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O Brasil, hoje é o recanto das belas
melodias, das belas músicas, das belas poesias incrustadas nas
músicas, tanto as do norte, como as do centro-sul. E para isso,
temos que voltar para um passado um tanto distante, por volta dos
primeiros séculos da descoberta do Brasil.
Já no século 16, com uma narrativa
barrôca, vemos o grandioso "Compêndio Narrativo do Peregrino da
América", do magistral escritor e poeta Nuno Marques Pereira,
nascido na Bahia em 1652 e falecido em Lisboa em 1728. Nele, o
escritor referia-se à vida colonial, fruto da conquista portuguesa
do território brasileiro, mostrando a vida real da colônia
portuguesa, com tudo que acontecia por estas bandas.
Porém, tão somente já no Século 18, é
que houve uma manifestação cultural, uma vez que, as épocas
anteriores não apresentavam co-relação entre os vários pontos do
Brasil e não havia como mostrar o fenômeno literário e só após a
corrida do ouro, quando as pessoas tinham mais disponibilidades
para ingressar em grêmios literários, que começavam a proliferar
no Rio de Janeiro e principalmente na Bahia, como a " Brasilica
dos Esquecidos" em 1724 e a "Brasilica dos Renascidos" em 1759, já
no Rio de Janeiro em 1736 a "Academia dos Felizes", e na realidade
só mais no século 19 é que São Paulo passou a apresentar grandes
mestres da literatura brasileira, com os escritos e poesias.
Um dos grandes mestres do século 18 foi
sem dúvida Cláudio Manuel da Costa, talvez um meu ancestral, ele
nasceu em Vargem do Itacolomi, em Minas Gerais em 1729 e morreu em
Ouro Preto em 1789, era filho de portugueses e fez os seus estudos
no Rio de Janeiro com os Jesuitas, e cursou Direito em Coimbra.
Grande obra de sua vida literária nesse despertar lusitano da
poesia e escrita no Brasil, ele era um defensor do "pombalino" e
naturalmente meteu-se na política e foi condenado em razão da
Inconfidência mineira, todavia, suicidou-se na prisão. Deixou
inúmeras obras bucólicas no estilo camoniano e um de seus livros,
os "Cem Sonetos de Cláudio" (Pouco importa, formosa Daliana, Que
fugindo de ouvir-me, o fuso tomes, Se quanto mais me afliges, e
consomes,Tanto te adoro mais, bela serrana." Tudo nele referia-se
a Camões e em outros termos poéticos, como "A Fábula do Ribeirão
do Carmo" e "Vila Rica", com contrastes em que viviam as pessoas
na antiga Vila Rica das Minas Gerais.
Portanto, no Brasil dos primeiros
séculos, todo escritor ou poeta seguia as normas dos ilustres
mestres da poesia e da literatura portuguesa, uma vez que, sempre
faziam seus estudos, ora em Lisboa, ora em Coimbra, que eram os
polos mestres dessa idade literária. Desde o século 16, já haviam
se espalhado grandes atos literários, desde a "Carta de Pêro Vaz
Caminha", passando por outras, como o "Tratado da Terra do Brasil
e a História da Província de Santa Cruz", a quem chamamos
vulgarmente Brasil, de Pêro Magalhães Gândavo em 1576, o "Tratado
Descritivo do Brasil" de Gabriel Soares de Souza em 1587, e em
1618, os "Diálogos das Grandezas do Brasil" de Ambrósio Fernandes
Brandão, além de inúmeros outros mestres da literatura.
Na informação literária sobre o Brasil
em Portugal, podemos citar um grandioso mestre que foi Pêro de
Magalhães Gândavo, português que esteve no Brasil na época de Mem
de Sá e fez a sua grande obra literária por volta do ano de 1570.
Ele foi um grandioso mestre e lamentava que foi tirado o nome de
Santa Cruz e dado o nome de Brasil por causa do pau-brasil, foi um
dos mais descritivos sobre a vida colonial no Brasil, no entanto,
devemos muito aos jesuitas que fizeram a demonstração do que foi o
Brasil-Colônia, e figuras grandes como Fernão Cardim e Manuel da
Nóbrega, que com o seu "Diálogo sobre a conversão do Gêntio" de
1558, um grande documento revelador do aspecto do índio no Brasil,
e José de Anchieta, também como um nome a se elogiar.
Já no século 17, o documento mais
representativo são "Os Diálogos das Grandezas do Brasil" que foi
editado em 1618 pelo português Ambrósio Fernandes Brandão, uma
grande obra composta em seis diálogos, como o de "Brandônio" que
era um colonizador bem informado, e o "Alviano" um emigrante bem
informado e chegado a pouco tempo da metrópole portuguesa.
Como vemos, se hoje temos uma literatura
e uma poesia de primeiro grau, devemos toda essa cultura aos
grandes mestres da literatura brasileira e portuguesa dos
primórdios do nosso magistral Brasil, delineado pelos grandes
descobridores e precursores da Língua Portuguesa no Brasil, para
honra e glória do nosso querido e eterno PORTUGAL.
Adriano da Costa
Filho
Membro da Casa do Poeta de São Paulo,
Movimento Poético Nacional, Academia Virtual Sala dos Poetas e
Escritores, Academia Virtual Poética do Brasil, Ordem Nacional dos
Escritores do Brasil, Associação Paulista de Imprensa, Associação
Portuguesa de Poetas/Lisboa e escreve quinzenalmente para o Jornal
Mundo Lusíada.
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