Cerca de 230 milhões de pessoas escrevendo uma língua portuguesa
uniforme. Este seria o propósito da CPLP (Comunidade dos Países de
Língua Portuguesa) entre os países membros Angola, Brasil, Cabo
Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e
Timor Leste. Mas existem países hesitantes na mudança, o principal
deles é Portugal.
O Brasil já aprovou e o Ministério da Educação esteve discutindo o
prazo de implantação do novo Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa. Ainda sem definição de quando realmente estará sendo
difundido entre a sociedade, que por sua vez se divide entre os
apoiadores e os críticos do projeto, seu intuito é a unificação da
língua nos oito países, apesar de apenas três terem ratificado o
acordo.
A Comissão para Definição da Política de Ensino-Aprendizagem,
Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa definiu sua introdução no
Brasil, numa reunião a portas fechadas no Rio de Janeiro em 14 de
setembro. Segundo o órgão do MEC, a nova ortografia não entra em
vigor em 2008. O Brasil vai aguardar o acordo ser ratificado por
Portugal.
A discussão entre intelectuais de universidades do país todo,
representantes do MEC e do Ministério das Relações Exteriores,
levou a decisão da mesma proposta inicial do projeto, a união.
“Nós queremos marchar com Portugal. E não avançar sem ele”,
afirmou o presidente da comissão e escritor Godofredo de Oliveira
Neto. “Diplomaticamente, nós reavaliamos e vimos que o acordo, que
era algo para unificar a ortografia, já nasceria desunido”.
Ao mesmo tempo, o Itamaraty deve iniciar uma campanha para
convencer os países lusófonos, e principalmente o governo
português, sobre a importância da unificação da língua. Assim,
será possível entender por exemplo os motivos da resistência.
“Como o espírito do acordo é o consenso, a CPLP discute uma data
conveniente a todos os países para que a reforma ortográfica entre
em vigor”, acredita o assessor especial do Ministério da Educação,
Carlos Xavier.
Com intuito de beneficiar o intercâmbio cultural, o Brasil tenta
um diálogo sobre o assunto para que os países lusófonos tenham uma
força maior no mundo. Com a uniformização ortográfica, a emissão
de documentos internacionais será mais facilitada, e a política de
cooperação entre os países também deverá ser maior. A exemplo,
Oliveira Neto citou o mercado editorial que poderia exportar
livros didáticos.
Em 25 de setembro, a CPLP defendeu o projeto e criticou as
dificuldades de implementação do acordo ortográfico. “Só assim se
facilita a promoção, de uma forma sistemática, da língua
portuguesa no exterior, que é um dos nossos três pilares.
Desejamos que, o mais rapidamente possível, os sete Estados da
CPLP, mais Timor Leste, que não estava presente quando se chegou a
um consenso, ratifiquem o acordo”, afirmou à Lusa José Tadeu
Soares, secretário-executivo adjunto da CPLP.