Em entrevista ao Mundo Lusíada, o Secretario Executivo da CPLP
(Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), afirmou que o novo
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa trata-se de um processo
gradual e não instantâneo, mas que depende da boa vontade dos
países-membros.
"A repercussão das alterações constantes do Acordo no Português
escrito dependem, em primeira linha, da natural vontade dos
Estados em que seja um esforço concertado entre os países membros
da CPLP. Tal leva ao 'compasso de espera' em que nos encontramos"
disse o SE ao Mundo Lusíada.
Sobre a dificuldade no ensino da Língua Portuguesa em diversos
países, o SE defende que o idioma está "de boa saúde e o número de
lusófonos e de grafia portuguesa está a crescer rapidamente no
espaço da CPLP e no mundo".
"As atividades do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP)
intensificam-se tendo por objetivos a planificação e execução de
programas de promoção, defesa, enriquecimento e difusão da Língua
Portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso
ao conhecimento".
De acordo com ele, o IILP tenta inserir o idioma como língua
oficial e de trabalho em organizações internacionais. O que vem
acontecendo atualmente, nomeadamente na União Européia (UE) e
Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEIA), como também UA
(União Africana), CEDEAO (Comunidade Econômica dos Estados da
África Ocidental) e SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África
Austral), na UNESCO, em organizações como a FAO e OMS, entre
outros.
"A entrada em vigor do Acordo Ortográfico em todos os
Estados-membros da CPLP, unificando a Língua escrita, vai
facilitar o processo de circulação de informação. Senão, vejamos,
a existência de dupla grafia limita a dinâmica do idioma e as
diferenças criam obstáculos, maiores ou menores, em todos os
incontáveis planos em que a forma escrita é utilizada" defende."A
dupla grafia dificulta a partilha de conteúdos, no plano
internacional, limita a capacidade de afirmação do idioma,
provocando, por exemplo, traduções quer literárias quer técnicas
diferentes para Portugal e Brasil".
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa completou 11 anos de
atividade neste ano, e vem marcando presença em diversos órgãos
internacionais na representação aos países de língua portuguesa.
Diante do encerramento das suas funções, durante a Cimeira de
Chefes de Estado e Governo em julho de 2008, Luis Fonseca comenta
a insatisfação das pessoas, sempre exigindo mais da atuação da
CPLP. De acordo com ele, a entidade não pode ultrapassar as
competências dos próprios governos de seus países-membros.
Com o objetivo principal de cooperação mútua entre seus membros, a
CPLP foi criada em 17 de Julho de 1996, em Lisboa, reunindo na
época Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique,
Portugal e São Tomé e Príncipe. Seis anos mais tarde, em maio de
2002, Timor-Leste tornou-se o 8º país membro da Comunidade.
Confira a
entrevista, na íntegra, AQUI.