A Ilha de Moçambique, com a Fortaleza de
São Sebastião, é um dos exemplos mais emblemáticos da presença
histórica de Portugal no mundo e um dos que mais atenção tem
merecido por parte de Lisboa.
Na sua visita oficial a Moçambique, em
março passado, o presidente português Cavaco Silva dedicou um dia
inteiro (dos três dias que esteve no país) à ilha, que é
Patrimônio da Humanidade da UNESCO desde 1991.
A Ilha de Moçambique terá também lugar de
destaque no programa de inventariação, conservação e reabilitação
da presença portuguesa no mundo que o ministro dos Negócios
Estrangeiros de Portugal, Luís Amado, anunciou em Omã, no âmbito
de uma digressão por países do Golfo Pérsico.
Em avançada degradação, a Fortaleza de São
Sebastião, construída em 1507 num dos extremos da antiga capital
insular de Moçambique para dar proteção às naus em trânsito para o
Oriente, vai receber obras orçadas em 1,6 milhões de dólares.
O financiamento é assegurado pela União
das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), que contribui
com 500 mil euros, e pela cooperação japonesa, que comparticipa o
restante - o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD)
entra essencialmente com apoio técnico.
A Organização das Nações Unidas para a
Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que coordena a reabilitação
do patrimônio da ilha, conta dar início em 2009 a uma segunda fase
do programa de reabilitação, com incidência na fortaleza e a
utilização a dar aos edifícios depois de recuperados.
Paralelamente, Portugal elegeu como um dos
eixos fundamentais da sua cooperação com Moçambique para o triênio
2007-2009 a criação da "Vila do Milênio" do Lumbo, situada no
continente.
Em Cabo Verde, onde não houve guerra pela
independência, os vestígios da presença portuguesa são visíveis na
Cidade Velha e no centro da Cidade da Praia, ambas na ilha de
Santiago, mas também espalhados por todas as ilhas, em edifícios
autárquicos ou igrejas.
A Cidade Velha, a primeira construída
pelos europeus nos trópicos, então denominada Ribeira Grande, tem
ainda os restos da catedral, em fase de reabilitação pelo
arquiteto Siza Vieira, ou o pelourinho, erguido em 1520 e onde
eram açoitados os escravos.
Ainda na Cidade Velha fica a igreja de
Nossa Senhora do Rosário, patrimônio histórico reabilitado, que
teria sido construída por volta de 1495 e onde o padre António
Vieira, de passagem pela ilhas, terá pregado.
As igrejas mais antigas de Cabo Verde
conservam a marca portuguesa, o que também acontece com os
edifícios de algumas câmaras municipais ou parte da arquitetura
urbana das ilhas.
O "Plateau", o centro histórico da Cidade
da Praia, é um exemplo da presença portuguesa e inclui o palácio
presidencial, câmara, a igreja matriz, as estátuas e os bustos
erigidos em honra de grandes nomes lusos. Calçada portuguesa e
ruas que homenageiam nomes como Andrade Corvo, Serpa Pinto, Pedro
Alvares Cabral ou Luís de Camões.
Quanto a Angola, o Adido Cultural da
Embaixada de Portugal, João Pignatelli, destacou, numa opinião
pessoal, um conjunto de fortalezas e muralhas construídas pelos
portugueses, algumas igrejas ou ainda as construções do período
modernista da arquitetura portuguesa.
Algumas destas construções, como a
Fortaleza de São Miguel, em Luanda, têm grande visibilidade na
área urbana da capital, de onde se abarca com a vista toda a baixa
da cidade e a baía, constituindo um importante legado da presença
portuguesa em Angola.
Na Guiné-Bissau e segundo o assessor
principal da Ministra da Cultura da Guiné-Bissau, José de Cunha, a
presença portuguesa é visível em todo o território, com destaque
para a ilha de Bolama, Cacheu e Bissau.
Em Cacheu, no norte da Guiné-Bissau,
existem ainda vestígios dos séculos XVI e XVII deixados pelos
portugueses, enquanto Bolama, antiga capital da Guiné-Bissau, é
uma cidade tipicamente colonial, com construções do século XIX e
início do século XX, muitas em avançado estado de degradação.
Em Bissau, o principal vestígio da
presença portuguesa é fortaleza de São Jorge da Amura, construída
no século XVI, a par de edifícios como o antigo Palácio do
Governador, o Ministério da Justiça e a Catedral.
Com Lusa Portugal