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Mundo Lusíada

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O Centro Português de Santos preparou sua
famosa Festa da Tainha na Telha. Esta é a terceira edição do
evento com o prato típico português, peixe servido na telha. Foram
consumidas cerca de 250 peças tendo 1,7k cada, ou 425 quilos do
produto. “Eu cheguei a conclusão que a Festa da Tainha tem que ser
feita todo ano, porque todo mundo gosta e todo mundo vem”, disse
ao Mundo Lusíada o presidente Alberto Tavares Barreiros, há seis
anos na presidência da casa. “A casa está cheia, e não está mais
porque não tínhamos mais convites.
Foram esgotados com 15 dias de
antecedência. A festa é boa e tem que ser realizada todo ano, é
uma tradição que o Centro deve manter”.
No sábado, 14 de junho, o público presente
apreciou não só a culinária como o folclore português, apresentado
pelo Rancho Folclórico Verde Gaio do Centro Português, e do
convidado Rancho Folclórico Santa Marta dos Navegantes, ensaiado
pela Cristina e o Adriano. Durante apresentação, o rancho
convidado prestou homenagem à diretora do Verde Gaio, Ana Maria
Pereira, e ao diretor Vasco Monteiro como reconhecimento ao
trabalho em prol do folclore.
Com 42 componentes, o Santa Marta
representa mais o norte de Portugal, apesar de dançar todas as
regiões. “Como nosso nome não é especifico, somos imigrantes aqui
no Brasil, então representamos um pouquinho de cada região para
agradar o gosto do público”, diz Maria Dulcina de Almeida, há 16
anos do rancho e 40 no folclore, e três filhos e três genros
também no grupo. “Comecei com Esticadinhos de Cantanhede, e
estamos há 40 anos divulgando a música de Portugal, e não podemos
parar”.
O mais antigo rancho do estado de São
Paulo, o Verde Gaio realiza apresentações há 46 anos. Dançando de
norte à sul de Portugal, o grupo concentrou para esta apresentação
canções de Nazaré (distrito de Leiria), que “tem a ver com o mar”
segundo Ana Maria Pereira. O rancho foi reformulado recentemente,
traz novos componentes, incluindo as crianças que sempre dançam
duas músicas no palco. “Gostaríamos que, sempre que as pessoas
puderem, prestigiem o Verde Gaio e compareçam ao Centro
Português”, disse Ana Maria.
Sem planos para uma viagem à Portugal, o
Verde Gaio participou em outros tempos de uma digressão à
pátria-mãe, segundo o presidente da casa. “Nós tínhamos até mais
dedicação da colônia. Hoje a situação é muito difícil, não podemos
pagar as passagens de 50/60 elementos para levá-los à Portugal ou
para outro país”, disse o presidente que termina sua gestão na
entidade no final deste ano. “Talvez, quando fizermos a unificação
dos clubes, até fortalece e pode ser mais fácil. Unimos as forças
da colônia portuguesa, e podemos levá-los até lá”.
A Unificação
A proposta da unificação de associações portuguesas na Baixada
Santista, que vai iniciar com a fusão entre o Centro Português e a
Sociedade União Portuguesa, também tem a proposta de fortalecer os
clubes. A previsão é que o projeto seja concluído ainda este ano.
Diferente da União Portuguesa, o Centro
Português de Santos, que vive atualmente de 180 associados,
procura equilibrar sua saúde financeira com aluguel do salão de
festas, e com as vendas de seu bazar. “Isso nos dá uma renda para
podermos equilibrar, mas dizer que sobra dinheiro não dá, é quase
impossível. Temos uma despesa muito grande”.
De acordo com o presidente do Centro, o
aluguel do salão de festas – no valor de 600 reais – é uma das
formas de sustentar a entidade. “O recurso aqui é pouco, nós temos
que lutar com o que temos”.Mas é a casa cheia e uma festa bonita
que dá força para continuar trabalhando em prol das tradições
portugueses, disse Alberto Tavares. “Vemos a casa cheia, e não só
de portugueses, aqui temos 70% de luso-brasileiros, descendentes e
outras pessoas. Isso é muito bom, nos deixa alegre e nos dá força
para continuar fazendo isso”.