|
11/MAI/2007
Valor representa
soma de despesas da administração direta e indireta em 2006
Lula bate recorde e gasta mais de R$ 1
bilhão em publicidade
Ministro Franklin Martins (Secom)
diz que os números "refletem uma presença forte das estatais" que
têm de competir no mercado
Mundo Lusíada
A Abrarj (Associação Brasileira de
Revistas e Jornais) divulgou um informativo aos veículos
associados, em 24 de abril, no qual retrata matéria publicada no
Jornal Folha de São Paulo (deste mesmo dia), onde o jornal informa
que o presidente Lula bateu seu próprio recorde e os gastos com
propaganda estatal federal, que passaram de R$ 1 bilhão pela
primeira vez na história do Brasil em 2006. O valor consumido
pelos órgãos da administração direta e indireta sob o comando do
PT chegou a R$ 1.015.773.838.
Essa soma é divulgada pelo governo federal para o setor de
publicidade estatal. A contabilidade unificada começou em 1998.
Para períodos anteriores não há cifras disponíveis.
Segundo o ministro Franklin Martins (Secretaria de Comunicação
Social), os números da publicidade "refletem uma presença forte
das estatais, pois estão entre as maiores do Brasil e precisam
competir no mercado". A Secom deve divulgar todos os dados
referentes a 2006 nesta semana, na internet (www.planalto.org.br).
As tabelas mostrarão que, nos anos (para os quais há dados
disponíveis) em que Fernando Henrique esteve no Palácio do
Planalto, o maior gasto do tucano se deu em 2001, com um
investimento de R$ 953,7 milhões - a Secom corrigiu essa cifra
pelo IGPM, da Fundação Getulio Vargas.
Sob FHC, os valores sobem e descem de um ano para o outro. Com a
chegada de Lula ao Planalto, os valores não param de subir. No seu
primeiro ano, em 2003, o petista foi modesto. Investiu R$ 667,6
milhões, menos do que em todos os anos anteriores com FHC. Os
gastos subiram para R$ 956,1 milhões em 2004. No ano seguinte,
quando estourou o esquema do mensalão, o governo usou R$ 963
milhões em propaganda.
Para chegar ao recorde de R$ 1,015 bilhão no ano passado, Lula
teve de fazer gastos concentrados no primeiro semestre e nos
últimos dois meses do ano passado - pois durante a fase eleitoral
há restrições legais à publicidade estatal. É raro um político
aumentar seus investimentos publicitários oficiais em anos de
eleição.
Valor total é maior
Não é possível saber de maneira completa quanto o governo gasta
com propaganda. As cifras divulgadas não incluem o dinheiro usado
em publicidade legal (editais e balanços). Também não são
conhecidos os custos de produção dos comerciais (pagos à parte
para as agências). Além disso, o principal buraco negro na área de
marketing estatal são os patrocínios.
A Folha apurou que em 2006 a publicidade legal ficou em torno de
R$ 90 milhões para o erário. O custo de produção gira em torno de
20% do total pago pela veiculação dos anúncios. Nesse caso, seriam
mais aproximadamente R$ 203 milhões. A conta publicitária de Lula
sobe, dessa forma, para R$ 1,308 bilhão em 2006.
Mas fica ainda faltando o valor dos patrocínios - financiamentos
que vão para bandinhas do interior até a equipes nacionais de
vôlei e outros esportes olímpicos. Todas essas ações têm também
caráter propagandista. A Folha ouviu no governo, em caráter
reservado, estimativas díspares a respeito do patrocínio federal -
de R$ 300 milhões até R$ 1 bilhão por ano. O governo se recusa a
fornecer esses dados.
A razão para não abrir as informações é que os dados seriam vitais
para o funcionamento de estatais que concorrem com a iniciativa
privada, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Os
bancos concorrentes também não revelam gastos com patrocínio.
As estatais federais são historicamente responsáveis pela maior
parte das verbas federais de publicidade. No ano passado, as
empresas do governo que disputam o mercado com a iniciativa
privada consumiram R$ 775,2 milhões - 76,3% da verba lulista total
em propaganda.
Esse percentual também é outro recorde de Lula. Nos anos FHC, as
estatais chegaram a responder por, no máximo, 65,4% do valor gasto
em publicidade (em 1999).
|