Aumentar o número de agências no Brasil
para 28 é um dos objetivos anunciados pelo presidente do banco
Banif, Horácio Roque, em entrevista ao Jornal de Negócios. "O
Brasil representa uma economia em crescimento, com muitas
oportunidades de negócio. Sempre que possível, crescemos via
aquisições", afirma o banqueiro português.
O Banif vai deixar de ser azul e verde.
Quer apostar em cores mais agressivas para espelhar a sua atitude
face ao mercado. O banco, que pretende abrir 30 agências por ano
em Portugal, acabou de entrar em Malta, quer controlar o Banco
Caboverdiano de Negócios, fazer mais parcerias na Europa de Leste,
crescer no Brasil e fortalecer a sua posição em Espanha, escreve o
Jornal de Negócios.
Horácio Roque cita a importância do Brasil
em aquisições. "O nosso banco no Brasil foi comprado em 1999.
Também temos lá um 'broker online' e em 2007 compramos uma gestora
de ativos. O Brasil funciona também como o pólo aglutinador dos
nossos negócios na América do Sul, em países como Argentina,
México, Venezuela. E é um país que nos dá muito negócio para a
nossa operação em Miami".
O banco também pensou em se inserir em
Macau, na China, mas Horácio Roque acabou por "desistir" da idéia.
"Nós não temos nada a ver com os chineses. Eles têm uma maneira
própria de pensar. A meu ver, muito mais avançada que a nossa.
Tudo é diferente: a mentalidade, os métodos de organização, a
forma de fazer negócio, os produtos, o consumo. Se quisermos estar
lá, temos de ver se o esforço de adaptação compensa. Às vezes, de
fato, isso não acontece".
O presidente do Banif falou também sobre
perspectivas econômicas para 2008. "Não estou muito otimista em
relação a 2008. Temo que o impacto do 'subprime' ainda não esteja
absorvido pelo mercado. Podem existir surpresas desagradáveis na
economia. Não sou daqueles que desdramatizam o 'subprime'.
Trata-se de muito milhões de dólares sem cobertura. A Europa
poderá, este ano, sentir as consequências, com os devidos reflexos
em Portugal".
Para ele, a península ibéria é como uma
extensão do mercado português, "tal como Portugal é uma extensão
do mercado espanhol. Essa é a teoria correta" defende. "Espanha é
um mercado mais maduro e bem mais competitivo do que Portugal, em
especial na área financeira. O que faz a grande diferença é a
dimensão das empresas. Quando dizemos que é mais fácil as empresas
espanholas virem para Portugal do que as empresas portuguesas irem
para Espanha, isso deve-se à dimensão das empresas. E para estar
em dados mercados é preciso dimensão".
Quanto ao futuro do banco em Portugal, diz
que prefere "ter um banco médio sem problemas do que um banco
grande com problemas. Quero uma entidade que remunere devidamente
os seus acionistas. Quero um banco no qual os colaboradores se
sintam felizes a trabalhar e com confiança no futuro".