Para o presidente do Timor Leste, José
Ramos-Horta, depois da data do atentado em que foi alvo, no dia 11
de fevereiro, “nada é igual”. Após permanecer mais de dois meses
num hospital australiano recuperando-se de graves ferimentos, o
presidente timorense vem mantendo um grande esquema para capturar
os envolvidos no atentado.
“Mudamos uma página da história do Timor
Leste”, afirmou Ramos-Horta em 23 de abril no parlamento do país,
em um longo discurso marcado por referências bíblicas e
religiosas. “Martin Luther King, Mahatma Ghandi, Olof Palme, John
F. Kennedy, Robert F. Kennedy, Patrice Lumumba, Kwame N'Kruma e
Amílcar Cabral são alguns dos grandes nomes do século 20 que não
sobreviveram às balas dos assassinos", recordou o presidente em
seu discurso de uma hora e meia, proferido majoritariamente no
idioma tétum. “Eu sobrevivi a duas balas disparadas a menos de 20
metros de distância. Sou pequeno quando comparado com a grandeza
daqueles mártires, que sempre foram a minha inspiração. E pergunto
porquê Deus quis que eu vivesse, mas nos privou desses grandes
homens?”.
O líder ainda traçou as linhas que
considera importantes para o futuro do Timor Leste. Defendeu como
prioridade o combate à pobreza, a alteração da Lei do Fundo do
Petróleo, a inclusão da Fretilin (oposição) e de "ex-titulares" na
definição de políticas, a consolidação das forças de segurança e a
resolução do problema dos deslocados internos.
O atentado
O presidente do Timor Leste reiterou que, no dia 11 de fevereiro,
não tinha nenhum encontro marcado com o major Alfredo Reinado,
rebelde que comandou o ataque e acabou sendo morto. "Não sou
pacifista utópico. Sou pacifista realista e pragmático que
acredita na via do diálogo, mas tampouco acredito cegamente no
diálogo quando se sabe que o outro lado quer se impor pela via das
armas", sublinhou Ramos-Horta, ao recordar as iniciativas que, nos
últimos dois anos, liderou para resolver o caso dos rebeldes.
A polícia indonésia já anunciou a
extradição de quatro timorenses detidos no país durante a
investigação sobre os ataques contra o presidente. Três deles, de
acordo com a polícia, reconheceram sua participação nos atentados.
Na quinta, 1º de maio, o líder rebelde e ex-tenente Gastão
Salsinha, foi colocado em prisão preventiva pelo juiz Ivo Rosa, do
Tribunal Distrital de Dili, responsável pelo processo que
investiga o duplo ataque. Neste dia, aconteceu o primeiro
interrogatório judicial aos 6 dos rebeldes que estavam foragidos
há quase três meses.
“Os estilhaços das balas que me atingiram
pararam a poucos milímetros da coluna e a poucos centímetros do
coração e do pulmão. Nenhum órgão vital foi atingido", explicou.
"As orações, as vigílias, os rituais sagrados que têm a força de
milhares de anos e a recepção de que fui objeto no dia 17 de abril
refletem a grandeza do vosso coração, da vossa bondade, a grandeza
deste nosso povo. Não sabia que merecia tanto, eu que sou um
pecador" afirmou Ramos-Horta. Com Agencia Lusa