O Conselho de Ministros de Portugal
aprovou em 16 de julho uma nova estratégia para a promoção e
divulgação da língua portuguesa, que envolve a criação de um fundo
de desenvolvimento nesta área. A estratégia visa o reconhecimento
e promoção da língua portuguesa, a sua promoção como instrumento
fundamental de educação, formação e capacitação institucional, no
âmbito da cooperação para o desenvolvimento, e instrumento de
internacionalização econômica, de divulgação cultural e de ligação
às Comunidades Portuguesas.
A nova política inclui a criação de um
fundo de desenvolvimento, de uma Comissão Interministerial com o
objetivo de desenvolver um Plano de Ação de valorização do
patrimônio cultural de origem portuguesa e um diploma que aprova
as alterações ao Instituto Internacional de Língua Portuguesa.
Aporte de R$ 75,7 milhões
O fundo para a promoção do idioma no exterior conta com um
montante inicial de 30 milhões de euros (R$ 75,76 milhões), que
estará aberto à participação e contribuição de todos os países,
anunciou o ministro português da Cultura. “O fundo vai ser aberto
para que outros países possam participar e contribuir”, disse José
António Pinto Ribeiro em conferência de imprensa.
O fundo “será dotado à medida das
necessidades” dos projetos de promoção do idioma, segundo o
ministro português. Por sua vez, o ministro das Relações
Exteriores, Luís Amado, revelou que na ampliação das redes de
ensino da língua portuguesa serão colocados até 600 professores
nos países lusófonos “ao longo dos próximos dois anos”.
Mais de 240 milhões de falantes do idioma
no mundo justificam a aposta do governo português na promoção e
difusão da língua portuguesa no exterior. Distribuída pelos cinco
continentes, esta é a terceira mais falada nos continentes
africano e europeu. Além da população residente em cada um dos
oito países que a têm como idioma oficial - Angola (12,5 milhões
de habitantes), Brasil (191,9 milhões), Cabo Verde (427 mil),
Guiné-Bissau (1,5 milhões), Moçambique (21,2 milhões), Portugal
(10,6 milhões), São Tomé e Príncipe (206 mil) e Timor Leste (1,1
milhões) - mais de 5 milhões de pessoas constituem as comunidades
portuguesas espalhadas pelo mundo.
Estudo econômico da língua
O secretariado da Conferência Ibero-americana vai providenciar, a
pedido do governo português, um estudo para avaliar o valor
econômico da língua portuguesa. Segundo o ministro luso da
Cultura, o trabalho deverá ser ampliado a todos os membros da CPLP.
“A metodologia já nos foi comunicada”, afirmou Pinto Ribeiro,
destacando tratar-se de “metodologia semelhante a uma que se pediu
para fazer um estudo para a língua castelhana”.
Acordo Ortográfico
Para o ministro português da Cultura, a promulgação do acordo
ortográfico pelo presidente de Portugal é um "estímulo" para uma
política coordenada para a língua portuguesa. “Acho que é
altamente significativo e só pode ser um estímulo para que nos
coordenemos todos em torno de uma política da língua”, disse
António Pinto Ribeiro à Agência Lusa.
A promulgação do acordo ortográfico pelo
presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, em 21 de julho,
acontece às vésperas da reunião de cúpula da CPLP dias 24 e 25 em
Lisboa, que tem o idioma comum como tema central.
Pinto Ribeiro explicou que, só depois de
depositados todos os documentos de ratificação junto ao Ministério
das Relações Exteriores de Portugal, o acordo ortográfico entrará
em vigor no país, não adiantando nenhuma data para isso ocorrer.
Além de Portugal, o acordo que unifica a grafia da língua
portuguesa já foi ratificado por Brasil, Cabo-Verde e São Tomé e
Príncipe.