O Fundo das Nações Unidas para a Infância,
Unicef, anunciou que está intensificando operações de emergência
às vítimas das cheias em Moçambique, no sul da África.
Segundo o Unicef, cerca de 50% dos
afetados pelas cheias, no centro do país, são crianças. As chuvas,
que também atingem os vizinhos Zimbábue e Malauí, já duram duas
semanas.
Resposta Rápida
O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, Ingc, calcula que
56 mil pessoas foram afetadas até agora.
O coordenador residente das Nações Unidas,
Ndolamb Ngokwey, disse que as agências da ONU estão prontas para
apoiar o governo moçambicano.
Reservas
Segundo Ngokwey, a ONU tem trabalhado com as autoridades nacionais
para estabelecer planos de contingência que possibilitem apoio
rápido às vítimas das cheias.
As equipes das Nações Unidas estão
analisando o impacto das cheias em várias áreas, como agricultura,
água e saneamento, nutrição e proteção de crianças.
Antes do início da época das chuvas, o
governo moçambicano colocou reservas de produtos de emergência em
áreas estratégicas.
Em 2007, cerca de 285 mil pessoas foram
atingidas pelas cheias em Moçambique. Segundo o governo, 29
morreram.
Maiores inundações da história
Este ano, Moçambique deve registrar as piores inundações de sua
história, devido às chuvas contínuas nos países vizinhos e às
descargas de 6 mil metros cúbicos por segundo de água da
hidrelétrica de Cahora Bassa (HCB).
Zimbábue, Maláui e Zâmbia continuam
fustigados por chuvas torrenciais, cujas águas são encaminhadas
para rios moçambicanos. Os principais afluentes dos rios Luenha,
Revúbuè e Chire, no baixo do Vale do Zambeze, centro de
Moçambique, já estão com níveis elevados, o que pode causar o
agravamento da situação das cheias no país.
Em 2000, as cheias no sul de Moçambique
provocaram 640 mortos e afetaram 2 milhões de pessoas, das quais
500 mil ficaram desalojadas.
As autoridades já descrevem como "crítica"
a situação que se vive na região, mas assegurou que as autoridades
estão fazendo o devido monitoramento.
O governo do país estimou em 20,4 milhões
de euros (R$ 53 milhões) o valor necessário para financiar um
plano de emergência de auxílio aos afetados pelas cheias e
ciclones que podem ocorrer entre os meses de janeiro e março deste
ano.
Até 15 de janeiro, todas as pessoas que se
encontram nas zonas de risco - tendo, para isso, intensificado
operações de busca e salvamento com embarcações - e devem ser
retiradas, além de contar com mobilização de meios aéreos para o
resgate da população do vale do Zambeze.
"Até o momento, mais de 300 pessoas foram
resgatadas, mas outras 5 mil continuam em risco de vida nas cinco
zonas da foz do Zambeze", frisou o INGC (Instituto Nacional de
Gestão de Calamidades de Moçambique), em comunicado enviado à
Agência Lusa.
O boletim hidrológico prevê que, em breve,
os níveis hidrométricos no Baixo Zambeze devem baixar
ligeiramente, enquanto em Zumbo e Aruângua, as cheias tendem a
aumentar por causa das chuvas.
Dados preliminares indicam que "nas bacias
do Búzi e Save, é prevista a continuação da redução significativa
do volume de escoamentos, resultando na melhoria da situação
hidrológica nas vilas de Búzi, Nova Mambone e Machanga,
respectivamente".
O diretor do INGC, Paulo Zucula,
reconheceu ao jornal Notícias de Maputo que, em alguns distritos
afetados pelas cheias, as operações de resgate estão sendo
dificultadas pela falta de planos de evacuação dos governos
distritais.
"Há situações em que não se conseguem
identificar as pessoas sitiadas e, nos próximos quatro a cinco
dias, vamos entrar na fase mais crítica no Zambeze, tendo já
começado a entrar muita água", afirmou.
A organização não-governamental britânica
Oxfam Internacional alertou para o risco de "uma crise de saúde
pública generalizada" e enviou uma equipe de emergência para as
zonas atingidas pelas inundações para avaliar as necessidades
humanitárias das 55 mil pessoas afetadas pela elevação das águas.
"Quando se gera uma inundação, a falta de
água e saneamento atinge níveis críticos em apenas alguns dias, ou
mesmo horas. Com a continuação da alta do nível das águas, o
acesso a estes bens será cada vez mais difícil, o que pode
originar uma crise de saúde pública generalizada", alertou em
comunicado o coordenador de água e saneamento da Oxfam
Internacional em Moçambique, Hugo Oosterkamp.
"Como especialista em água e saneamento, a
prioridade da Oxfam Internacional será acudir os centros de
evacuação onde as pessoas procuram refúgio. Nestas circunstâncias,
deve se responder de imediato à ameaça de diarréia, malária e
cólera", acrescentou.