Sete acusados no processo contra o major
Alfredo Reinado, que morreu no ataque ao presidente do Timor, José
Ramos-Horta, aguardarão julgamento em liberdade, após decisão
judicial anunciada em 28 de fevereiro, em Dili. O líder rebelde
Alfredo Reinado, um dos responsáveis pelo levante militar de 2006
no Timor Leste, respondia por homicídio, rebelião e posse ilegal
de material de guerra junto a outras 17 pessoas.
Cinco dos acusados foram ouvidos pelo juiz
responsável pelo caso. Todos estavam foragidos desde 30 de agosto
de 2006, mas se entregaram às autoridades. Após o interrogatório,
o magistrado optou por revogar a prisão preventiva que havia
decretado anteriormente.
“O tribunal entendeu que as circunstâncias
que permitiram, na altura, a medida de prisão preventiva mudaram,
isto é, com a morte de seu líder Alfredo Reinado, as coisas
mudaram completamente”, explicou o procurador Felismino Cardoso.
Timor-Leste já acordou a estrutura e as
regras da operação de captura ao grupo. O governo concordou com as
decisões do comando conjunto da operação “Halibur” ("reunir" ou
"juntar" em tétum), que reúne as Falintil-Forças de Defesa de
Timor-Leste (F-FDTL) e da Polícia Nacional (PNTL). A decisão veio
um dia após aprovação do regime de “estado de sítio” por mais 30
dias, com toque de recolher obrigatório entre as 22h e 06h.
A investigação aos ataques contra José
Ramos-Horta e o Primeiro-Ministro Xanana Gusmão está em curso
através da Procuradoria-geral da República, do Departamento de
Investigações Nacionais da Missão Integrada das Nações Unidas no
Timor Leste e de uma comissão de inquérito interna com elementos
das Forças Armadas e da secretaria de Estado da Defesa.
Rebeldes
Em entrevista ao semanário Expresso, o novo líder dos militares
rebeldes e substituto do falecido major Alfredo Reinado, Gastão
Salsinha, declarou que foi um encontro do primeiro-ministro Xanana
Gusmão, com peticionários (desertores do exército), que originou
os ataques ao presidente Ramos-Horta, em 11 de fevereiro.
Salsinha desconhece a intenção de Reinado
quando se dirigiu fortemente armado a casa do presidente
timorense. De acordo com ele, o ataque liderado por ele ao carro
do primeiro-ministro foi uma “reação emocional”. “Sabíamos que
Reinado estava morto. Os homens ficaram zangados e dispararam(…).
Se tivéssemos intenção de matar, não tínhamos atirado aos pneus.
Foi um aviso”. Segundo o Expresso, mais de uma centena de homens
estão com os rebeldes, escondidos algures na ilha.