MUNDO cultura
 

01/DEZ/2007

 

Colóquio analisa Brasil e Portugal na época do “redescobrimento”

 

Mundo Lusíada

José Sena Goulão/Lusa

Cerimónia militar evocativa do bicentenário da partida da Família Real para o Brasil, junto à Torre de Belém, 24 Novembro 2007, em Lisboa.

Em 26 de novembro, o Colóquio “1808 – O Segundo Descobrimento do Brasil”, reuniu especialistas brasileiros e portugueses na Fundação Memorial da América Latina, em São Paulo, para analisar a transformação do Brasil em Estado e a mudança de vida da corte portuguesa a partir do ano de 1808.

Coordenado pelo professor Titular do Mackenzie e pesquisador de Direito FGV, Carlos Guilherme Mota, e pelo professor da Universidade Nova de Lisboa, Antonio Pedro Vicente, o seminário abordou personagens, aspectos políticos e internacionais, culturas e ambientes da época em que D. João VI e sua corte se deslocou ao Brasil.

Segundo Vicente, a transferência da corte portuguesa, num total estimado de cerca de 10 mil pessoas, criou as bases do atual Estado Brasileiro. Com a família real na colônia, foram surgindo faculdades e bancos, integrando-se as capitanias, e importando diversos itens depois da abertura dos Portos. Até a importação de plantas diversas, como as orientais e a conhecida palmeira imperial foi feita por D. João. Segundo a Dra. Maria Elena Vieira, ele era amante da vegetação, e mandou trazer ao Brasil diversas plantas para compor o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde plantou ele próprio a primeira muda de palmeira imperial.

Entre os participantes, Laurentino Gomes, o autor de “1808”, defendeu a figura de D. João VI, dizendo que não se deve confundir seu “caráter pessoal com a corte portuguesa”. Sobre a fuga ao Brasil, diz que “se tivesse disponibilidade, D. João poderia enfrentar os soldados franceses com ajuda dos ingleses”, comentou descrevendo os soldados “capengas” de Napoleão na chegada à Lisboa depois da cansativa viagem, com objetivo de destronar o rei de Portugal.

Além da presença do presidente do Memorial, Fernando Leça, participaram do evento ainda a pesquisadora portuguesa Ana Vicente, o Dr. Eugenio dos Santos, professor Titular da Universidade do Porto, Dr. Nestor Goulart Reis, professor Catedrático da FAU-USP, Dalmo de Abreu Dallari, jurista, professor titular e ex-diretor da Faculdade Direito da USP, entre outros.

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