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10/NOV/2006
Banco Mundial: Cabo Verde e Moçambique são
exemplares
Agencia Lusa
Cabo Verde e Moçambique pertencem ao
grupo de países africanos que conseguiram nos últimos anos colocar
percentagens significativas da sua população acima do nível da
pobreza, segundo um relatório do Banco Mundial divulgado em 30 de
outubro. O documento diz que Cabo Verde e Moçambique estão no
caminho para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
adotados pelas Nações Unidas em 2000 no que diz respeito à redução
para metade da pobreza extrema e da fome até 2015.
Para o economista do Banco Mundial para Assuntos Africanos, John
Page, muitos países estão registrando um progresso notável e
embora haja alguns em estagnação ou mesmo recessão (caso do
Zimbábue), África tem registrado progressos na Educação e Saúde.
"África é hoje um continente em movimento, com progressos
tangíveis na prestação de melhores serviços de Saúde, Educação,
crescimento, comércio e redução da pobreza", acrescentou o
vice-presidente do banco para a região de África, Gobind Nankani.
As estatísticas indicam que entre os países de sucesso, Cabo Verde
e Moçambique estão entre as maiores "estrelas".
Crescimento superior a 6%
Segundo o relatório, o crescimento econômico da África, que foi em
média de 2,4% no anos 1990, subiu para 4% entre 2000 e 2004,
atingindo 4,3% em 2005. Desde meados de 1990, "16 países têm tido
crescimentos do Produto Interno Bruto acima dos 4,5%" e Moçambique
chefia esse grupo de elite de "crescimento sustentável", com uma
média de 8,4% entre 1996 e 2005.
No mesmo grupo, Cabo Verde surge em terceiro lugar com uma média
de 6,5%. Em países como Moçambique, o "crescimento econômico foi
acompanhado pela diversificação da economia e das exportações",
aponta o documento.
Os países produtores de petróleo, entre os quais Angola, com uma
média de crescimento nesse período de 7,9%, foram colocados em um
grupo a parte. Nankani disse que "a melhoria da governança e a
administração adequada dos rendimentos dos recursos naturais são
requisitos fundamentais para melhores resultados do
desenvolvimento em África", afirmando que se prevê que sejam
arrecadados 200 bilhões de dólares (R$ 429,8 bilhões) com a venda
do petróleo entre 2000 e 2010.
O crescimento real do produto interno bruto "per capita" tem
subido em todos os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop),
com exceção de Guiné-Bissau.
Entre os Palop, Cabo verde é o país com o maior rendimento
nacional bruto "per capita" (cerca de R$ 3,7 mil em 2004) e
Guiné-Bissau com o mais baixo (aproximadamente R$ 344 dólares).
Mortalidade infantil
O documento diz ainda que Cabo Verde e Moçambique estão entre os
países que registraram reduções significativas na mortalidade
infantil (até aos cinco anos de idade). De 1990 a 2004, Cabo Verde
reduziu a mortalidade infantil de 60 em cada mil para 36 e
Moçambique de 235 para 152.
Em Angola não houve alteração (260), em Guiné-Bissau houve uma
ligeira redução (de 253 para 203) e em São Tomé e Príncipe também
não houve alteração (118).
São Tome e Príncipe é o país economicamente mais limitado (PIB de
US$ 54 milhões em 2004 - R$ 116 milhões), enquanto Cabo Verde tem
a segunda melhor expectativa de vida do continente (70 anos em
2004), seguido pelas Maurícias com 73. Por outro lado, Angola é o
país onde é mais caro iniciar um negócio e São Tomé e Príncipe o
mais demorado (quase 200 dias).
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