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Fabio Pozzebom -
4.mai.2007/ABr

BRASÍLIA >> O presidente da Empresa Nacional
Portuguesa de Petróleo, Gás e Energia (Galp Energia), Manuel
Ferreira de Oliveira, fala à imprensa após reunião com o
presidente Lula. |
Os resultados dos projetos conjuntos entre
a brasileira Petrobras e a portuguesa Galp em Angola devem ser
seguidos por empresas privadas dos dois países, defendeu o
embaixador do Brasil em Portugal, Celso Vieira de Souza.
Para o diplomata, um dos participantes do
evento "1808-2008: E o Futuro das Relações Econômicas
Portugal-Brasil", iniciado em Lisboa, cabe ao Brasil "fomentar o
diálogo" que permita o lançamento de ações conjuntas entre
empresas.
"As empresas brasileiras podem
internacionalizar-se por via deste diálogo com Portugal",
afirmando que as companhias lusas "são das mais
internacionalizadas" e existe ainda uma base cultural e
lingüística que favorece o entendimento.
Vieira de Souza disse que esta afinidade
já existe no setor energético, como a parceria em Angola entre
Petrobras e Galp, e nas infra-estruturas, mas "pode ainda
ampliar-se para o contexto europeu".
Aproximação
Segundo o embaixador, eventos como as comemorações dos 200 anos da
chegada da corte portuguesa no Brasil "estão a dar maior
visibilidade" às relações bilaterais, e podem dar um impulso às
relações econômicas.
No ano passado, Portugal e Brasil
alcançaram um recorde histórico nas trocas comerciais, para US$ 2
bilhões, mas o perfil tecnológico das exportações é ainda baixo,
disse o diplomata brasileiro.
"As exportações portuguesas para o Brasil
continuam muito concentradas nas categorias de azeite ou vinho, e
as brasileiras para Portugal nos derivados de petróleo".
Relacionamento
Outro entrave ao desenvolvimento das relações comerciais é o
atraso nas negociações entre a União Européia e Mercosul sobre um
acordo de acesso preferencial, que poderia servir de catalisador
de trocas e investimento bilateral, disse o embaixador.
Vieira de Souza disse ainda que existe "um
diálogo estratégico" em andamento e que está previsto que antes do
final do ano haja uma cúpula bilateral, assim como em 2007.
O presidente da Agência de Investimento e
Comércio Exterior de Portugal (AICEP), Basílio Horta, disse que as
comemorações dos 200 anos são "oportunidades promocionais que
estão a ser aproveitadas no quadro da estratégia para o Brasil
enquanto mercado prioritário".
"Trata-se de mais uma componente a juntar
a tantas outras que têm sido desenvolvidas para aprofundar as
nossas já excelentes relações", afirmou o dirigente.
Basílio Horta ressaltou que a agência
portuguesa está tentando captar investimento brasileiro em
Portugal, acenando com o acesso a mercados europeus e tentando a
"alteração do modelo de desenvolvimento para setores de maior
incorporação tecnológica".
Potencial
O investimento brasileiro em Portugal é historicamente pouco
significativo. Em 2007, atingiu 92 milhões de euros (R$ 246,2
milhões), a 19ª posição no fluxo de investimento direto
estrangeiro total em Portugal, que foi o primeiro investidor
estrangeiro no Brasil entre 1998 e 2000. Nos dois últimos anos,
ocupou a 5ª posição.
"Depois do movimento inicial ter sido
feito por alguns grandes grupos portugueses, em resultado das
privatizações brasileiras nos setores da energia e
telecomunicações, seguiram-se vários investimentos, cuja
característica principal é a sua diversificação", afirmou Basílio
Horta.
Sobre os segmentos com mais potencial para
investimento, o presidente do AICEP citou "novas tecnologias de
informação e comunicação, energias renováveis e novos processos
industriais em setores de ponta e inovadores".
"Há ainda um vasto potencial a explorar no
relacionamento bilateral e muito trabalho a fazer pelos agentes
econômicos de ambos os países", afirmou o dirigente à Agência
Lusa.
Além do embaixador brasileiro e do
presidente da AICEP, o evento em Lisboa conta com o
secretário-geral adjunto e dos Assuntos Europeus, Manuel Lobo
Antunes, e o presidente do banco BES (ligado ao Bradesco), Ricardo
Salgado.