O Instituto Internacional da Língua
Portuguesa (IILP) "não está morto", mas precisa de "maior empenho"
dos países-membros e aspira a coordenar a finalização do Acordo
Ortográfico, de acordo com o presidente do conselho científico do
organismo.
Godofredo Oliveira Neto falou à Lusa em
Lisboa, na reunião do Conselho Científico do IILP, organismo que o
próprio secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa (CPLP), Luís Fonseca, afirma estar a ser "menorizado"
pelos países-membros.
"É verdade que o Instituto não vingou como
devia ter vingado, mas ele não morreu. (...) É como uma metonímia
da CPLP, a parte que representa o todo. (...) A língua é o cérebro
desta comunidade", disse Oliveira Neto.
O Instituto espera receber um novo impulso
na próxima Cimeira de Chefes de Estado da CPLP, marcada para 25 de
Julho, em Lisboa. Para tal, o Conselho Científico aprovou uma
recomendação a levar à cimeira, pedindo "empenho maior em termos
de recursos, pessoal e revitalização da Casa Rosada", a sede do
IILP, na Cidade da Praia, Cabo Verde, adiantou o mesmo
responsável.
Oliveira Neto salientou que apenas Brasil
e Angola criaram as previstas comissões nacionais, que têm como
missão a articulação com os governos e a divulgação das
actividades do Instituto nos respectivos países.
Outra recomendação aos Estados-membros da
CPLP é que o IILP se assuma como entidade coordenadora da equipa
que vai redigir o vocabulário do acordo ortográfico comum,
participada pela Academia de Ciências portuguesa, a Academia
Brasileira de Letras, e organismos congéneres dos restantes países
lusófonos.
Até ao momento, o acordo foi ratificado
apenas por Portugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
Para Godofredo Oliveira Neto, o documento apresenta ainda "alguns
pontos de dúvida", como o uso do hífen, que diz ser "o grande
vilão", cujo uso "não está suficientemente claro".
O envolvimento no Acordo Ortográfico,
reconhece o presidente do Conselho Científico, permitiria ao IILP
ganhar a visibilidade "de que precisa muito", nomeadamente ao
nível dos países-membros. Luís Fonseca, secretário-executivo da
CPLP afirmou que a forma como os oito membros encaram o IILP leva
à pouca eficácia do Instituto.
O IILP queixa-se com frequência da falta
de verbas, mas, segundo Luís Fonseca, o principal problema não é a
falta de recursos, mas "os estados-membros da CPLP não lhe
dedicarem um papel efetivo" e os "objetivos nobres" na sua criação
"não se traduziram em termos práticos".
"Enquanto for visto como uma instituição
menor, (o IILP) mesmo com recursos não conseguirá atingir os
objetivos" de promover a língua portuguesa, nomeadamente junto das
comunidades emigradas, disse.
A própria CPLP, disse Luís Fonseca, "não
deve ser vista apenas como um endereço postal" mas antes "como uma
comunidade, em construção, de povos que a pouco e pouco estão a
desenvolver um projeto".
A próxima Cimeira da CPLP, referiu então
Luís Fonseca, "vai discutir o papel da língua portuguesa no
mundo". Além de Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal e São Tomé e
Príncipe integram a CPLP a Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste.