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Quinta-feira | 24 ABR 08

Colonização exaltada na USP
Historiadora preocupada com integridade luso-brasileira

Em volta das comemorações dos 200 Anos, existe uma preocupação quanto a integridade luso-brasileira, com tentativas de ridicularizar e desprestigiar as raízes culturais. Para a presidente do IHGSP, "farsas pseudo-históricas" são divulgadas, deformando a história.

Por Vanessa Sene,
Do Jornal Mundo Lusíada

Divulgação

Os 200 Anos da vinda da Família Real para o Brasil também foram comemorados pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no último 26 de março. A conferência contou com cerca de 800 convidados, segundo a organização, entre as presenças de Dom Luiz de Orleans e Bragança (sucessor de D. Pedro II), e o Cônsul de Portugal, Guilherme Queiroz de Ataíde.

Durante o evento, a presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Nelly Martins Ferreira Candeias, citou valores e significados da biografia do país, dizendo que "aqueles que não fizeram ou não viveram a história, injustamente o minimizam com afirmações frívolas, quando não absolutamente falsas".

Segundo ela, o momento histórico agora comemorado trata-se da contribuição para a "definitiva derrota de Napoleão na Europa e nas Américas e para o surgimento de uma pátria poderosa de dimensão continental", traduzindo a viagem da família real como um projeto há muito estudado na corte lisboeta, que alterou o rumo das nações.

Para ela, em volta das comemorações existe hoje uma preocupação quanto a integridade da cultura luso-brasileira, com tentativas de ridicularizar e desprestigiar estas raízes culturais. Citando "farsas pseudo-históricas" amplamente divulgadas no cenário globalizado da mídia, Nelly Candeias exemplificou com "novelas romanceadas, que deformam a história, fazendo prevalecer o burlesco dos relatos, sem interpretar o verdadeiro sentido de sociedade que o século XIX buscava".

Os brasileiros, na sua visão, enfrentam uma "campanha maliciosamente" contra os valores, presente até mesmo nos livros escolares dos jovens. Referindo-se como a data áurea no calendário da educação no Brasil, em seu discurso a presidente citou feitos de D. João depois de chegar ao país, como a abertura dos portos e fundação das Faculdades de Medicina da Bahia e Rio de Janeiro. O evento, de acordo com Candeias, salienta a cronologia da história daqueles que "descobriram, conquistaram, defenderam e transformaram um território colonial adolescente em Reino Unido” sacrificando até mesmo “suas próprias vidas” e descendentes.

Durante a conferência, foi outorgado o colar dos 200 anos da vinda da Família Real para o Brasil. O medalhão contém a esfera armilar, instrumento de astronomia usado nas grandes navegações e que representa a expansão marítima dos portugueses. "Historiadores e geógrafos que dedicaram suas vidas à memória da nação, professores que defenderam os valores que nos mantêm unidos, são exemplos de inteligência, de conhecimento científico, de bondade e de esclarecida visão" defendeu.

O colar comemorativo, criado pelo IHGSP e por decreto do Governador Serra, foi outorgado a Dom Luiz de Orleans e Bragança; Dom Marcus de Noronha da Costa, descendente de Dom João VI; Daniel Serrão (Irmandade de Nossa Senhora da Lapa, de Portugal); prof. João Grandino Rodas (diretor da Faculdade de Direito); e ainda o acadêmico Hernani Donato, Eduardo Conde, Maria Amélia Souza Aranha, Lauro Ribeiro Escobar, além da presidente Nelly Candeias.

O Instituto
Criado em 1894 no mesmo salão nobre, local de realização do evento, o instituto tem muito em comum com a faculdade. Ambos estão “localizados na colina de Inhapuambuçu, chão de Tibiriçá na Piratininga quinhentista, a alguns passos do Páteo do Collegio, cujos valores missionários moldaram os primórdios desta Nação” de acordo com a presidente do IHGSP.

A USP foi criada em janeiro de 1934, pelo governador Armando de Salles Oliveira, também membro do IHGSP. "Para a própria faculdade que nos hospeda, este é um momento de histórica e grata recordação" afirmou agradecida.

"Dom João VI construiu a identidade do Brasil e garantiu a unidade da nação, tornando-a para sempre uma herança do heróico povo luso, sabiamente orientado por 'aqueles Reis que foram dilatando a Fé e o Império', como registrou Camões no seu imortal poema", disse a presidente. "A obra portuguesa de descobrimento e de colonização fez-se com todos esses elementos - os de inteligência e os de ação, os de aventura e os de rotina, os de ciência e os de arte, os capazes de viver".

Ao Mundo Lusíada, a presidente do instituto, defensora da memória luso-brasileira, afirmou que no próximo mês de setembro haverá outra grande comemoração coordenada pelo IHGSP e pela marinha brasileira, também inserida nas comemorações dos 200 anos. Na ocasião, deverão ser abordados temas relacionados à travessia do Atlântico.

 

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