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20/JAN/2006
Aos 20 anos de integração de Portugal na UE, situação de
Portugal não é das melhores
Pesquisa
mostra situação econômica desconfortável
Da redação com
agências internacionais
Apesar das
eleições presidenciais coincidir com os 20 anos de integração de
Portugal na União Européia, não há muito que os portugueses
comemorar. O que existe é um certo desconforto geral quanto à
posição do país na Europa.
Comparado aos
outros 14 países da UE, Portugal foi classificado como o país mais
pobre da Europa, segundo pesquisas divulgadas pela mídia
portuguesa. Cerca de 20% de sua população vive com menos de 350
euros por mês (menos de 985 reais). O ano de 2006 é o sexto
consecutivo em que Portugal estará abaixo da média, com um
crescimento de 0,8%.
O balanço a ser
feito no momento traz o histórico de 15 anos de aproximação com a
Europa e cinco anos de estagnação, como divulgou o jornal Público.
Entre os anos 1985 e 2004 o PIB (Produto Interno Bruto) per capita
foi de 53% a 76% da média européia. Os fundos europeus auxiliaram,
dos anos 80 e 90, na construção de estradas, e atraiu investidores
por causa da mão-de-obra de baixo custo, mas as taxas de juros que
caminhou com o euro prejudicou o país.
Em
2001 a economia foi desmoronando. A Espanha começava a se erguer
distanciando-se de Portugal. O país estava pagando o preço pela
entrada na zona do euro. Principalmente no governo de Antonio
Guterres, que pediu demissão em 2001, as despesas públicas
aumentaram fazendo Portugal cair na desestabilidade. Os déficits
públicos chegaram a 4,2%. José Manuel Durão Barroso tentou
corrigir a economia quando congelou os salários públicos, e
recorreu as receitas extraordinárias.
Em março de 2005,
José Sócrates prometeu reaquecer a competitividade, baseando-se na
pesquisa científica. Lisboa obteve um prazo adicional de três
anos, em Bruxelas, para reduzir o déficit público (6,2% do PIB
para 2005) e trazê-lo abaixo do limite dos 3%. Os fundos europeus,
de 2% do PIB, estão garantidos para Portugal até 2013.
Este ano será o
ano dos reajustes na economia. Para alguns economistas, Portugal
tem muito a sofrer para normalizar a situação frente à UE, e
“sobreviver” após 2013. Não será fácil, mas há necessidade de
mexer em muito o que não se faz há anos no país. Para eles, a
alteração na administração pública pode e deveria ser o começo.
Com ou sem ajuda de Bruxelas. |