretada na Operação Satiagraha, da PF, que investiga
crimes financeiros. Braz teria sido, ao lado de Hugo Chicaroni,
que permanece preso em São Paulo, responsável por uma tentativa de
suborno a delegado da PF, para que o nome de Daniel Dantas fosse
retirado das investigações da operação.
A tentativa de suborno motivou a
decretação da prisão preventiva de Dantas na última semana, mas o
banqueiro foi libertado por decisão do presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, que entendeu não
haver provas consistentes contra Dantas, nem razões que
justificassem a restrição de liberdade.
Também foram beneficiados por habeas
corpus outros investigados na Operação Satiagraha, como o
ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas,
divulgou a Agencia Brasil.
Daniel Dantas entre os investigados
O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI)
dos Correios, originou as investigações sobre empresários e
políticos supostamente ligados ao esquema do mensalão - pagamento
de propina a parlamentares em troca de favores políticos –
apresentou em pormenores a forma como o dono do Grupo Oportunity,
Daniel Dantas, teria atuado.
O então relator da comissão parlamentar de
inquérito, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou no seu
relatório que teve acesso a diversos relatórios falsos de serviços
prestados pelas empresas do publicitário Marcos Valério, operador
do mensalão, à Brasil Telecom, uma das telefônicas controladas
pelo Opportunity e investigada pela CPMI. No relatório final,
Serraglio foi categórico ao apontar o uso das empresas de
publicidade SMP&B e DNA como “fachada” no desvio de dinheiro
privado para o “valerioduto”.
“Esta CPMI teve acesso a diversos
relatórios falsos de serviços prestados pelas empresas do Sr.
Marcos Valério à Brasil Telecom, comprovando a utilização de
empresas de propaganda como fachada para transferência de recursos
de empresas privadas para o valerioduto”, diz o relatório final,
enviado ao Ministério Público.
A conclusão das investigações conduzidas
pelos deputados e senadores sobre o esquema de desvio de recursos
públicos e privados para o pagamento de mesadas a parlamentares,
demonstra que o objetivo de Daniel Dantas, ao irrigar o caixa do "valerioduto"
seria manter o controle do Opportunity sobre as concessionárias de
telefonia Brasil Telecom, Telemig e Amazônia Celular.
As investigações sobre a participação do
Opportunity no esquema de Marcos Valério remonta a 1997. Neste
ano, o grupo passou a controlar uma série de fundos de pensão de
entidades públicas, como Banco do Brasil, Petrobrás e Caixa
Econômica Federal. Em 2003, relata Serraglio, o empresário foi
retirado do controle desses fundos “por quebra do dever
fiduciário”.
De acordo com as investigações conduzidas,
foi a partir desse contexto que Dantas teria buscado a parceria
com Marcos Valério para tentar retomar, pela influência política,
o poder perdido nos fundos de pensão.
“No afã de voltar a obter o poder de
outrora, o Sr. Dantas não mediu esforços e canalizou recursos das
citadas empresas [Brasil Telecom, Telemig Celular e Amazônia
Celular] para as de Marcos Valério, que os distribuiu entre seus
interlocutores, com o intuito de auxiliar o Sr. Daniel Dantas a
reestabelecer-se. É fato que o Sr. Dantas quase logrou êxito em
sua empreitada, não fosse a brusca guinada política, provocada
pela revelação do esquema de Marcos Valério, objeto da presente
investigação parlamentar”, afirma Serraglio, no relatório final da
CPMI.
Em 2004, o empresário firmou uma série de
contratos com as empresas de Marcos Valério que somaram mais de R$
50 milhões. Deste total, relata Serraglio à época, R$ 2,5 milhões
foram efetivamente pagos até junho de 2005, “antes mesmo da
entrega dos serviços contratados”.
A CPMI obteve dados que demonstram a
transferência de recursos das empresas Telemig Celular S/A e
Amazônia Celular para as empresas publicitárias de Marcos Valério,
que somavam à época R$ 152,4 milhões. Os valores começaram a ser
repassados no ano de 2000. Algumas das notas fiscais emitidas em
favor da Telemig Celular simplesmente desapareceram o que, de
acordo com o deputado Osmar Serraglio, impediu a comprovação da
natureza dos serviços prestados pelas empresas SMP&B e DNA.
Várias notas fiscais das empresas SMP&B e
DNA em favor da Telemig Celular e Amazônia Celular foram
encontradas queimadas nos municípios mineiros de Contagem e
Brumadinho. Questionado sobre o assunto, quando depôs na CPMI,
Daniel Dantas disse que as notas não corresponderiam aos serviços
prestados.
Em seu relatório, Osmar Serraglio
ressalta, no entanto, que o empresário “não produziu contraprovas
de glosas devidamente justificadas da inexatidão das faturas.
Prometeu enviá-las a esta Comissão, o que não acorreu”.
No depoimento, Dantas teria omitido,
ainda, a assinatura de “um contrato milionário” entre a Brasil
Telecom e as empresas de publicidade de Marcos Valério. A parceria
foi firmada em meados de 2005, pouco antes de estourar o escândalo
do pagamento de propina a parlamentares.
Quando foi questionado pela CPMI sobre o
assunto, Daniel Dantas sustentou que a Brasil Telecom possuía
contratos de publicidade com empresas do publicitário Duda
Mendonça. Entretanto, com a quebra dos sigilos bancários de Marcos
Valério e de suas empresas, foi comprovada a transferência, pela
Brasil Telecom, de R$ 3,9 milhões à SMP&B e R$ 823.529,00 à DNA
Propaganda.
A administração da Brasil Telecom, na
época, anunciou a existência de dois contratos de publicidade com
as empresas de Marcos Valério, que somavam R$ 25 milhões,
assinados em maio de 2005. Osmar Serraglio ressaltou que a
assinatura desses contratos foi posterior à movimentação
financeira entre a empresa de telefonia e Marcos Valério,
descoberta a partir da quebra dos sigilos bancários do operador do
mensalão. As informações são da Agência Brasil.