Entre os dias 22 e 23 de abril, o Memorial
da América Latina em São Paulo sediou o Colóquio Internacional
"400 anos de Pe. Antônio Vieira, Imperador da Língua Portuguesa".
As comemorações estenderam-se para dia 24 em colóquio na Casa de
Portugal de São Paulo em conjunto com o Encontro Cultural de
Língua Portuguesa, e dia 26, marcado pela apresentação do Coral
Baccarelli no Salão Nobre do Hospital Beneficência Portuguesa São
Paulo.
Aberto pelo presidente do Memorial,
Fernando Leça, o colóquio contou com especialistas brasileiros e
portugueses, como o advogado e professor Dr. Ives Gandra Martins e
o escritor Antonio Machado. Para tanto, os conferencistas
abordaram a vida e obra do padre sob diversas perspectivas, entre
outros temas como lusofonia, Fernando Pessoa e José Saramago, e a
vinda corte portuguesa ao Brasil.
Entre os participantes, esteviveram os
professores Tereza Rita Lopes, da Universidade Nova de Lisboa,
Carlos Carranca, da Escola Superior de Teatro - Portugal, e
historiador Hernâni Donato, além do coordenador acadêmico do
evento João Alves das Neves, presidente do Centro de Estudos
Fernando Pessoa.
O professor Neves destacou a importância e
a influência do jesuíta na formação e no estilo de grandes
escritores da língua portuguesa ao longo do tempo. O próprio
Fernando Pessoa, por exemplo, considerava Vieira o “imperador da
língua portuguesa”.
A professora Regina Anacleto, da
Universidade de Coimbra, apresentou a palestra “A Arte no Tempo de
Vieira”, discorrendo sobre a criação dos primeiros colégios
jesuítas e franciscanos em Portugal e no Brasil. Segundo ela, a
arquitetura e a arte portuguesa no tempo de Vieira estava a meio
caminho entre o Renascimento e o Barroco.
Um dos destaques da noite foi a
apresentação do grupo A Quatro Vozes. Com percussão e cordas, o
grupo executou repertório indo de “Kuenda”, composição do séc.
XVII, época de Vieira, à “Cantiga do Pastor” do grupo
contemporâneo português Madredeus, passando por “Araruna”, tema
indígena recolhido por Marlui Miranda, “Vila Rica”, composição de
Lula Barbosa que alude à barroca Minas Gerais, e terminando com
“Planeta Sonho” de Cláudio Venturini.
Imperador da Língua
Para relembrar o escritor português e sua obra nos seus 400 anos,
diversos eventos estão sendo promovidos durante este ano em
algumas capitais brasileiras. Nascido em Lisboa em 6 de fevereiro
de 1608, o padre Antônio Vieira veio para o Brasil aos seis anos,
onde estudou e missionou durante a maior parte da sua vida;
escreveu cerca de 200 sermões e mais de 500 cartas.
Destacou-se, não somente como literato,
mas no campo da política e economia. Defendeu o direito dos
“cristãos-novos” (judeus que eram obrigados a adotar a religião
católica para fugir da inquisição) de permanecer em terras
portuguesas numa época marcada pela intolerância. Era também
contra a escravização indígena.
Fernando Pessoa refere-se a ele em seu
livro “Mensagem” como o “Imperador da Língua Portuguesa”. Sua obra
tem como característica marcante jogo de conceitos por meio do uso
do raciocínio lógico e da retórica aprimorada. Padre Antônio
Vieira morreu aos 89 anos, na Bahia.
Presenças
Os eventos contaram ainda com Raul Francisco Moura, escritor e
museólogo no Rio, Carlos Francisco Moura, escritor e arquiteto da
Real Gabinete Português de Leitura, e professores José Eduardo
Franco, da Universidade Lusófona - Lisboa, Maria Beatriz
Rocha-Trindade, da Universidade Aberta de Lisboa, e Teodoro
Koracakis, da Universidade Estadual do Rio, escritoras Rita de
Cássia Alves e Dalila Teles Veras, e pesquisador Teodoro Antunes
Mendes Tamen.
Outros nomes participantes foram
professores Paulo de Assunção (USJT/ Unifai/ Inicapital e FAENAC),
Beatriz Alcântara (Universidade Estadual do Ceará), Odete da
Conceição Dias (Universidade Ibirapuera), Márcia Arruda Franco,
Flavio Vichinski, Anísio Justino da Silva Filho, Vera Helena
Amatti, Luiz Antônio Lindo, Cristiane Prando Martini Simeoni e
Eduardo Navarro (da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas da USP).
O evento teve apoio Fundação Calouste
Gulbenkian, Biblioteca Nacional de Portugal, Real Associação
Portuguesa de Beneficência, Numatur Turismo e Banco Banif,
Secretaria de Estado da Cultura.