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Quinta-feira | 10 JUL 08

Lusofonia
Acordo Ortográfico pode "ressuscitar" Instituto da Língua Portuguesa

Da Agencia Lusa

O Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) "não está morto", mas precisa de "maior empenho" dos países-membros e aspira a coordenar a finalização do Acordo Ortográfico, de acordo com o presidente do conselho científico do organismo.

Godofredo Oliveira Neto falou à Lusa em Lisboa, na reunião do Conselho Científico do IILP, organismo que o próprio secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Luís Fonseca, afirma estar a ser "menorizado" pelos países-membros.

"É verdade que o Instituto não vingou como devia ter vingado, mas ele não morreu. (...) É como uma metonímia da CPLP, a parte que representa o todo. (...) A língua é o cérebro desta comunidade", disse Oliveira Neto.

O Instituto espera receber um novo impulso na próxima Cimeira de Chefes de Estado da CPLP, marcada para 25 de Julho, em Lisboa. Para tal, o Conselho Científico aprovou uma recomendação a levar à cimeira, pedindo "empenho maior em termos de recursos, pessoal e revitalização da Casa Rosada", a sede do IILP, na Cidade da Praia, Cabo Verde, adiantou o mesmo responsável.

Oliveira Neto salientou que apenas Brasil e Angola criaram as previstas comissões nacionais, que têm como missão a articulação com os governos e a divulgação das actividades do Instituto nos respectivos países.

Outra recomendação aos Estados-membros da CPLP é que o IILP se assuma como entidade coordenadora da equipa que vai redigir o vocabulário do acordo ortográfico comum, participada pela Academia de Ciências portuguesa, a Academia Brasileira de Letras, e organismos congéneres dos restantes países lusófonos.

Até ao momento, o acordo foi ratificado apenas por Portugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Para Godofredo Oliveira Neto, o documento apresenta ainda "alguns pontos de dúvida", como o uso do hífen, que diz ser "o grande vilão", cujo uso "não está suficientemente claro".

O envolvimento no Acordo Ortográfico, reconhece o presidente do Conselho Científico, permitiria ao IILP ganhar a visibilidade "de que precisa muito", nomeadamente ao nível dos países-membros. Luís Fonseca, secretário-executivo da CPLP afirmou que a forma como os oito membros encaram o IILP leva à pouca eficácia do Instituto.

O IILP queixa-se com frequência da falta de verbas, mas, segundo Luís Fonseca, o principal problema não é a falta de recursos, mas "os estados-membros da CPLP não lhe dedicarem um papel efetivo" e os "objetivos nobres" na sua criação "não se traduziram em termos práticos".

"Enquanto for visto como uma instituição menor, (o IILP) mesmo com recursos não conseguirá atingir os objetivos" de promover a língua portuguesa, nomeadamente junto das comunidades emigradas, disse.

A própria CPLP, disse Luís Fonseca, "não deve ser vista apenas como um endereço postal" mas antes "como uma comunidade, em construção, de povos que a pouco e pouco estão a desenvolver um projeto".

A próxima Cimeira da CPLP, referiu então Luís Fonseca, "vai discutir o papel da língua portuguesa no mundo". Além de Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal e São Tomé e Príncipe integram a CPLP a Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste.

 

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