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01/NOV/2006
Entidades da baixada defendem fusão de casas
portuguesas
Odair Sene | Mundo Lusíada
A comunidade portuguesa da baixada
santista está discutindo a possibilidade de fusão entre suas
entidades. O projeto inicial prevê a fusão do Centro Português e
da União Portuguesa. “Os diretores são quase os mesmos e é muito
bom para a comunidade santista que haja essa fusão”, diz o
presidente da União Portuguesa, José Duarte Almeida. “A União
Portuguesa é uma dissidência do Centro Português, por incrível que
pareça. Um desentendimento entre os associados acabou na fundação
de uma sociedade musical, e depois veio o nome da Sociedade União
Portuguesa”, revela Duarte. Apesar da separação, o caminho entre
as duas associações com a comunidade foi paralelo, e hoje “estamos
de mãos dadas”.
Mundo Lusíada
O
empresário e dirigente associativo Armênio Mendes. Atrás, o
presidente da Sociedade União Portuguesa de Santos, José Duarte.
De acordo com José Duarte, existe uma
comissão fazendo o estudo para a possível fusão, que já foi
aprovada no Conselho da União Portuguesa, bem como no Conselho do
Centro Português. Mas a intenção não é só a unificação das duas
casas, e sim de outras entidades. “Nós temos que ter uma entidade
muito forte na Baixada Santista. Em vez de termos sete ou oito que
a cada ano perde a força, isso é muito importante para
preservarmos nossa cultura, nossas raízes, nossas danças, nossa
língua, nosso cantar. É muito importante que façamos essa fusão”.
Para Armênio Mendes, importante dirigente associativo, é preciso
trabalhar para uni-las e conseguir a sua representação através de
uma entidade forte. “Já foi difícil no passado quando todos tinham
facilidade em se manter, mas hoje a vida de qualquer entidade,
seja ela portuguesa ou de outra nacionalidade, até mesmo
brasileira, é difícil, não há dinheiro para manter. Então hoje
todos querem essa fusão”.
Para Armenio, que já havia proposto a idéia há cerca de dez anos,
mas não foi bem aceita, agora terá muito mais favoráveis que
opositores. “Eu sou sócio de uma dúzia de entidades, pago uma
dúzia de mensalidades, por dever de cidadão português em
participar da vida das associações, mas todas elas não somam a
verba necessária para as manter abertas. Mas se pagamos mil reais
[numa suposição] para uma entidade, capitalizada e com condição de
lhe oferecer alguma coisa, esse é nosso objetivo. Acredito que
conseguimos isso com facilidade agora”.
Uma fusão não é simples, ainda mais quando se trata da escolha de
nomes e representatividade. De acordo com José Duarte, outras
tentativas fracassaram no passado. “Mais uma vez nós vamos fazer
uma tentativa. Eu acho que enquanto estiver à frente do destino de
uma entidade ou à frente da comunidade portuguesa, no caso
escutando o Conselho das Comunidades no Brasil, vou lutar para que
isso seja uma realidade. Não custa tentar, já diz Fernando Pessoa:
‘vale sempre a pena quando a alma não é pequena’”. |