A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)
anunciou que irá colocar em consulta pública a alteração do Plano
Geral de Outorgas (PGO), o que é visto pelos analistas do setor
como o primeiro passo para abrir caminho à concretização da fusão
entre Oi e Brasil Telecom e criação de uma grande empresa
brasileira de telecomunicações.
A fusão da Oi e da Brasil Telecom foi
anunciada ao mercado em abril e dela resultará uma “super” empresa
com mais de 42 milhões de clientes entre telefonia fixa e móvel. A
Oi pagará R$ 5,8 bilhões pelos ativos da Brasil Telecom.
Ao anunciar no dia 12, a proposta de um
novo PGO, o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel),
Ronaldo Sardenberg, negou que as alterações que vão entrar em
consulta pública na próxima semana tenham como objetivo imediato
possibilitar a compra da Brasil Telecom pela Telefônica Oi.
Sardenberg disse, no entanto, que a Anatel
defende a criação de grupos fortes, de modo a estimular a
competitividade e a melhorar os serviços prestados.
Atualmente, uma empresa de um mesmo grupo
não pode ser concessionária em regiões distintas e uma
concessionária não pode comprar outra sem desistir de sua primeira
posição. Pelas novas regras, será proibido obter mais de duas
concessões em áreas diferentes, o que impedirá uma futura venda da
empresa resultante da fusão para a Embratel ou a Telefônica.
Depois da consulta pública, ao longo de
trinta dias, a Anatel irá apresentar ao Ministério das
Comunicações a proposta de alterações.
A medida terá ainda que ser aprovada pelo
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério
da Justiça, até chegar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
que assinará o decreto.
O Plano Geral de Outorgas deverá conter 30
alterações, que ainda não foram divulgadas, e envolve também
obrigações e direitos de empresas que operam com o sistema de TV a
cabo e Internet de Alta Velocidade (a chamada Banda Larga).
O novo PGO proposto muda a forma de
comercialização dos serviços de banda larga. As empresas
concessionárias serão obrigadas a abrir outra empresa para gerir
este serviço, apesar de ambas poderem continuar pertencendo ao
mesmo grupo. Segundo a Anatel a separação dará mais condições para
a concorrência no setor.