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Segunda-feira | 05 MAI 08

Atentado
Nada é igual no Timor depois de atentados, diz Ramos-Horta

Do Jornal Mundo Lusíada

Para o presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, depois da data do atentado em que foi alvo, no dia 11 de fevereiro, “nada é igual”. Após permanecer mais de dois meses num hospital australiano recuperando-se de graves ferimentos, o presidente timorense vem mantendo um grande esquema para capturar os envolvidos no atentado.

“Mudamos uma página da história do Timor Leste”, afirmou Ramos-Horta em 23 de abril no parlamento do país, em um longo discurso marcado por referências bíblicas e religiosas. “Martin Luther King, Mahatma Ghandi, Olof Palme, John F. Kennedy, Robert F. Kennedy, Patrice Lumumba, Kwame N'Kruma e Amílcar Cabral são alguns dos grandes nomes do século 20 que não sobreviveram às balas dos assassinos", recordou o presidente em seu discurso de uma hora e meia, proferido majoritariamente no idioma tétum. “Eu sobrevivi a duas balas disparadas a menos de 20 metros de distância. Sou pequeno quando comparado com a grandeza daqueles mártires, que sempre foram a minha inspiração. E pergunto porquê Deus quis que eu vivesse, mas nos privou desses grandes homens?”.

O líder ainda traçou as linhas que considera importantes para o futuro do Timor Leste. Defendeu como prioridade o combate à pobreza, a alteração da Lei do Fundo do Petróleo, a inclusão da Fretilin (oposição) e de "ex-titulares" na definição de políticas, a consolidação das forças de segurança e a resolução do problema dos deslocados internos.

O atentado
O presidente do Timor Leste reiterou que, no dia 11 de fevereiro, não tinha nenhum encontro marcado com o major Alfredo Reinado, rebelde que comandou o ataque e acabou sendo morto. "Não sou pacifista utópico. Sou pacifista realista e pragmático que acredita na via do diálogo, mas tampouco acredito cegamente no diálogo quando se sabe que o outro lado quer se impor pela via das armas", sublinhou Ramos-Horta, ao recordar as iniciativas que, nos últimos dois anos, liderou para resolver o caso dos rebeldes.

A polícia indonésia já anunciou a extradição de quatro timorenses detidos no país durante a investigação sobre os ataques contra o presidente. Três deles, de acordo com a polícia, reconheceram sua participação nos atentados. Na quinta, 1º de maio, o líder rebelde e ex-tenente Gastão Salsinha, foi colocado em prisão preventiva pelo juiz Ivo Rosa, do Tribunal Distrital de Dili, responsável pelo processo que investiga o duplo ataque. Neste dia, aconteceu o primeiro interrogatório judicial aos 6 dos rebeldes que estavam foragidos há quase três meses.

“Os estilhaços das balas que me atingiram pararam a poucos milímetros da coluna e a poucos centímetros do coração e do pulmão. Nenhum órgão vital foi atingido", explicou. "As orações, as vigílias, os rituais sagrados que têm a força de milhares de anos e a recepção de que fui objeto no dia 17 de abril refletem a grandeza do vosso coração, da vossa bondade, a grandeza deste nosso povo. Não sabia que merecia tanto, eu que sou um pecador" afirmou Ramos-Horta. Com Agencia Lusa

 

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