Pela primeira vez no Brasil, o ministro
dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, Victor
Borges, participou de encontros no Ceará, estado mais próximo do
arquipélago caboverdiano, em Brasília com ministros brasileiros, e
em São Paulo com empresários da indústria, e comunidade local. De
9 à 14 de junho, a visita oficial teve objetivo de estreitar as
relações econômicas, empresariais, políticas e de cooperação entre
ambos países.
Em Fortaleza, onde Borges proferiu uma
conferência na Universidade Federal do Ceará, os diálogos
pretenderam reforçar a cooperação econômica e comercial entre Cabo
Verde e o governo do estado. Atualmente, o país mantém dois vôos
fixos com a capital cearense, ainda sem ligações diretas com São
Paulo ou Rio de Janeiro. “Há uma dinâmica extremamente positiva no
relacionamento com Ceará, mas também com o estado Federal. Estive
em Brasília, discuti com o ministro das Relações Exteriores [Celso
Amorim], e outros membros do governo, sobre o futuro das relações
entre Cabo Verde e Brasil”.
Em São Paulo, também tratando das
políticas de cooperação, Victor Borges esteve na FIESP (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo), organismo “extremamente
importante para o objetivo que temos de estreitamento das relações
econômicas e empresariais entre os dois países”. O governo
caboverdiano aprovou recentemente um Plano Estratégico para
formação técnico-profissional em parceria com o projeto brasileiro
Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). De acordo com
Borges, no dia 27 de junho, esteve prevista a presença do ministro
brasileiro Amorim para inauguração do Centro de Formação
Profissional (CFP) na Cidade da Praia, além de um Centro de
Estudos Brasileiros.
O projeto "Fortalecimento e Capacitação de
Recursos Humanos para o Sistema de Formação Profissional de Cabo
Verde", iniciado em 2004, capacitou na primeira fase 137
profissionais. Entre as áreas contempladas estão formadores na
Construção Civil, Eletricidade, Canalização, Serralharia,
Informática e Alimentos, entre outros.
Durante encontro com a comunidade local,
Victor Borges participou de um evento nas dependências da
Prefeitura de Santo André, onde falou e respondeu às questões dos
caboverdianos. Em convênio com a cidade de Santo André, existem
atualmente cerca de 80 estudantes em formação superior na cidade.
Entre os principais pontos discutidos esteve o crescimento de Cabo
Verde. Apesar de não ser um país com tantos recursos naturais como
o Brasil, e apresentar muitos problemas econômicos, Victor Borges
afirmou que o país tem conseguido atingir um desenvolvimento
contínuo, saindo da lista dos Países Menos Desenvolvidos, mas
ainda mantendo a sua frente os “desafios da vulnerabilidade
econômica”.
Cabo Verde é o segundo país que mais
recebe cooperação técnica do Brasil, segundo o Ministério das
Relações Exteriores. O comércio bilateral aumentou de US$ 9
milhões em 2003, para US$ 36 milhões, em 2007.
Comunidades
De acordo com ministro, o governo de Cabo Verde tem trabalhado em
prol da qualidade de vida dos integrantes da diáspora nos países
de acolhimento. “O governo tem mantido relações estreitas com
diferentes comunidades, para as apoiar e ao mesmo tempo poder
dialogar com os diferentes países que acolhem os caboverdianos,
com a preocupação de promover a sua plena integração nas
sociedades onde vivem, o seu desenvolvimento social, cultural,
econômico” disse ao Mundo Lusíada.
A maior comunidade caboverdiana
encontra-se nos Estados Unidos, existindo ainda em países como
Portugal, França, Luxemburgo, Espanha, Holanda, Itália, Senegal,
Angola, São Tomé, Argentina. “Eu tinha um conhecimento formal e
teórico da situação dos caboverdianos aqui, do nível de
integração, e estou a descobrir de fato a real situação
particularmente em Santo André”.
Durante o evento na cidade, o ministro
aconselhou os caboverdianos a ter seriedade, ambição e sonhos
“mesmo quando o ambiente é inverso”, criticando a visão de
“vítimas”. De acordo com Borges, é preciso apostar na formação dos
mais jovens e preservar a cultura caboverdiana. “Aproveitem todas
as chances, o diploma não é tudo mas sim o conhecimento, o domínio
do que estão estudando para serem competitivos no mercado de
trabalho”.