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Sexta-feira | 04 JUL 08

Crise Internacional
Economia Global em “ponto crítico”

A ONU afirma que a insegurança econômica aumentou, e o BIS diz que a economia no mundo vive maior turbulência desde Segunda Guerra.

Mundo Lusíada

Mário Cruz/Lusa Portugal

>> O Primeiro Ministro, José Sócrates, durante a entrevista televisiva realizada nos estúdios da RTP1, 2 Julho 2008, em Lisboa.

A Organização das Nações Unidas em Nova York lançou a Pesquisa Global Econômica e Social 2008, dizendo que o mundo atravessa um período de ameaças e vulnerabilidades, como o aumento generalizado dos preços dos alimentos, mudanças climáticas, instabilidade financeira e problemas de conflito. Segundo o estudo, os governos devem integrar as políticas econômicas e sociais para repor o equilíbrio social.

Um outro estudo, do Fundo Monetário Internacional, FMI, revela que o preço do petróleo e dos alimentos deve sofrer apenas uma leve redução nos próximos meses, e dependerá dos níveis de demanda e política de biocombustíveis em economias mais avançadas.
De acordo com FMI, a decisão de vários países de restringir exportações para responder à crise dos alimentos só pôs mais pressão sobre o mercado internacional levando a um efeito-dominó na cadeia alimentar, o que fez subir o preço de aves e carnes.

Segundo o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que enviou carta aos países mais ricos do mundo mais a Rússia, G-8, pedindo mais 300% em ajuda ao desenvolvimento no setor agrícola, o mundo atualmente enfrenta três desafios urgentes: a crise alimentar, a mudança climática e o progresso nas Metas do Milênio.

Ponto Crítico
Também o Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) lançou relatório alertando para situações que vem empurrando a economia mundial para um “ponto crítico”, dizendo ainda que o mundo vive atualmente a maior turbulência financeira desde a Segunda Guerra Mundial.

O BIS monitora o sistema financeiro internacional, sendo um banco central dos bancos centrais. Segundo o relatório divulgado, o impacto dos preços crescentes de alimentos e energia sobre a renda real disponível, com a redução dos empréstimos pelas instituições financeiras e dívida das famílias podem levar a uma desaceleração no crescimento global, podendo “se mostrar bem maior e duradoura do que o necessário para manter a inflação sob controle”. O que, com o tempo, pode levar à deflação.

Segundo o BIS, a situação é atribuída aos próprios BCs, por não terem mantido os juros altos o suficiente no início da década, contendo o crescimento de crédito. Hoje, o aumento da inflação é um “perigo claro e real”, preocupando principalmente países emergentes, que precisam aumentar as taxas de juros e permitir a valorização das suas moedas. “Com a inflação como uma ameaça clara e presente, e as taxas de juro reais em muitos países muito baixas em padrões históricos, um viés global para um aperto monetário parece apropriado”, acresce o BIS. “Uma desaceleração pronunciada nos Estados Unidos prejudicaria os emergentes, que, embora estejam notadamente resistentes até o momento, ainda dependem significativamente da demanda externa”.

Inflação em alta
Apesar de muitos analistas acreditarem que o recente aumento na inflação nos países industriais é temporário e que, baseado nas atuais expectativas da política monetária, a inflação irá cair em 2009, o BIS alerta, “não podemos estar totalmente confiantes disso”, defendendo que no ano que vem, as altas taxas de inflação podem não diminuir. “Os bancos centrais precisam ser particularmente vigilantes para manter as expectativas de inflação sob controle”.

A demanda interna aquecida dos maiores países emergentes, como China, Índia e Brasil, compensava a desaceleração nos países industrializados. Mas agora, nesses países, as pressões causadas pela demanda continuam fortes e seus desafios são “particularmente grandes”, já que os preços dos alimentos consomem maior parte do orçamento doméstico. “O crescente peso dos países emergentes claramente trouxe vantagens, mas também cria responsabilidades internacionais” disse o diretor-geral do BIS, Malcolm Knight.

Juros na Europa
Para fazer frente às pressões inflacionárias na zona do euro, os mercados prevêem elevação da taxa básica de juros pelo BCE (Banco Central Europeu). O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, já havia dado sinais de uma alta das taxas de juros de forma moderada, para assegurar a estabilidade dos preços, logo após o encarecimento da energia e de alguns alimentos. O BIS destacou, para a zona euro, que “os números da inflação foram um pouco mais altos que o esperado, mas que a inflação local é um problema que pode ser controlado”.

Alguns especialistas acreditam num baixo crescimento para Portugal nos próximos anos. Segundo o economista Daniel Bessa, “vai ser muito difícil Portugal sair de um crescimento anual médio de 1,5 nos próximos dez ou 15 anos”, dizendo ainda que o país “está confrontando de novo com a recessão”.

Ele se diz preocupado com uma inflação, sem data para acabar. O país começou “a praticar políticas certas” com a economia empurrada pelas exportações, mas a crise mundial atingiu a economia portuguesa em cheio, quando ela “mal tinha saído do pico inferior” defende.

Em entrevista à RTP, o primeiro-ministro José Sócrates, apesar de confessar que Portugal cresceu menos do que esperado e que os portugueses passarão pos “momentos difíceis”, disse acreditar no crescimento econômico. “A nossa economia vai passar por um abrandamento, como todas as economias européias e a economia dos EUA, mas, o nosso dever é enfrentar com coragem, determinação e com ânimo as dificuldades que vamos enfrentar este ano e no próximo ano”, afirmou José Sócrates.

Mas a crise internacional pegou de surpresa todos os países, segundo Sócrates. “Estamos a viver um período difícil para a economia portuguesa e mesmo para países que eram considerados campeões do crescimento como a Espanha e a Irlanda, estão a sofrer abrandamentos muito significativos, tal como nós”. Com agencias internacionais

 


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