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Pedro Sá da
Bandeira - 15.01.07/Lusa Portugal

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Até 09 de julho, a cúpula do G8, grupo dos
países mais desenvolvidos do mundo mais a Rússia, esteve reunida
na ilha de Hokkaido, no Japão. O encontro foi acompanhado também
pelo chamado G5, formado por Brasil, China, Índia, México e África
do Sul, grupo de países emergentes convidado pelo quarto ano
consecutivo.
O grupo discutiu, entre outros temas, o
aumento dos preços dos alimentos no mundo. Defendendo que o
biocombustível nada tem a ver com a crise, o presidente brasileiro
Luis Inácio Lula da Silva criticou os “precipitados” que acreditam
que biocombustível é responsável pela alta dos preços dos
alimentos. “Tirando o etanol de milho americano não há nenhuma
novidade na área, o Brasil continua produzindo da mesma maneira
que antes”, afirmou. Segundo ele, a crise é uma “oportunidade”
para uma maior produção de alimentos. “É um desafio importante,
porque o mundo tem condições de produzir todo o alimento de que
necessita. Com a economia crescendo, as pessoas vão continuar
comendo mais, então temos que produzir mais também”.
Recentemente, a imprensa britânica
divulgou um relatório confidencial do Banco Mundial que culpa os
biocombustíveis em 75% pelo aumento nos preços dos alimentos. A
análise do economista Don Mitchell contraria estimativas dos
Estados Unidos, que defende que combustível derivado de plantas
respondem por menos de 3% do aumento dos preços dos alimentos. Em
artigo no Financial Times, Mitchell afirmou que milho para
produção de etanol nos EUA havia consumido mais de 75% do aumento
da produção mundial de milho nos últimos três anos, pedindo ao
país e à Europa que reduzissem os subsídios derivados de milho e
sementes oleaginosas.
1 bilhão na pobreza
Durante o encontro, agências da ONU apelaram aos líderes do G8
para aumentar os esforços na luta contra a fome, dedicando uma
fatia mais significativa da ajuda ao desenvolvimento do setor
rural e agrícola.
Segundo divulgou as Nações Unidas, o
declínio nos investimentos agrícolas nos últimos 30 anos é uma das
razões para a atual crise alimentar. O Secretário-Geral da ONU,
Ban Ki-moon, afirmou que o mundo está enfrentando várias crises de
forma simultânea. A crise dos alimentos, os desafios do
aquecimento global e o combate à pobreza são alguns dos temas mais
urgentes para o mundo.
Para ele, é hora de ação, e qualquer
medida para enfrentar o problema deve ir além do encontro do G8, é
preciso dobrar a ajuda de desenvolvimento à África até 2010. Se
nada for feito para combater a crise dos alimentos, mais 100
milhões de pessoas poderão ser lançadas na pobreza extrema
aumentando o número de famintos no mundo para quase 1 bilhão de
pessoas.
O presidente do Banco Mundial, Robert
Zoellick, também defendeu combate à crise pelos líderes do G8.
Para ser bem-sucedida, a globalização tem que ser inclusiva e
sustentável, segundo ele, mais do que nunca o mundo precisa
proteger os mais fracos. Zoellick defendeu que a saída está no
aumento de investimentos nos setores agrícolas dos países em
desenvolvimento, principalmente do continente africano.
Redução de CO2 em 50%
Uma das decisões do encontro foi o comprometimento do G8 a reduzir
em 50% as emissões de CO2 até 2050. Para atingir essa meta, os
líderes dos países mais ricos do mundo, que têm posições
diferentes sobre a luta contra o aquecimento global, pediram
cooperação também dos maiores emissores de CO2.
"Reconhecemos que as economias mais
desenvolvidas diferem das economias em desenvolvimento, por isso
as nações mais industrializadas iniciarão objetivos ambiciosos a
médio prazo para conseguir reduções absolutas de emissões e,
quando for possível, paralisar o aumento das emissões segundo as
circunstâncias de cada país" traz o comunicado do G8.
Pela primeira vez, Estados Unidos
aceitaram uma meta de redução de gases efeito estufa, depois que
país não aderiu ao Protocolo de Quioto, que expira em 2012.
Economias crescentes como a China e a
Índia produzem cerca de um quarto das emissões. Mas os países
dizem que só vão aceitar metas de reduções caso nações ricas,
principalmente os EUA, também o façam.
Brasil no Japão
Para Lula, houve “melhora” na relação entre os países ricos e os
emergentes, e as nações ricas estariam se conscientizando sobre a
importância de incluir as demais nações em discussões dos
principais problemas do planeta. “Há uma evolução da consciência
de que não é mais possível para as nações ricas se reunirem sem
levarem em conta as mudanças na economia global nos últimos dez
anos”, afirmou Lula.
No próximo encontro, em 2009, o G8 deve
agendar um dia inteiro para discussões com o G5. Apesar do
reconhecimento, o grupo não deve incorporar mais membros – países
emergentes – e transformá-lo em G13, já que há oposição declarada
de parte dos Estados ricos, como Estados Unidos e Japão. O
presidente brasileiro se mantém otimista. “Um ou outro pode
resistir porque ninguém gosta de migrantes, mas somos migrantes
importantes”, brincou Lula. “Estou convencido de que nos próximos
anos isso irá se concretizar”.
Lula ainda cobrou dos países europeus uma
nova política para Imigração na União Européia, já que a nova
legislação prevê prisão e deportação de imigrantes ilegais em
prazos bem mais rígidos. Ele defendeu que o país está “à vontade”
para tratar do assunto por sua experiência com imigrantes. “O
tratamento que o Brasil deu para a entrada de alemães, italianos,
espanhóis, japoneses e mais recentemente latino-americanos é o
tratamento que queremos que nos dêem”.
Com agencias