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Quinta-feira | 24 JUL 08

Potencial gigantesco
Brasil, um ator global

Por Pedro Rosa Mendes
Da Lusa

Sem grande tradição de ajuda ao desenvolvimento, o Brasil tem “um potencial gigantesco” de cooperação. Testemunha disso é o trabalho da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) no Timor Leste, que inclui projetos de formação profissional (como centro de Becora, em Dili, que Lula visitou demoradamente), alfabetização, agricultura e ensino à distância.

Segundo David Letichevsky, do Apoio ao Desenvolvimento do Setor Público do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), os programas brasileiros foram tocados simultaneamente, mas a “carteira de projetos e os montantes envolvidos foram diminuindo” ao longo dos anos, tendo o novo impulso coincidido com a eleição de Lula.

Uma das vantagens do modelo da ABC apontadas pelos especialistas em cooperação é a triangulação com organizações internacionais, como o próprio Pnud. “Isso evita o problema da politização das ajudas ao desenvolvimento, que marca a cooperação portuguesa e australiana”, diz outro especialista brasileiro, que pediu anonimato à Lusa. “Ninguém acredita no desinteresse da ajuda ao desenvolvimento em política externa, mas é possível minimizar o problema”, acrescentou.

Luiz Vieira, diretor da Organização Internacional das Migrações (OIM) no Timor, afirma que “a cooperação brasileira tem a possibilidade de manter uma neutralidade em setores sensíveis”. “É curioso que a Austrália não fica tão 'mordida' quando os programas de língua portuguesa são do Brasil e não de Portugal”, diz Luiz Vieira, que chegou ao Timor Leste dez dias antes da independência, em maio de 2002. Luiz Vieira defende ainda que “a falta de formalidade dos brasileiros nos faz mais flexíveis e, talvez, facilite uma adaptação maior ao esquema de vida timorense, uma sociedade que está na infância e é menos regrada”.

“Há uma afinidade romântica do Brasil com Timor. Temos esse papo do 'país irmão, com a mesma língua, do outro do lado do mar'", disse David Letichevsky. Outra razão do apoio brasileiro segundo ele é que, na Assembléia Geral da ONU, “um país é um voto”. “O Brasil quer ser um ator global e, para isso, é preciso se mostrar. No Timor Leste, o Brasil se mostra à Austrália, ao Japão, a Portugal, à União Européia”.

 

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