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14/MAR/2007
“Fados” é o novo filme de Carlos Saura
Mundo Lusíada
O projeto de filme do cineasta Carlos
Saura, “Fados”, traz uma mistura de Brasil, Portugal e África
nesta produção destacando o gênero musical que se tornou uma
referência de patrimônio cultural dos portugueses no mundo.
Muitos artistas e fadistas participarão do filme como Mariza,
Camané e Carlos do Carmo. Além deles, englobam o elenco Argentina
Santos, Ana Sofia Varela, Pedro Moutinho, Ricardo e Fontes Rocha.
Entre os artistas estrangeiros que participam, estão a
caboverdiana Cesária Évora, e os brasileiros Toni Garrido, Caetano
Veloso, que irá interpretar o fado "Estranha Forma de Vida", de
Amália Rodrigues, e Chico Buarque, apresentando uma versão moderna
do "Fado Tropical".
As filmagens já foram iniciadas, com imagens de Lisboa, por
Eduardo Serra. A pretensão não é abordar a história do Fado, mas
sim uma visão artística do espanhol Carlos Saura, completando para
ele uma trilogia, depois de realizados outros dois filmes sobre o
Flamenco e o Tango.
A produção do filme, uma idéia que iniciou numa conversa entre
Carlos do Carmo e Carlos Saura, terá um investimento de um milhão
de euros, sendo uma produção da Duvideo, de Ivan Dias, e Fado
Filmes, de Luís Galvão Teles, além da Zebra Producciones, de Saura.
Apresentação em Lisboa
A cerimônia de apresentação do filme
aconteceu em Lisboa, no Palácio da Mitra, em 13 de dezembro de
2006. “O filme ‘Fados’ representará uma mais valia para o
engrandecimento e divulgação internacional desta importante
manifestação musical e cultural de Lisboa", afirmou o presidente
da CML, Carmona Rodrigues.
Além de diversas personalidades, entre embaixadores e
representantes do corpo diplomático de Lisboa, estiveram presentes
integrantes do elenco de “Fados” como Carlos do Carmo, e Camané (o
fadista português Carlos Manuel Moutinho Paiva dos Santos Duarte).
Para o vereador do Pelouro da Cultura e presidente da EGEAC
(Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural), Amaral
Lopes, a produção de Carlos Saura enriquece a cultura de Lisboa e
a “projeção internacional do Fado” numa época em que está em
discussão a sua candidatura a Patrimônio Imaterial da Humanidade.
O presidente da Câmara ainda agradeceu a Saura e a todos
envolvidos no projeto pela realização, em nome da Câmara de Lisboa
e de "todos os amantes e adeptos do Fado” citando a música
nacional como “um velho amigo nosso que nos acompanha nos momentos
mais tristes e melancólicos mas também nos mais alegres e
felizes".
Fado do Brasil
Segundo Carlos Saura, o fado na
verdade surgiu no Brasil, apesar de ser um gênero de atavismo
português, numa mistura de modinha européia com lundu africano
(ritmo musical criado a partir dos batuques dos escravos africanos
trazidos ao Brasil).
Os brasileiros escolhidos para participar do projeto, já de
conhecimento de Saura, foram indicações do produtor Ivans Dias,
que assistiu Toni Garrido em “Orfeu”, filme de Cacá Diegues. “É
interessante mostrar como Portugal e África se misturam no Brasil,
com um resultado cultural interessante” disse Saura.
Já Chico Buarque participa do projeto cantando “Fado Tropical”,
gravado com o diretor e historiador Ruy Guerra, num estúdio em
Madri. Por sua vez, Caetano Veloso interpreta “Estranha Forma de
Vida”, famoso na voz de Amália Rodrigues. Mas é Toni Garrido que
abre o filme “Fados” interpretando “Menina, o que Tens?”, um lundu
de autor desconhecido. A história se passa na época do refúgio da
família real portuguesa ao Brasil, por causa das tropas de
Napoleão Bonaparte, quando o fado teria nascido segundo alguns
historiadores.
O nome do filme vem no plural, de acordo com Saura, por causa dos
vários tipos de fado. E os brasileiros irão auxiliá-lo nessa
demonstração, na origem do gênero e mistura de culturas, com o
“Fado Tropical” de Chico Buarque, com o sucesso de Caetano Veloso
em Portugal e na Espanha, e com um grande exemplo da mistura
Portugal-África, Toni Garrido.
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