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Segunda-feira | 16 JUN 08

Desenvolvimento da sociedade portuguesa
José Saramago diz que grande problema de Portugal é a "mediocridade"

"Verifico com pena que continuamos com pouca ousadia", disse o escritor português em Lisboa, numa entrevista ao jornal "Público" e à Rádio Renascença.

Da Redação
Portugal Digital

O escritor português José Saramago, vencedor de um Prémio Nobel da Literatura, renovou as suas críticas ao desenvolvimento da sociedade portuguesa, indicando que "o grande problema nacional é a mediocridade e a resignação à mediocridade".

"Verifico com pena que continuamos com pouca ousadia no que se refere a projectos e à sua realização. Comparo o nosso país com uma pessoa que está na borda do passeio à espera que alguém a ajude a atravessar para o outro lado. Estamos sempre à espera de alguém que venha salvar a pátria", disse Saramago em entrevista ao jornal "Público" e à Rádio Renascença.

O escritor, que está a recuperar de uma pneumonia, disse ainda que "o cidadão médio tem uma preguiça enorme em riscar as opiniões que não sejam aquelas que se trocam por miúdos ao longo do dia". E sobre os problemas graves do mundo Saramago também foi directo. "Não vejo a participação dos portugueses nos debates de todas essas coisas", afirmou.

José Saramago também comentou a 'gaffe' do Presidente da República, Cavaco Silva, quando este no Dia de Portugal (10 de Junho) disse aos jornalistas estar a celebrar o "dia da raça", expressão utilizada durante a ditadura de Oliveira Salazar, antes de 1974. "Se ele disse dia da raça é porque pensa efetivamente que deveria chamar-se assim, embora não ouse fazer essa proposta", afirmou Saramago. Questionado sobre se esse deslize merecia um pedido de desculpa ao país, o escritor respondeu que "os políticos dificilmente pedem desculpa às pessoas a quem de alguma maneira ofenderam".

Saramago, que tem vivido em Espanha, estará em Lisboa até meados de julho, escrevendo diariamente o seu próximo romance, "A Viagem do Elefante", que deverá estar concluído em agosto. Sobre a evolução do seu estilo literário, o escritor português admite que "a idade tem uma influência grande". "Não é agora, aos 85 anos, que eu poderia lançar-me a escrever o 'Memorial do Convento' ou o 'Evangelho segundo Jesus Cristo'. Porque olho para o calendário e pergunto: ainda estarei vivo daqui por um ano?", explicou Saramago.

 

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