O assessor especial do Ministério da
Educação, Carlos Alberto Ribeiro de Xavier, defendeu uma
cooperação maior entre Brasil e Portugal para a difusão da língua
portuguesa no mundo, cuja influência, na sua opinião, não
corresponde ao número de falantes. "Brasil e Portugal têm que
cooperar mais para que a língua portuguesa se expanda”, defendeu.
O governo português aprovou na última
quarta-feira uma nova estratégia para a promoção e divulgação da
língua portuguesa no mundo, com destaque para a criação de um
fundo que terá verba inicial de 30 milhões de euros, mas estará
aberto à contribuição de outros países.
A língua portuguesa é o tema da 7ª reunião
de cúpula da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP),
que se realiza em 24 e 25 de julho, em Lisboa, e é uma das
prioridades do mandato de Portugal à frente da organização, nos
próximos dois anos.
Ribeiro de Xavier defendeu à Agência Lusa
a cooperação e o intercâmbio entre brasileiros e portugueses nas
entidades de difusão cultural e do idioma, como no Instituto
Camões e no futuro Instituto Machado de Assis (IMA), que o Brasil
pretende criar.
A idéia de criar o Instituto Machado de
Assis remonta à década de 1980. O órgão teria como objetivo
formular e coordenar as políticas para a língua portuguesa no
Brasil e no mundo em quatro eixos: difusão e ensino, documentação,
pesquisa e políticas.
De acordo com Ribeiro de Xavier, existem
ainda algumas dificuldades a serem superadas, mas a criação do IMA
acontecerá em breve.
Na avaliação do assessor do ministro
Fernando Haddad, o momento atual é propício para a intensificação
de ações para difundir o português.
"Amadureceu a fruta. O momento atual, após
todas as ratificações do acordo ortográfico por Portugal, é uma
grande oportunidade para que os oito países da CPLP possam se
firmar", declarou.
Xavier disse que a cooperação entre Brasil
e Portugal no ensino do idioma nos Países Africanos de Língua
Oficial Portuguesa (Palop) e no Timor Leste sempre foi dificultada
pelo fato de o acordo não ter entrado em vigor.
Segundo o assessor, o Brasil já tem
intensificado a alfabetização de crianças em idade escolar,
promovido campanhas de educação de jovens e adultos e encorajado
empreendedores e editores para maior circulação da literatura dos
países lusófonos dentro da CPLP.
Com o Timor Leste, a cooperação do Brasil,
iniciada ainda no governo Fernando Henrique, manteve-se na
administração de Lula e o programa que mantém 50 professores
brasileiros formando docentes timorenses foi prorrogado até 2010.
Em relação aos Palop, a parceria foi
reforçada no governo atual, com iniciativas como a promoção de
cursos de formação técnica, programas de alfabetização de jovens e
adultos e a ajuda do Brasil para a criação de uma universidade
pública em Cabo Verde.
"Não se associavam projetos de Brasil e
Portugal, porque cada um tocava a sua seara. E eu acredito que
[com o acordo] a cooperação entre os dois países vai aumentar. A
alfabetização e a profissionalização vão crescer muito na África",
afirmou Xavier.
"Podemos utilizar, por exemplo, a grande
rede de educação à distância que Portugal já disponibiliza para a
África e que o Brasil não tem", acrescentou.
Carlos Alberto Xavier defendeu ainda que
Brasil e Portugal devem "acertar de uma vez por todas as arestas"
em relação à equivalência de títulos e diplomas de língua
portuguesa.
"Portugal já avançou muito nesse sentido
com o Instituto Camões. Já o Brasil, oferece para o ensino do
português no estrangeiro apenas dois certificados do CELPE-Bras
[Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para
Estrangeiros] e está muito aquém do que deve ser. Deveríamos ter
vários níveis, como em Portugal", afirmou.
Na sua opinião, diplomatas brasileiros e
portugueses devem entrar em campo agora para "tirar da gaveta" uma
série de acordos e entendimentos que estão guardados.
Os projetos incluem a criação de uma
comissão de equivalência de diplomas e de comissões
interuniversitárias para intercâmbio de professores e alunos do
ensino superior, além de um convênio entre o Instituto Camões e o
Departamento Cultural do Itamaraty.
Outro ponto importante na difusão do
português destacado por Xavier é a adoção do idioma por organismos
internacionais, o que será facilitado pela existência de uma
grafia comum da língua portuguesa.
"Este será um grande trunfo para o
português circular mais no mundo", sublinhou o assessor especial
do ministro, apostando também em um maior intercâmbio entre os
países lusófonos em outros campos da cultura, como na música, no
cinema e nas artes plásticas.
Carlos Alberto Xavier citou ainda Antônio
Houaiss - professor, diplomata, filólogo, lexicógrafo e ensaísta
brasileiro -, que dizia que, para povos como os índios do Brasil e
comunidades tradicionais de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, "a
língua portuguesa é uma necessidade absoluta".
"É preciso que a língua portuguesa seja o
veículo para a transmissão dessas identidades e dessas culturas”,
disse o assessor de ministro da Educação.
"O mar só é grande porque teve a sabedoria
de se colocar um nível abaixo de todos os rios e, assim, recebe
água de todos eles. O mar da língua portuguesa deve levar,
portanto, todas essas identidades e culturas sem desqualificá-las
e sem homogeneizá-las", concluiu.