Os 200 Anos da vinda da Família Real para
o Brasil também foram comemorados pelo Instituto Histórico e
Geográfico de São Paulo, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da
Universidade de São Paulo (USP), no último 26 de março. A
conferência contou com cerca de 800 convidados, segundo a
organização, entre as presenças de Dom Luiz de Orleans e Bragança
(sucessor de D. Pedro II), e o Cônsul de Portugal, Guilherme
Queiroz de Ataíde.
Durante o evento, a presidente do
Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Nelly Martins
Ferreira Candeias, citou valores e significados da biografia do
país, dizendo que "aqueles que não fizeram ou não viveram a
história, injustamente o minimizam com afirmações frívolas, quando
não absolutamente falsas".
Segundo ela, o momento histórico agora
comemorado trata-se da contribuição para a "definitiva derrota de
Napoleão na Europa e nas Américas e para o surgimento de uma
pátria poderosa de dimensão continental", traduzindo a viagem da
família real como um projeto há muito estudado na corte lisboeta,
que alterou o rumo das nações.
Para ela, em volta das comemorações existe
hoje uma preocupação quanto a integridade da cultura
luso-brasileira, com tentativas de ridicularizar e desprestigiar
estas raízes culturais. Citando "farsas pseudo-históricas"
amplamente divulgadas no cenário globalizado da mídia, Nelly
Candeias exemplificou com "novelas romanceadas, que deformam a
história, fazendo prevalecer o burlesco dos relatos, sem
interpretar o verdadeiro sentido de sociedade que o século XIX
buscava".
Os brasileiros, na sua visão, enfrentam
uma "campanha maliciosamente" contra os valores, presente até
mesmo nos livros escolares dos jovens. Referindo-se como a data
áurea no calendário da educação no Brasil, em seu discurso a
presidente citou feitos de D. João depois de chegar ao país, como
a abertura dos portos e fundação das Faculdades de Medicina da
Bahia e Rio de Janeiro. O evento, de acordo com Candeias, salienta
a cronologia da história daqueles que "descobriram, conquistaram,
defenderam e transformaram um território colonial adolescente em
Reino Unido” sacrificando até mesmo “suas próprias vidas” e
descendentes.
Durante a conferência, foi outorgado o
colar dos 200 anos da vinda da Família Real para o Brasil. O
medalhão contém a esfera armilar, instrumento de astronomia usado
nas grandes navegações e que representa a expansão marítima dos
portugueses. "Historiadores e geógrafos que dedicaram suas vidas à
memória da nação, professores que defenderam os valores que nos
mantêm unidos, são exemplos de inteligência, de conhecimento
científico, de bondade e de esclarecida visão" defendeu.
O colar comemorativo, criado pelo IHGSP e
por decreto do Governador Serra, foi outorgado a Dom Luiz de
Orleans e Bragança; Dom Marcus de Noronha da Costa, descendente de
Dom João VI; Daniel Serrão (Irmandade de Nossa Senhora da Lapa, de
Portugal); prof. João Grandino Rodas (diretor da Faculdade de
Direito); e ainda o acadêmico Hernani Donato, Eduardo Conde, Maria
Amélia Souza Aranha, Lauro Ribeiro Escobar, além da presidente
Nelly Candeias.
O Instituto
Criado em 1894 no mesmo salão nobre, local de realização do
evento, o instituto tem muito em comum com a faculdade. Ambos
estão “localizados na colina de Inhapuambuçu, chão de Tibiriçá na
Piratininga quinhentista, a alguns passos do Páteo do Collegio,
cujos valores missionários moldaram os primórdios desta Nação” de
acordo com a presidente do IHGSP.
A USP foi criada em janeiro de 1934, pelo
governador Armando de Salles Oliveira, também membro do IHGSP.
"Para a própria faculdade que nos hospeda, este é um momento de
histórica e grata recordação" afirmou agradecida.
"Dom João VI construiu a identidade do
Brasil e garantiu a unidade da nação, tornando-a para sempre uma
herança do heróico povo luso, sabiamente orientado por 'aqueles
Reis que foram dilatando a Fé e o Império', como registrou Camões
no seu imortal poema", disse a presidente. "A obra portuguesa de
descobrimento e de colonização fez-se com todos esses elementos -
os de inteligência e os de ação, os de aventura e os de rotina, os
de ciência e os de arte, os capazes de viver".
Ao Mundo Lusíada, a presidente do
instituto, defensora da memória luso-brasileira, afirmou que no
próximo mês de setembro haverá outra grande comemoração coordenada
pelo IHGSP e pela marinha brasileira, também inserida nas
comemorações dos 200 anos. Na ocasião, deverão ser abordados temas
relacionados à travessia do Atlântico.