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21/JUL/2006
Compra da
Varig
VarigLog oferece US$ 24 milhões e leva
Anac dá 30 dias para a empresa retomar
suas atividades regularmente. Vôos domésticos e internacionais da
Varig estão cancelados até dia 28, e a ponte Rio-São Paulo
triplica nesta semana.
Da redação, Vanessa Sene
Após seis meses de negociações e
agonia para cerca de 10 mil funcionários, finalmente a Varig foi
vendida, nesta quinta-feira, 20 de julho, por US$ 24 milhões
(cerca de R$ 52 milhões) para a VarigLog.
A empresa aérea mais antiga do Brasil, tendo na presidência
Marcelo Bottini, é detida agora pela Aéreo Transportes Aéreos,
empresa criada pela VarigLog, para assumir todos os ativos da
empresa, rotas nacionais e internacionais, as dívidas dos bilhetes
emitidos e do programa de milhagem Smiles.
De acordo com a Folha de S.Paulo, a Aéreo Transportes foi criada
para evitar quaisquer problemas com a VarigLog, caso esta seja
questionada na Justiça.
A compra foi garantida por carta de fiança (US$ 75 milhões),
entregue à Justiça. Ainda, já foi feito pela VarigLog um depósito
de US$ 6 milhões na conta da empresa, para o valor emergencial de
US$ 20 milhões, como garantia das operações aéreas da empresa até
o leilão.
A VarigLog, presidida por João Luis Bernes de Souza, ainda
descartou mais concorrentes no leilão, já que as chances são
“remotas” de outra empresa apresentar à Justiça um depósito para
concorrer com a empresa, o que se confirmou.
O presidente da Agencia Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton
Zuanazzi, afirmou que o término foi melhor do que a falência. “É a
solução que apareceu, é a boa solução. Muitas vezes o ótimo é
inimigo do bom”, disse.
Sobre os ex-funcionários, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma
Rousseff, afirmou que se trata de um “processo de desemprego
momentâneo”, e que a VarigLog deve recontratar os funcionários
demitidos, conforme for se recuperando no mercado.
A intenção teria sido prometida pela própria empresa. "Há o
compromisso da nova empresa no sentido de que toda a expansão dela
será preenchida com trabalhadores da Varig” afirmou Rousseff.
Para o juiz do processo de recuperação judicial da empresa, Luiz
Roberto Ayoub, o caso incomum foi problemático. “Por ser novo, é
lógico que nós juizes e o Ministério Público tivemos momentos de
dúvidas e de dificuldades, com discussão de numerosas horas apenas
em cima de um único inciso, para que pudesse ser aplicado de forma
correta” afirmou.
A empresa deve receber no total um valor de R$ 439 milhões,
incluindo a emissão de debêntures (títulos conversíveis em ações)
e a compra do passivo do Smiles e dos bilhetes emitidos, de acordo
com Correio do Brasil. Existe ainda a parte inerte de uma dívida
de quase R$ 8 bilhões, que não foi leiloada, e continua em
recuperação judicial.
Vôos da Varig
Os vôos entre Rio de Janeiro e São Paulo da Varig foram
triplicados. A empresa decidiu cancelar vôos domésticos e
internacionais durante uma semana.
Dentro da estratégia de recuperação da empresa, no próximo dia 28,
os vôos devem ser restabelecidos gradualmente. Por enquanto, a
ponte-aérea entre Rio-São Paulo aumentou de dez para 36, a partir
desta sexta-feira, 21 de julho.
A empresa esclareceu que todos os passageiros com reservas e
bilhetes emitidos para qualquer vôo serão realizados por outras
empresas aéreas. A medida é do Plano da Anac, em vigor desde 21 de
junho.
Anac
A Agencia Nacional de Aviação Civil (Anac) deu 30 dias para que a
Varig retome suas linhas. A informação é do presidente da agencia,
Milton Zuanazzi, após a compra da VarigLog.
Até então as rotas da companhia haviam sido “congeladas” por
decisão da Justiça. De acordo com a lei, qualquer empresa de
transportes aéreos deve devolver as rotas se não operá-las por
mais de 30 dias.
Em um mês, a VarigLog deve se constituir como concessionária de
serviço público. Durante o período, ela deve operar com concessão
da Varig.
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