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Florbela Espanca nasceu no Alentejo, em
Vila Viçosa, num dia especial, 08 de Dezembro de 1894, é uma das
maiores poetisas de todos tempos em "Língua Portuguesa". Ela
nasceu com o nome de Flor Bela Lobo, e era filha de João Maria
Espanca e Antónia da Conceição Lobo.
Quando entrou no curso-primário, adotou
o nome completo de "Flor d'Alma da Conceição Espanca" e como o seu
pai era um introdutor da cinematografia em Portugal, quando abriu
um estúdio em Évora, Florbela assimilou tudo o que o pai fazia.
Já em 1903, aos 7 anos de idade, compôs
o seu primeiro poema "A Vida e a Morte". Com o falecimento de sua
mãe no ano de 1908, Florbela ingressa no Liceu de Évora onde
consegue ingressar no curso secundário, o que não era bem visto
pelos professores com mulheres, e logo em seguida casa-se aos 19
anos, com Alberto Moutinho, indo residir em Redondo. Nessa cidade
em 1916, ela reúne os seus poemas e inaugura um projeto com 3
contos e 88 poemas.
No ano de 1917, ela volta à cidade de
Évora e termina o curso de Letras e em seguida ingressa na
Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Começa
paulatinamente a perder a saúde com uma incrível neurose, que a
faz desmanchar o seu casamento, e no ano de 1921 casa-se outra vez
e com Antônio Guimarães.
Já no ano de 1919 havia saído o sua obra
"Livro de Mágoas", em janeiro de 1923 saiu mais um livro de sua
autoria "Livro de Soror Saudade", e novamente desfaz um seu
casamento, o segundo e com Antônio Guimarães, para que, no ano de
1925 novamente faça outro casamento, desta vez com Mário Lage, e
passa a residir na cidade de Esmoriz.
Florbela Espanca recebe uma notícia
muito triste com o falecimento de seu irmão Apeles, o que lhe
abalou a saúde e ela consegue escrever "As Máscaras do Destino" em
homenagem ao irmão morto, e aí começa a deteriorar a sua doença,
que a leva a tentar um suicídio, sendo que mais tarde no dia de
seu aniversário ou seja em 08 de Dezembro de 1930, ela completa o
seu destino, se suicidando, ingerindo um produto mortal.
No dia 02 de Dezembro de 1930, ela
escreveu em seu diário "Não vai haver gestos novos e nem palavras
novas", ainda, e uma vez escreveu "Quem me dera encontrar o verso
puro, o verso altivo e forte, estranho e duro, que dissesse a
chorar isto que eu sinto".
Florbela Espanca escreveu uma
interminável quantia de sonetos, como tais: Noivado Estranho, Eu,
Este Livro, Dizeres Íntimos, Amiga, Sem Remédio, Neurastenia,
todavia, um deles marcou a sua existência, porque como alentejana
que era, escreveu o soneto ÁRVORES DO ALENTEJO:
Horas mortas...Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Árvores! Corações,almas que choram,
Gritam a Deus a benção duma fonte!
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
E quando, manhã alta, o sol posponte
A Oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Árvores! Não choreis! Olha e vede:
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Também ando a gritar, morta de sede,
Os trágicos perfis no horizonte!
Pedindo a Deus a minha gota d'água!
FLORBELA ESPANCA
Adriano da Costa
Filho
Membro da Casa do Poeta de São Paulo,
Movimento Poético Nacional, Academia Virtual Sala dos Poetas e
Escritores, Academia Virtual Poética do Brasil, Ordem Nacional dos
Escritores do Brasil, Associação Paulista de Imprensa, Associação
Portuguesa de Poetas/Lisboa e escreve quinzenalmente para o Jornal
Mundo Lusíada.
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