MUNDO cultura
 

15/ABR/2006

“Los Hermanos” querem conquistar público português

Ígor Lopes (Portugal)

Quatro integrantes, quatro álbuns e um sonho realizado. Em 1999, a música Anna Júlia lançou o Los Hermanos no mercado brasileiro de música. A cada apresentação, esta canção é obrigatória. Mas com o passar dos anos, o grupo “mudou”, o estilo é outro e a música principal também. Atualmente, o público brasileiro reconhece e valoriza o trabalho da banda, que lançou, em 2005, o seu último trabalho. Mas falta agora conquistar o mercado internacional. E nada melhor que atuar num mercado onde a língua é igual a das letras das músicas. Para isso, o grupo embarcou, pela quinta vez, para Portugal, onde encantou os portugueses com o seu ritmo.

Em Março, tocou nas cidades de Beja, Faro, Viseu, Famalicão, Braga, Porto e Lisboa, sempre na presença da banda portuguesa Toranja que, em parceria com o Los Hermanos, vão estar no Brasil ainda este ano. Ao todo, foram sete dias de música que alegraram a platéia portuguesa. Em Julho, a banda promete voltar a Portugal. Para saber mais dessa parceria e dos projetos do Los Hermanos, conversamos com Bruno Medina, tecladista da banda brasileira, que falou da nova fase do grupo, do contato com o público em Portugal e da influência da música Anna Júlia nos espetáculos.

Entrevista

Qual é o balanço que a banda faz da turnê em Portugal?
Bruno Medina: Sinto que evoluímos no contato com o público português. Acho que o fato de termos tocado juntamente com o Toranja, fez com que ganhássemos projeção junto de outro público que não nos conhecia. Parece-me que outras oportunidades como esta serão a conseqüência natural do trabalho agora realizado.

Qual é o objetivo dessa "união" com o Toranja?
O intuito é que uma banda apresente a outra no país estrangeiro, ou seja, essa é uma forma de facilitar a entrada dos dois grupos nos dois mercados.

Na sua opinião, o grupo português segue as mesmas tendências do Los Hermanos?
Existem, sim, coincidências, tanto é que nos demos bem, não houve nenhum tipo de problema. Acho que ambas as bandas vêem o mercado da mesma forma e objetivam coisas parecidas.
O Toranja também vai tocar no Brasil. Não há datas definidas ainda, mas, por enquanto, vão se apresentar no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Goiânia.

Como avaliam o público português?
É mais atencioso e silencioso do que o público brasileiro, o que funciona bastante em ambientes como teatros, justamente onde aconteceram todos os nossos concertos em Portugal. Acredito que os portugueses são um público que precisa ser conquistado, pois não se rende por pouco.

A presença de brasileiros nos espetáculos ajuda?
Os brasileiros sempre tentam criar uma atmosfera com a qual estamos acostumados. Talvez para o público brasileiro, o silêncio dos portugueses possa parecer que nos está a incomodar, mas entendo essa atitude como um ato de interesse e respeito pelo nosso trabalho.

Em relação ao festival Rock in Rio, que este ano vai ter lugar, novamente, em Lisboa, não acha que seria uma boa porta de entrada do Los Hermanos no mercado português?
Não sei. Os grandes festivais são muito dispersivos e não são ambientes propícios para se conhecer novas bandas, mas sim celebrar coletivamente o conhecimento da banda da qual já se é fã. Acho uma ilusão pensar que se submeter a uma platéia numerosa e desatenta é mais importante do que tocar para um público menor e interessado.

Sentem que o trabalho do grupo é valorizado em Portugal?
Sim, sinto que é valorizado, mas ainda muito pouco conhecido.

Hoje em dia, a banda conta já com quatro álbuns editados, além de outros trabalhos. Na sua opinião, há muita diferença do primeiro para o último cd?
Sim, muita. E essa diferença acontece com o passar dos anos. É natural que o tempo nos transforme.

O hit Anna Júlia até hoje é o mais conhecido do público. Como é trabalhar em outros cd’s tendo esta música tão presente? Ela ainda é uma tendência?
De forma alguma. Na verdade seguimos um caminho muito distinto, mas isso foi um problema por muito tempo. Todos os álbuns tiveram o seu reconhecimento e espaço, de forma que a essa música, atualmente, não faz muita diferença no nosso dia a dia.

Certamente esta música é sempre requisitada durante a performance da banda, como se fosse um hino. Em Portugal também foi assim?
Em Portugal foi mais do que no Brasil. Como disse, os outros discos geraram novos fãs, que conheceram a banda em outra fase e não sentem falta dessa música.

Que compositores ou bandas portuguesas se aproximam do trabalho do Los Hermanos?
Infelizmente, no Brasil não temos um grande conhecimento da produção musical em Portugal. Esperamos que a cada visita nos possamos tornar mais íntimos da música portuguesa.

Para terminar, como o grupo se vê hoje em dia? Há algum novo projeto?
Somos uma banda que tem um público bastante considerável no Brasil. Um público dedicado, fiel e em constante crescimento. Nossa posição dentro do mercado é bastante confortável, tendo o respeito de todas as partes incluídas.


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