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Editorial » Odair Sene

31/AGO/2007

Brasil

Injustiças da Justiça Brasileira

Vemos, lemos e ouvimos sucessivas avalanches de denúncias, dia-após-dia, em um Brasil alterado politicamente. A impressão é de que a sociedade está se acostumando com a situação delicada que o país atravessa, a qual se estende para o social e para a área econômica – como resultado colhido ao longo de anos de plantio.


Em destaque estão os desmandos políticos desonestos que sobressaem as atitudes honestas de uma plêiade de gente cada vez mais escassa, esses, raros na última década – para falar “no mínimo”.
As injustiças da nossa Justiça são muitas, também diárias. Ao oposto da Polícia Federal, que mostra quem manda e tenta mostrar um crime sem compensações. Porém, a festa política dos desonestos muda de lado na ação seguinte à da PF. Mostrando que na área política há sim, muitas e boas compensações. A começar das antigas denúncias que caducam num tempo que se move em uma lentidão providencial, onde ninguém paga e ninguém é punido.


Atualmente, vê-se tentativas de moralidade em setores da Justiça, as quais não se sabe se há maquiagem para abrandar denúncias em outra esfera, ou se há mesmo boa intenção da alta cúpula da Justiça para tentar reaver uma moral afogada na lama da bandalheira pública.
De qualquer forma, há ainda contestações das ações jurídicas. Como o recente comentário do deputado cassado Roberto Jefferson, que afirmou durante entrevista à Rádio CBN, que “faltou coragem ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, para denunciar o presidente Lula no esquema do mensalão”.


Um grande exemplo de como a Justiça brasileira atua, foi o caso do promotor Thales Ferri Schoedl, acusado de assassinar um jovem a tiros em Bertioga (São Paulo). A criticada decisão do Órgão Especial do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) de manter o acusado no cargo, e ganhando seus R$ 10 mil reais por mês, provocou grande indignação na população, que fortalece o sentimento de descrença na Justiça corporativista.


Menos influente econômica, política e juridicamente, a ex-estagiária da empresa Petrocoque, de Cubatão, Carolina de Paula Farias, de 24 anos, foi condenada a 30 anos e 4 meses de prisão pelo assassinato da colega Mônica Tamer Cruz de Almeida, de 42 anos, em dezembro de 2005, com o objetivo de ser efetivada na empresa.


Entre esses dois casos (do promotor Thales e da ex-estagiária), há muito o que se pensar em termos de justiça.

 
Até porque, enquanto se assiste a tantos desmandos jurídicos, o julgamento do caso do mensalão (estima-se) deve se estender por longos e tardios cinco anos. Depois de provas e mais provas, cinco anos para uma impunidade anunciada já hoje.


Este é o Brasil dos desmandos e das injustiças da nossa Justiça.
Há, para não esquecer, a decisão para seguirmos a pagar o CPMF, o imposto do cheque que é o maior confisco da história do país, isso se resolve em dias, com aval dos Estados e Municípios interessados em abocanhar umas sobras. Aguarde só pra ver.


Odair Sene
Editor Mundo Lusíada

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