>> OPINIÃO COLUNAS

 

Bookmark and Share 

AUMENTAR FONTE

F

F

F

F

Por Adriano da Costa Filho*


Quarta - feria | 21 JUL 10

Coluna Luso-Descendente
Brasil Colonial e a Origem Literária Portuguesa!

O Brasil, hoje é o recanto das belas melodias, das belas músicas, das belas poesias incrustadas nas músicas, tanto as do norte, como as do centro-sul. E para isso, temos que voltar para um passado um tanto distante, por volta dos primeiros séculos da descoberta do Brasil.

Já no século 16, com uma narrativa barrôca, vemos o grandioso "Compêndio Narrativo do Peregrino da América", do magistral escritor e poeta Nuno Marques Pereira, nascido na Bahia em 1652 e falecido em Lisboa em 1728. Nele, o escritor referia-se à vida colonial, fruto da conquista portuguesa do território brasileiro, mostrando a vida real da colônia portuguesa, com tudo que acontecia por estas bandas.

Porém, tão somente já no Século 18, é que houve uma manifestação cultural, uma vez que, as épocas anteriores não apresentavam co-relação entre os vários pontos do Brasil e não havia como mostrar o fenômeno literário e só após a corrida do ouro, quando as pessoas tinham mais disponibilidades para ingressar em grêmios literários, que começavam a proliferar no Rio de Janeiro e principalmente na Bahia, como a " Brasilica dos Esquecidos" em 1724 e a "Brasilica dos Renascidos" em 1759, já no Rio de Janeiro em 1736 a "Academia dos Felizes", e na realidade só mais no século 19 é que São Paulo passou a apresentar grandes mestres da literatura brasileira, com os escritos e poesias.

Um dos grandes mestres do século 18 foi sem dúvida Cláudio Manuel da Costa, talvez um meu ancestral, ele nasceu em Vargem do Itacolomi, em Minas Gerais em 1729 e morreu em Ouro Preto em 1789, era filho de portugueses e fez os seus estudos no Rio de Janeiro com os Jesuitas, e cursou Direito em Coimbra. Grande obra de sua vida literária nesse despertar lusitano da poesia e escrita no Brasil, ele era um defensor do "pombalino" e naturalmente meteu-se na política e foi condenado em razão da Inconfidência mineira, todavia, suicidou-se na prisão. Deixou inúmeras obras bucólicas no estilo camoniano e um de seus livros, os "Cem Sonetos de Cláudio" (Pouco importa, formosa Daliana, Que fugindo de ouvir-me, o fuso tomes, Se quanto mais me afliges, e consomes,Tanto te adoro mais, bela serrana." Tudo nele referia-se a Camões e em outros termos poéticos, como "A Fábula do Ribeirão do Carmo" e "Vila Rica", com contrastes em que viviam as pessoas na antiga Vila Rica das Minas Gerais.

Portanto, no Brasil dos primeiros séculos, todo escritor ou poeta seguia as normas dos ilustres mestres da poesia e da literatura portuguesa, uma vez que, sempre faziam seus estudos, ora em Lisboa, ora em Coimbra, que eram os polos mestres dessa idade literária. Desde o século 16, já haviam se espalhado grandes atos literários, desde a "Carta de Pêro Vaz Caminha", passando por outras, como o "Tratado da Terra do Brasil e a História da Província de Santa Cruz", a quem chamamos vulgarmente Brasil, de Pêro Magalhães Gândavo em 1576, o "Tratado Descritivo do Brasil" de Gabriel Soares de Souza em 1587, e em 1618, os "Diálogos das Grandezas do Brasil" de Ambrósio Fernandes Brandão, além de inúmeros outros mestres da literatura.

Na informação literária sobre o Brasil em Portugal, podemos citar um grandioso mestre que foi Pêro de Magalhães Gândavo, português que esteve no Brasil na época de Mem de Sá e fez a sua grande obra literária por volta do ano de 1570. Ele foi um grandioso mestre e lamentava que foi tirado o nome de Santa Cruz e dado o nome de Brasil por causa do pau-brasil, foi um dos mais descritivos sobre a vida colonial no Brasil, no entanto, devemos muito aos jesuitas que fizeram a demonstração do que foi o Brasil-Colônia, e figuras grandes como Fernão Cardim e Manuel da Nóbrega, que com o seu "Diálogo sobre a conversão do Gêntio" de 1558, um grande documento revelador do aspecto do índio no Brasil, e José de Anchieta, também como um nome a se elogiar.

Já no século 17, o documento mais representativo são "Os Diálogos das Grandezas do Brasil" que foi editado em 1618 pelo português Ambrósio Fernandes Brandão, uma grande obra composta em seis diálogos, como o de "Brandônio" que era um colonizador bem informado, e o "Alviano" um emigrante bem informado e chegado a pouco tempo da metrópole portuguesa.

Como vemos, se hoje temos uma literatura e uma poesia de primeiro grau, devemos toda essa cultura aos grandes mestres da literatura brasileira e portuguesa dos primórdios do nosso magistral Brasil, delineado pelos grandes descobridores e precursores da Língua Portuguesa no Brasil, para honra e glória do nosso querido e eterno PORTUGAL.

Adriano da Costa Filho
Membro da Casa do Poeta de São Paulo, Movimento Poético Nacional, Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Academia Virtual Poética do Brasil, Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Associação Paulista de Imprensa, Associação Portuguesa de Poetas/Lisboa e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.


 

© 2003-2008 Jornal Mundo Lusíada - Todos os direitos reservados.

Artigos assinados não exprimem propriamente a opinião do Mundo Lusíada Online.
Colunas e textos de opinião com assinatura são de responsabilidade de seus autores.