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Mario Cruz/Lusa
Portugal

>> Vasco Graça Moura entrega as assinaturas
recolhidas contra o Acordo Ortográfico ao Presidente da
Assembléia da República, Jaime Gama, Lisboa 8 de maio de 2008. |
O Parlamento português aprovou o segundo
protocolo modificativo do Acordo Ortográfico, que permite a
entrada em vigor do documento com a ratificação de apenas três
países, e abre a possibilidade de adesão do Timor Leste.
Recebendo a notícia com satisfação, o
ministro brasileiro da Educação, Fernando Haddad, disse que o
Brasil quer acertar com Portugal um cronograma de implantação das
medidas estabelecidas no acordo.
O ministro apresentará a proposta
elaborada pela Comissão para Definição da Política de
Ensino-Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa (COLIP),
que prevê o início da reforma no Brasil a partir de janeiro de
2009, com prazo de transição de três anos para total adaptação no
país.
De acordo com o assessor especial do
Ministério de Educação (MEC), Carlos Alberto Xavier, somente a
partir de 2012 os alunos do ensino fundamental e médio terão
acesso aos livros escolares reformados. “Até janeiro de 2012 todos
os vestibulares, concursos públicos e atividades escolares irão
aceitar as duas normas para que a população se acostume com as 2
bases do acordo”.
No Brasil, os livros do Ensino Médio de
2009 não possuem as alterações ortográficas e valerão até 2012.
Para as séries finais do Ensino Fundamental (5° a 8° série), em
2010, será feita nova compra dos livros já com a reforma.
Mas os livros para as séries iniciais (de
1ª a 4ª série) permanecem como estão até 2012. Segundo o MEC, as
mudanças não seriam positivas para crianças em processo inicial de
alfabetização, ja que a "convivência com os dois livros poderia
confundir". Para crianças de 5 a 8 anos deverá ser um período de
transição produtivo.
Protocolo aprovado
Na sexta-feira, 16 de maio, o Parlamento português aprovou o
segundo protocolo modificativo. O que esteve em discussão no
parlamento não era o conteúdo do acordo, já ratificado em
Portugal, mas apenas o protocolo.
“O português é a única das quatro línguas
de relações internacionais que não têm um código ortográfico
comum”, disse a deputada Teresa Portugal, do Partido Socialista
(PS). Para Rui Gomes da Silva, do PSD, o acordo é importante como
patrimônio e por “facilitar as relações entre os países
lusófonos”. O Bloco de Esquerda também votou a favor do acordo
que, segundo o deputado Luís Fazenda, coloca em questão apenas a
uniformização da grafia, e não da sintaxe e do vocabulário.
O Centro Democrático Social - Partido
Popular (CDS-PP) deu liberdade de voto à sua bancada. O deputado
Mota Soares demonstrou apoio à resolução, defendendo que “a
soberania portuguesa não é dona da língua portuguesa”, enquanto
Nuno Melo afirmou que “a língua não se negocia como o petróleo”.
Já o Partido Comunista Português (PCP) se absteve, alegando por
meio do deputado João Oliveira que a resolução modificativa “não
pode ser desligada do conteúdo material do acordo ortográfico”.
Na apresentação da resolução, o ministro
português da Cultura defendeu “a unificação da grafia do
português, já que há tendências para se aprofundarem as
diferenças” e disse que o acordo vai “facilitar o uso do português
por pessoas de graus de erudição diversos” disse José António
Pinto Ribeiro. O ministro português está confiante na
implementação do novo Acordo Ortográfico e salientou a necessidade
de uniformização da grafia como “essencial” à internacionalização
da língua portuguesa.
Manifesto contra
Um manifesto online contra o acordo ortográfico, iniciado em 2 de
maio, reuniu mais de 33 mil assinaturas, e foi entregue ao
presidente da Assembléia da República nesta mesma sexta-feira.
Foram entregues também pareceres
demonstrando as “fragilidades técnicas, científicas e políticas do
acordo” e uma lista de 154 personalidades dos meios acadêmico,
cultural e artístico que assinaram a petição. Segundo o texto, a
reforma ortográfica tem “inúmeras imprecisões, erros e
ambigüidades”, classificando a proposta de “mal concebida”, “sem
critério de rigor”, desnecessária e perniciosa.
Com Lusa