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03/MAR/2007
ENTREVISTA
“Esta é a minha forma de viver Cabo
Verde”
Vanessa Sene | Mundo Lusíada
A
cantora luso-caboverdiana não é sucesso somente em Cabo Verde.
Lura, nascida em Portugal, já marcou presença em diferentes países
e está sendo comparada a voz mais famosa de Cabo Verde, Cesária
Évora. Neste mês de fevereiro, Lura incluiu o Brasil na sua turnê
mundial e apresentou três shows em São Paulo. Depois, Lura e banda
seguiu para apresentações na França, Austrália, Madrid, além da
turnê em Cabo Verde que começa em abril.
Em entrevista ao Mundo Lusíada, a cantora falou sobre seu
repertório caboverdiano, sobre seu público e a carreira que vem
conquistando, sendo promovida como a nova voz de Cabo Verde no
mundo. Confira a reportagem feita durante o primeiro show de Lura
no Brasil, na Casa de Portugal de São Paulo.
ML – Qual a sua primeira impressão do público brasileiro
nesse seu primeiro show em São Paulo?
Lura: Eu gostei muito, as pessoas estavam atenciosas, vi muitos
sorrisos nas caras e gostei, para primeira impressão foi boa.
Amanhã vai ser melhor ainda, e depois vai ser melhor.
ML – Essa é a primeira vez que vocês vêm pra cá. Como foi
incluir o Brasil na sua turnê mundial?
Lura: Foi através do nosso amigo Aguinaldo Rocha, o nosso Cônsul
de Cabo Verde aqui no Brasil. E ainda bem porque já era um país
que eu gostava de conhecer há muito tempo. Em Portugal e em muitos
sítios por onde eu passei diziam-me: ‘Você não conhece o Brasil?
Você tem que cantar no Brasil! Claro, eu sei, estou cheia de
vontade mas ainda não surgiu uma oportunidade’. Mas agora já
surgiu e eu vou aproveitá-la ao máximo.
ML – Você está sendo promovida como a sucessora da Cesária
Évora e como a nova voz de Cabo Verde no mundo. Como você está
vendo a repercussão do seu trabalho hoje?
Lura: Pela repercussão do trabalho,
isso eu fico contente, pelas coisas estarem a correr bem. Não
gosto quando dizem que sou sucessora da Cesária Évora, não gosto
mesmo porque não sou, ninguém vai ser, porque ela é única, ela não
vai desaparecer para haver outra a substituí-la. Ela está a traçar
um caminho brilhante na música internacional, a valorizar a música
e cultura de Cabo Verde. Eu sou mais uma menina que canta, que
gosta realmente de divulgar as músicas, os diferentes ritmos de
Cabo Verde, e espero traçar meu caminho da melhor maneira
possível. É claro que essa repercussão e tudo o que está
acontecendo me faz muito feliz, até porque eu nunca pensei em ser
cantora, nunca esteve no meu imaginário ser cantora, e pra mim é
uma diversão.
ML – Você fez o lançamento do seu CD em Cabo Verde. Como você
sentiu esse feedback dos caboverdianos?
Lura: Em Cabo Verde, graças a Deus, eu sou muito bem tratada,
ainda bem, se não fosse acho que eu morria! (risos). É o meu
público especial, é música de Cabo Verde que eu faço, eu falo
sobre o dia-a-dia de CV, a história de CV, as pessoas têm uma vida
que eu gostava de ter. Então é muito importante que CV goste da
minha música e gosta, ainda bem, e eu fico muito feliz por isso.
ML – E hoje você está viajando o mundo, com a agenda cheia.
Lura: Eu quando andava na escola, não sabia qual era o curso que
eu ia escolher. Eu só sabia que queria escolher um curso que me
desse liberdade, então escolhi desporto, me especializei em
natação, e depois veio a música. Realmente a música é mesmo o que
me dá liberdade, foi o inesperado da minha vida porque viajo por
tudo quanto é lado, maior liberdade que esta não existe. Acho que
consegui, sem querer, aquilo que eu procurava.
ML – Existem muitos jovens caboverdianos que vem pra cá,
principalmente para uma formação superior, porque em CV não existe
este campo amplo. Como você vê essa realidade de CV e a
importância do futuro desses jovens?
Lura: Infelizmente, CV nem sempre dá aos estudantes oportunidades
que eles precisam, em termos de infra-estrutura. E ainda bem que
muitos têm a oportunidade de ir para fora, vêm para o Brasil, vão
para Portugal, Rússia, Alemanha, e conseguem estudar. Isso é
extremamente louvável, sobretudo aqueles que voltam a CV e vão
enriquecer também CV, os que ficam fora também é uma opção certa.
Eu acho isso uma força enorme porque é difícil sair da vila, os
jovens realmente têm que ter boas notas, tem que ter possibilidade
de sair e essa força de vontade é admirável, é adaptar então a um
ambiente totalmente diferente de CV, estarem sozinhos, lutarem com
as finanças, com uma série de dificuldades. Isto é extremamente
louvável e realmente desejo tudo de bom para essas pessoas que
estudam e querem se valorizar, e valorizar CV. Fico muito
orgulhosa.
ML – Pra você, é uma realização viajar o mundo levando Cabo
Verde?
Lura: É bom viajar pelo mundo fazendo a música que eu gosto, as
pessoas recebem muito bem porque querem conhecer sons novos,
músicas diferentes do mundo. Esta é a minha forma de viver Cabo
Verde, já que eu nunca vivi em Cabo Verde”.
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