O parlamento de Timor-Leste aprovou em 20
de fevereiro, na generalidade, o regime do estado de sítio e de
emergência, em que se atribui aos Tribunais Militares a "instrução
e julgamento" das infrações às disposições que forem determinadas.
O novo regime, um projeto de lei cujo
texto final ainda não está concluído, entra em vigor no dia
seguinte à publicação e prevê que a declaração do estado de sítio
seja feita pelo Presidente da República mediante proposta do
Governo e ouvidos os Conselhos de Estado, o Governo e o Conselho
Superior de Defesa e Segurança.
A declaração do estado de sítio tem ainda
de obter a autorização prévia do Parlamento Nacional ou da sua
comissão permanente nos casos de impossibilidade de reunir o
plenário.
Com o novo regime, terá de ficar explícito
a "caracterização e fundamentação do estado declarado", o seu
"âmbito territorial", a sua "duração" e "especificação dos
direitos, liberdades e garantias cujo exercício fica suspenso ou
restringido".
No caso de ser declarado o estado de
sítio, Timor deverá definir os poderes conferidos às autoridades
militares de acordo com o artigo nono, que prevê que as
autoridades civis fiquem subordinadas às autoridades militares ou
a sua substituição por estas. A declaração define ainda os crimes
que ficam sujeitos à jurisdição dos tribunais militares e a
justificação das medidas de exceção.
Em declaração aos jornalistas após
encontro com o ministro irlandês das Relações Exteriores, Dermot
Ahern, Xanana Gusmão afirmou que o momento que se vive atualmente
no país "exige ponderação e firmeza".
Dermot Ahren disse que o governo timorense
aceitou a proposta irlandesa de receber Nuala O'Loan -
especialista em situações de conflito que trabalhou na Irlanda do
Norte -, que viajará ao Timor Leste para buscar propostas de
resolução dos problemas do país, tendo em conta as diferentes
opiniões e posições.
O primeiro-ministro timorense ouviu do
chanceler que a experiência adquirida em seu país, e agora no
Timor Leste, poderá vir a ser aplicada em outras regiões de
conflito do mundo - uma missão que a Irlanda quer assumir no
contexto internacional de promoção da estabilidade.
O estado de sítio, que inclui toque de
recolher obrigatório entre as 20h e as 6h, foi decretado
inicialmente por 48 horas, na seqüência dos ataques contra o
presidente timorense, José Ramos Horta, que ficou gravemente
ferido, e Xanana Gusmão, que escapou ileso.