A parceria Som Livre/Valentim de Carvalho
editou uma caixa de quatro CDs com 56 fados de sucesso de Amália
Rodrigues, numa edição especial no Natal passado. A caixa é
acompanhada de várias fotos da fadista, falecida em 6 de outubro
de 1999, além das letras de cada um dos fados e textos
explicativos.
Desde os seus temas mais antigos como "Carmencita"
(Frederico de Brito/Pedro Rodrigues) a temas que foram recuperados
mais tarde como "Medo" (Reinaldo Ferreira/Alain Oulman), passando
por temas tão conhecidos como "Caracóis" (Popular).
Todos os 56 fados são anotados por Jorge
Mourinha que os contextualiza na época e no percurso artístico de
Amália Rodrigues, além de serem referenciadas as datas de
gravação, os acompanhantes e técnico de som, sempre que possível.
Referindo-se, por exemplo a "Casa
portuguesa" (Reinaldo Ferreira/Gustavo de Matos Sequeira/Artur
Fonseca), Mourinha afirma que foi "um dos temas mais queridos do
público".
A caixa registra a gravação feita em 1953
tendo Amália no espaço de dois anos realizado três gravações para
várias afiliadas do grupo EMI. Nesta gravação Amália é acompanhada
por Jaime Santos (guitarra portuguesa) e Santos Moreira (viola).
As gravações mais antigas datam de 1952,
entre elas "Foi Deus" (Alberto Janes) e a mais recente de 1985,
"Há festa na Mouraria" (Gabriel de Oliveira/Alfredo Marceneiro),
mas todas as décadas da sua carreira de mais de 50 anos estão
assinaladas.
A caixa inclui algumas gravações de Amália
no estúdio de Abbey Road ("Malmequer pequenino" (Ricardo Borges de
Sousa) ou no da Costa do Castelo ("Povo que lavas no rio", Pedro
Homem de Mello/Joaquim Campos) ou ainda atuações ao vivo no
Olympia e no Bobbino em Paris ("Amália", José Galhardo/Frederico
Valério).
Os fados percorrem todos os músicos com
que Amália cantou desde Raul Nery a Jorge Fernando, passando por
Santos Moreira, Domingos Camarinha, Fontes Rocha, Carlos
Gonçalves, Castro Moura ou Pedro Leal.
Quanto aos poetas, a caixa inclui fados de
Luís de Camões ("Dura memória"), Alexandre O'Neil ("Gaivota") ou
David Mourão-Ferreira ("Libertação/Fado Penhiche"), entre outros,
principalmente de sua autoria como "Estranha forma de vida" e
"Lágrima".
A Som Livre já planejava editar um álbum
de inéditos da fadista até final do ano passado. "Há ainda um
outro álbum inédito de Amália e muitos temas que não conheceram a
luz do dia. Como se sabe, Amália gostava de gravar e gravou muito,
por isso ainda há muitas coisas suas desconhecidas e que estão
agora a ser encontradas", disse à Lusa José Serrão, diretor-geral
da Som Livre.
Amália Rodrigues foi das primeiras
artistas a internacionalizar a música portuguesa tendo sido
aplaudida nos diferentes continentes. O editor David Ferreira
disse à Lusa que "os portugueses ainda hoje não têm a percepção da
grandeza da sua carreira internacional".
Entre as várias distinções que recebeu
como o Diapasão de Ouro para a Melhor cantora Ligeira da Mundo, a
criadora de "Primavera" (David Mourão-Ferreira/Pedro Rodrigues)
foi distinguida três vezes com o Prêmio MIDEM.
Amália Rodrigues morreu repentinamente aos
79 anos no dia 6 de outubro de 1999 na sua casa em Lisboa.