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Mário Cruz/Lusa
Portugal

>> O Primeiro Ministro, José Sócrates, durante a
entrevista televisiva realizada nos estúdios da RTP1, 2 Julho
2008, em Lisboa. |
A Organização das Nações Unidas em Nova
York lançou a Pesquisa Global Econômica e Social 2008, dizendo que
o mundo atravessa um período de ameaças e vulnerabilidades, como o
aumento generalizado dos preços dos alimentos, mudanças
climáticas, instabilidade financeira e problemas de conflito.
Segundo o estudo, os governos devem integrar as políticas
econômicas e sociais para repor o equilíbrio social.
Um outro estudo, do Fundo Monetário
Internacional, FMI, revela que o preço do petróleo e dos alimentos
deve sofrer apenas uma leve redução nos próximos meses, e
dependerá dos níveis de demanda e política de biocombustíveis em
economias mais avançadas.
De acordo com FMI, a decisão de vários países de restringir
exportações para responder à crise dos alimentos só pôs mais
pressão sobre o mercado internacional levando a um efeito-dominó
na cadeia alimentar, o que fez subir o preço de aves e carnes.
Segundo o Secretário-Geral das Nações
Unidas, Ban Ki-moon, que enviou carta aos países mais ricos do
mundo mais a Rússia, G-8, pedindo mais 300% em ajuda ao
desenvolvimento no setor agrícola, o mundo atualmente enfrenta
três desafios urgentes: a crise alimentar, a mudança climática e o
progresso nas Metas do Milênio.
Ponto Crítico
Também o Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em
inglês) lançou relatório alertando para situações que vem
empurrando a economia mundial para um “ponto crítico”, dizendo
ainda que o mundo vive atualmente a maior turbulência financeira
desde a Segunda Guerra Mundial.
O BIS monitora o sistema financeiro
internacional, sendo um banco central dos bancos centrais. Segundo
o relatório divulgado, o impacto dos preços crescentes de
alimentos e energia sobre a renda real disponível, com a redução
dos empréstimos pelas instituições financeiras e dívida das
famílias podem levar a uma desaceleração no crescimento global,
podendo “se mostrar bem maior e duradoura do que o necessário para
manter a inflação sob controle”. O que, com o tempo, pode levar à
deflação.
Segundo o BIS, a situação é atribuída aos
próprios BCs, por não terem mantido os juros altos o suficiente no
início da década, contendo o crescimento de crédito. Hoje, o
aumento da inflação é um “perigo claro e real”, preocupando
principalmente países emergentes, que precisam aumentar as taxas
de juros e permitir a valorização das suas moedas. “Com a inflação
como uma ameaça clara e presente, e as taxas de juro reais em
muitos países muito baixas em padrões históricos, um viés global
para um aperto monetário parece apropriado”, acresce o BIS. “Uma
desaceleração pronunciada nos Estados Unidos prejudicaria os
emergentes, que, embora estejam notadamente resistentes até o
momento, ainda dependem significativamente da demanda externa”.
Inflação em alta
Apesar de muitos analistas acreditarem que o recente aumento na
inflação nos países industriais é temporário e que, baseado nas
atuais expectativas da política monetária, a inflação irá cair em
2009, o BIS alerta, “não podemos estar totalmente confiantes
disso”, defendendo que no ano que vem, as altas taxas de inflação
podem não diminuir. “Os bancos centrais precisam ser
particularmente vigilantes para manter as expectativas de inflação
sob controle”.
A demanda interna aquecida dos maiores
países emergentes, como China, Índia e Brasil, compensava a
desaceleração nos países industrializados. Mas agora, nesses
países, as pressões causadas pela demanda continuam fortes e seus
desafios são “particularmente grandes”, já que os preços dos
alimentos consomem maior parte do orçamento doméstico. “O
crescente peso dos países emergentes claramente trouxe vantagens,
mas também cria responsabilidades internacionais” disse o
diretor-geral do BIS, Malcolm Knight.
Juros na Europa
Para fazer frente às pressões inflacionárias na zona do euro, os
mercados prevêem elevação da taxa básica de juros pelo BCE (Banco
Central Europeu). O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, já
havia dado sinais de uma alta das taxas de juros de forma
moderada, para assegurar a estabilidade dos preços, logo após o
encarecimento da energia e de alguns alimentos. O BIS destacou,
para a zona euro, que “os números da inflação foram um pouco mais
altos que o esperado, mas que a inflação local é um problema que
pode ser controlado”.
Alguns especialistas acreditam num baixo
crescimento para Portugal nos próximos anos. Segundo o economista
Daniel Bessa, “vai ser muito difícil Portugal sair de um
crescimento anual médio de 1,5 nos próximos dez ou 15 anos”,
dizendo ainda que o país “está confrontando de novo com a
recessão”.
Ele se diz preocupado com uma inflação,
sem data para acabar. O país começou “a praticar políticas certas”
com a economia empurrada pelas exportações, mas a crise mundial
atingiu a economia portuguesa em cheio, quando ela “mal tinha
saído do pico inferior” defende.
Em entrevista à RTP, o primeiro-ministro
José Sócrates, apesar de confessar que Portugal cresceu menos do
que esperado e que os portugueses passarão pos “momentos
difíceis”, disse acreditar no crescimento econômico. “A nossa
economia vai passar por um abrandamento, como todas as economias
européias e a economia dos EUA, mas, o nosso dever é enfrentar com
coragem, determinação e com ânimo as dificuldades que vamos
enfrentar este ano e no próximo ano”, afirmou José Sócrates.
Mas a crise internacional pegou de
surpresa todos os países, segundo Sócrates. “Estamos a viver um
período difícil para a economia portuguesa e mesmo para países que
eram considerados campeões do crescimento como a Espanha e a
Irlanda, estão a sofrer abrandamentos muito significativos, tal
como nós”.
Com agencias
internacionais