Em 21 de janeiro, o governo moçambicano
disse em Maputo que necessita de cerca de 24 milhões de euros (R$
62,6 milhões) para enfrentar a crise provocada pelas cheias no
centro do país, que já causou o deslocamento de mais de 94 mil
pessoas na região. A ong portuguesa Oikos - Cooperação e
Desenvolvimento fornece alimentos a 10 mil pessoas isoladas pelas
cheias em Morrumbala, centro de Moçambique, divulgou a Agência
Lusa.
Apesar de contarem com a ajuda da
comunidade internacional para a obtenção dessa verba, as
autoridades moçambicanas insistem que não vêem razões para um
apelo internacional de emergência, reiterou o ministro da
Administração Estatal, Lucas Chomera. "Depois das consultas
realizadas com os parceiros internacionais da cooperação, chegamos
à conclusão de que a abordagem até agora seguida, de mobilizar
recursos internos e internacionais sem um apelo internacional, tem
resultado", destacou Chomera, em entrevista coletiva em Maputo,
com representantes das Nações Unidas e da União Européia.
O valor total necessário para a
continuação das operações de busca, resgate, re-assentamento e
assistência social às vítimas das calamidades naturais no vale do
Zambeze é estimado em cerca de 30 milhões de euros, dos quais
estão disponíveis apenas 5,5 milhões de euros, indicou o ministro
moçambicano.
Do valor já pronto para ser utilizado,
dois milhões de euros foram garantidos pelo governo moçambicano e
pouco mais de três milhões de euros pela comunidade internacional.
O governo português disponibilizou 450 mil dólares (305 mil euros)
à Moçambique, confirmou à Lusa o secretário de Estado dos Negócios
Estrangeiros e Cooperação português, João Gomes Cravinho.
Chomera disse também que o número de
famílias deslocadas das zonas inundadas no centro de Moçambique
para áreas seguras atinge agora cerca de 94.225 pessoas, havendo
ainda famílias para serem resgatadas e numa altura em que os rios
voltam a subir.
No que diz respeito ao número de vítimas
mortais das inundações, o governante afirma que são oito mortes,
por conta da correnteza ou resultado de ataques de crocodilos, que
proliferam ao longo do rio Zambeze.
Em declarações na mesma entrevista, o
coordenador das agências das Nações Unidas em Moçambique, Ndalamb
Ngokwe, e o representante da Comissão da União Européia em Maputo,
Glauco Calzuola, elogiaram a eficácia do governo na gestão da
crise humanitária provocada pelas cheias no vale do Zambeze e
prometeram trabalhar com as autoridades moçambicanas nos esforços
de mitigação do problema.
Em comunicado, a ong Oikos lançou em 29 de
janeiro um apelo de recolha de fundos para as vítimas das cheias
em Moçambique disponibilizando para o efeito uma conta na Caixa
Geral de Depósitos com o NIB- 0035 035500029 529630 85.