>> OPINIÃO COLUNAS

 

Bookmark and Share 

AUMENTAR FONTE

F

F

F

F

Por Adriano da Costa Filho*


Segunda - feria | 12 JUL 10

Coluna Luso-Descendente
Celtas-Lusitanos, Romanos, Mouros: Portugal Arcaico e Portugal Moderno!

Para que possamos ter uma idéia de onde viemos, o que fomos e o que seremos, temos que relatar um passado glorioso na formação do nosso Portugal Moderno, com as nuances características acontecidas nos tempos passados, uma vez que somos eternos, de acordo com a transmissão eterna dos corpos e a formação do nosso DNA, bem como, a transmissão do inconsciente coletivo de nossa espécie, às gerações seguintes.

Lá bem longe no tempo, numa época quase perdida nesse tempo, existiam raças, que naturalmente estavam sempre em guerra com outras, e na região que hoje é o nosso Portugal, existiam os Celtas, que provavelmente foram os nossos primitivos antepassados, embora já no litoral de Portugal os gregos tivessem formado suas colônias, isso pelas bordas do sétimo século antes de Cristo, muito embora eles não tivessem adentrado o território, ficando exclusivamente na beira do litoral. O nome de Lisboa vem do grego, dessa raça culta, derivando do nome Ulisses, Ulisbon, e daí Lisboa.

Todas as invasões de povos guerreiros paravam sempre nessa terra milagrosa, porque daí para a frente encontravam o oceano e então acabavam ficando ali mesmo, o que derivou em um ajuntamento de povos, que com certeza foram os feitores dessa terra magistral. Os Celtas, os Lusitanos, os iberos e outros, começaram a formar um povo mais categorizado, e após alguns séculos, houve a chegada do maior povo guerreiro da humanidade, os "Romanos", que com seu império, que durou 800 anos, invadiram a Península Ibérica e lá ficaram por 1000 (mil) anos ou seja 300 anos antes de Cristo, até 711 anos depois de Cristo, já na nossa era.

No ano 237 antes de Cristo, o exército romano ocupou na Espanha a cidade de Cadiz e durante 50 anos foi ocupando vários locais até o ano de 197 AC. ocuparam toda a Península Ibérica, lançando como capital a cidade de Córdova, para que no ano de 165 AC. invadissem a Lusitânia, embora os lusitanos comandados por Viriato tivessem brecado essa invasão, chegando até a derrotar os romanos, mas, ele acabou sendo morto por eles.

Após algumas guerras na Península Ibérica, o imperador romano Vespasiano dá a todas as cidades conquistadas os direitos iguais à Roma e no ano de 36 antes de Cristo, toda a Península Ibérica foi anexada à Roma. Já no ano 27 ainda no mesmo período, o imperador Marcus Agrippa divide a Península em três partes: Baética, Terraconensis e Lusitânia e um ano depois a "Emérita Augusto-Mérida" foi declarada como capital da Lusitânia.

A cidade de Lisboa tornou-se o maior centro comercial romano de todos os tempos, porque dali toda a produção de alimentos era enviada para Roma, uma vez que, os romanos em suas terras não plantavam nada e obrigavam os povos conquistados a fornecer quotas de alimentos, que então eram endereçadas para Lisboa e ela tornou-se o maior "Município Romano", de onde saiam comboios de navios carregados de mercadorias e alimentos e em direção à capital do império romano.

Agora já passamos para a nossa era, portanto, no ano de 74 depois de Cristo, o império romano instituiu o Latim como língua em todo o seu império e por volta do ano 200, o cristianismo tomou conta de toda a Península, porém, no ano 303, o imperador Deocleciano decreta a perseguição aos cristãos, mas a brava gente lusitana reagiu e a cidade de Braga ficou como um baluarte na era cristã, e só no ano 312 é que o imperador Constantino reconheceu o cristianismo.

Já no ano de 409, um povo, os "Visigodos" invadem a Península e em 411 outro povo invade a Lusitânia, ficando no norte. Até o ano de 438 um novo conflito se estabelece, quando os romanos resolvem tentar reconquistar a Península. Os suevos, outro povo invasor, no ano de 468 conquistam as cidades de Conimbriga e Lisboa e depois de muitas peripécias, eles são convertidos ao cristianismo, e ainda os visigodos no poder efetuam reformas, todavia, nova invasão da Península Ibérica aconteceu no ano de 711, onde tropas vindas da África, do Marrocos e da Mauritânia invadem esse território, e já em 714 quase toda a península estava em seu poder, sendo que, em 716 Lisboa foi tomada por esses mouros, havendo porém, uma grande revolta, mas no ano de 809 os mouros conseguem retomar Lisboa.

Dai em diante, os povos já conquistados em várias eras começaram a se aglomerar e a formar uma identidade mais forte e a Lusitânia começou a se firmar, aparecendo o lusitano arcaico, uma língua resultante da mistura de todas as línguas invasoras. Com a criação do Portugal por D. Afonso Henriques, já no início do segundo século do novo milênio, em 1179, ao norte da região da Lusitânia, e com a expulsão dos mouros da Espanha, os mouros em Portugal desceram para o sul e foram definitivamente expulsos no ano de 1452, pouco tempo antes das grandes descobertas portuguesas.

Como os lusitanos, após a mistura das línguas, vinda dos celtas, dos romanos e outros povos, falavam o lusitano arcaico, que depois com o palavreado dos mouros nessa mistura linguística, surgiu o português arcaico e daí nos primórdios do século XV, começou a surgir o português moderno, firmado pelo maior mestre da língua portuguesa: Luiz Vaz de Camões.

Portanto, nós portugueses e luso-descendentes, somos produtos de um tempo memorável e de lutas intensas, criando na mentalidade portuguesa/lusitana, um povo lutador, empreendedor, que avançando pelo mundo afora criou países, criou a língua mais bonita do mundo, estendeu a sua amabilidade, a sua beleza cultural, musical, fez 8 países maravilhosos com quase 300 milhões de habitantes e o principal, marcou definitivamente Portugal como o maior país descobridor, criando o Brasil na imensidão da América Latina. E eu, como luso-descendente direto, tenho o orgulho de poder dizer que eu sou "Brasileiro pelo sol e Português pelo sangue".

Adriano da Costa Filho
Membro da Casa do Poeta de São Paulo, Movimento Poético Nacional, Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Academia Virtual Poética do Brasil, Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Associação Paulista de Imprensa, Associação Portuguesa de Poetas/Lisboa e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.


 

© 2003-2008 Jornal Mundo Lusíada - Todos os direitos reservados.

Artigos assinados não exprimem propriamente a opinião do Mundo Lusíada Online.
Colunas e textos de opinião com assinatura são de responsabilidade de seus autores.