O regulador do mercado bolsista revelou,
em 20 de fevereiro, que já formulou acusações contra o BCP em dois
dos processos de investigações a decorrer, e promete, em breve, a
conclusão do terceiro processo, o mais vasto e relacionado com a
utilização de off-shores.
“A fase da investigação está concluída,
(...) estamos na fase da imputação de responsabilidades
individuais”, adiantou o presidente da Comissão do Mercado de
valores Mobiliários (CMVM), relativamente ao processo que envolve
a utilização de “off-shores” por parte do BCP. “Nesta fase não
pode haver erros (...), mas não fique a idéia de que estamos
parados”, sublinhou Carlos Tavares, afirmando ainda que “há uma
denúncia autônoma [relativa ao caso] feita ao ministério público”,
rejeitando assim que outras averiguações estejam paradas à espera
da decisão da CMVM.
Quanto aos outros dois processos de
contra-ordenação, relativo à concessão de crédito pelo BCP para
aquisição de ações do próprio banco a vários acionistas, muitos
pequenos, já houve acusação. Entre a comunicação da acusação ao
banco e a decisão da CMVM, recordou Carlos Tavares, correm 20 dias
durante os quais o visado, ou visados, podem recorrer da acusação.
Mais recentemente foi também comunicada já ao banco a acusação no
processo a correr relativo a prestação de informação falsa ao
regulador.
O presidente da CMVM confirmou também que
pode abrir novo processo contra antigos responsáveis do BCP, por
prestação de informação falsa. Em causa está um comunicado emitido
em dezembro pelo banco garantindo que as contas até setembro já
refletiam todas as perdas com as "off-shores", que terão comprado
ações próprias de forma irregular, informação que se provou ser
falsa na apresentação de contas do exercício de 2007 feita terça,
dia 19 de fevereiro. “Há uma diferença substancial entre o que foi
afirmado solenemente”, numa declaração feita em dezembro ao
mercado, “e o que foi apresentado [terça-feira] nas contas de
2007”, sustentou Carlos Tavares.
Na conferência de imprensa para
apresentação dos resultados do BCP, o presidente da instituição
financeira, Carlos Santos Ferreira, anunciou o aumento de capital
de 1,3 mil milhões de euros proposto pela administração do BCP
para o banco. A operação "destina-se não só a repor os rácios de
solvabilidade, mas também a financiar a expansão do banco
sobretudo no exterior", explicou.
Contas
António Media, presidente da comissão executiva da EDP, empresa
que tem uma participação de 4,34% direta e indiretamente no
capital, disse que a proposta apresentada pela administração do
banco é boa e destinada a criar valor. “É uma boa medida, que está
integrada num plano de maximização de valor”, afirmou Mexia.
Em tempo de crise, Santos Ferreira
salientou que o aumento de capital foi aprovado por unanimidade
pelo conselho de administração executivo, pelo Conselho Geral e de
Supervisão e pelo Conselho Superior do banco. Os resultados
líquidos do maior banco privado português caíram 28,4% no ano
passado, face a 2006, para 563,3 milhões de euros.