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Quarta-feira | 16 JAN 08

Música Portuguesa
Gravadoras editaram especial fados de Amália Rodrigues

Da Agencia Lusa

A parceria Som Livre/Valentim de Carvalho editou uma caixa de quatro CDs com 56 fados de sucesso de Amália Rodrigues, numa edição especial no Natal passado. A caixa é acompanhada de várias fotos da fadista, falecida em 6 de outubro de 1999, além das letras de cada um dos fados e textos explicativos.

Desde os seus temas mais antigos como "Carmencita" (Frederico de Brito/Pedro Rodrigues) a temas que foram recuperados mais tarde como "Medo" (Reinaldo Ferreira/Alain Oulman), passando por temas tão conhecidos como "Caracóis" (Popular).

Todos os 56 fados são anotados por Jorge Mourinha que os contextualiza na época e no percurso artístico de Amália Rodrigues, além de serem referenciadas as datas de gravação, os acompanhantes e técnico de som, sempre que possível.

Referindo-se, por exemplo a "Casa portuguesa" (Reinaldo Ferreira/Gustavo de Matos Sequeira/Artur Fonseca), Mourinha afirma que foi "um dos temas mais queridos do público".

A caixa registra a gravação feita em 1953 tendo Amália no espaço de dois anos realizado três gravações para várias afiliadas do grupo EMI. Nesta gravação Amália é acompanhada por Jaime Santos (guitarra portuguesa) e Santos Moreira (viola).

As gravações mais antigas datam de 1952, entre elas "Foi Deus" (Alberto Janes) e a mais recente de 1985, "Há festa na Mouraria" (Gabriel de Oliveira/Alfredo Marceneiro), mas todas as décadas da sua carreira de mais de 50 anos estão assinaladas.

A caixa inclui algumas gravações de Amália no estúdio de Abbey Road ("Malmequer pequenino" (Ricardo Borges de Sousa) ou no da Costa do Castelo ("Povo que lavas no rio", Pedro Homem de Mello/Joaquim Campos) ou ainda atuações ao vivo no Olympia e no Bobbino em Paris ("Amália", José Galhardo/Frederico Valério).

Os fados percorrem todos os músicos com que Amália cantou desde Raul Nery a Jorge Fernando, passando por Santos Moreira, Domingos Camarinha, Fontes Rocha, Carlos Gonçalves, Castro Moura ou Pedro Leal.

Quanto aos poetas, a caixa inclui fados de Luís de Camões ("Dura memória"), Alexandre O'Neil ("Gaivota") ou David Mourão-Ferreira ("Libertação/Fado Penhiche"), entre outros, principalmente de sua autoria como "Estranha forma de vida" e "Lágrima".

A Som Livre já planejava editar um álbum de inéditos da fadista até final do ano passado. "Há ainda um outro álbum inédito de Amália e muitos temas que não conheceram a luz do dia. Como se sabe, Amália gostava de gravar e gravou muito, por isso ainda há muitas coisas suas desconhecidas e que estão agora a ser encontradas", disse à Lusa José Serrão, diretor-geral da Som Livre.

Amália Rodrigues foi das primeiras artistas a internacionalizar a música portuguesa tendo sido aplaudida nos diferentes continentes. O editor David Ferreira disse à Lusa que "os portugueses ainda hoje não têm a percepção da grandeza da sua carreira internacional".

Entre as várias distinções que recebeu como o Diapasão de Ouro para a Melhor cantora Ligeira da Mundo, a criadora de "Primavera" (David Mourão-Ferreira/Pedro Rodrigues) foi distinguida três vezes com o Prêmio MIDEM.

Amália Rodrigues morreu repentinamente aos 79 anos no dia 6 de outubro de 1999 na sua casa em Lisboa.

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