>> OPINIÃO COLUNAS

 

 

AUMENTAR FONTE

F

F

F

F

Por Adriano da Costa Filho*


Quinta-feira | 26 MAR 09

Coluna Luso-Descendente
“Florbela Espanca - A magistral poetisa portuguesa de todos os tempos”

Florbela Espanca nasceu no Alentejo, em Vila Viçosa, num dia especial, 08 de Dezembro de 1894, é uma das maiores poetisas de todos tempos em "Língua Portuguesa". Ela nasceu com o nome de Flor Bela Lobo, e era filha de João Maria Espanca e Antónia da Conceição Lobo.

Quando entrou no curso-primário, adotou o nome completo de "Flor d'Alma da Conceição Espanca" e como o seu pai era um introdutor da cinematografia em Portugal, quando abriu um estúdio em Évora, Florbela assimilou tudo o que o pai fazia.

Já em 1903, aos 7 anos de idade, compôs o seu primeiro poema "A Vida e a Morte". Com o falecimento de sua mãe no ano de 1908, Florbela ingressa no Liceu de Évora onde consegue ingressar no curso secundário, o que não era bem visto pelos professores com mulheres, e logo em seguida casa-se aos 19 anos, com Alberto Moutinho, indo residir em Redondo. Nessa cidade em 1916, ela reúne os seus poemas e inaugura um projeto com 3 contos e 88 poemas.

No ano de 1917, ela volta à cidade de Évora e termina o curso de Letras e em seguida ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Começa paulatinamente a perder a saúde com uma incrível neurose, que a faz desmanchar o seu casamento, e no ano de 1921 casa-se outra vez e com Antônio Guimarães.

Já no ano de 1919 havia saído o sua obra "Livro de Mágoas", em janeiro de 1923 saiu mais um livro de sua autoria "Livro de Soror Saudade", e novamente desfaz um seu casamento, o segundo e com Antônio Guimarães, para que, no ano de 1925 novamente faça outro casamento, desta vez com Mário Lage, e passa a residir na cidade de Esmoriz.

Florbela Espanca recebe uma notícia muito triste com o falecimento de seu irmão Apeles, o que lhe abalou a saúde e ela consegue escrever "As Máscaras do Destino" em homenagem ao irmão morto, e aí começa a deteriorar a sua doença, que a leva a tentar um suicídio, sendo que mais tarde no dia de seu aniversário ou seja em 08 de Dezembro de 1930, ela completa o seu destino, se suicidando, ingerindo um produto mortal.

No dia 02 de Dezembro de 1930, ela escreveu em seu diário "Não vai haver gestos novos e nem palavras novas", ainda, e uma vez escreveu "Quem me dera encontrar o verso puro, o verso altivo e forte, estranho e duro, que dissesse a chorar isto que eu sinto".

Florbela Espanca escreveu uma interminável quantia de sonetos, como tais: Noivado Estranho, Eu, Este Livro, Dizeres Íntimos, Amiga, Sem Remédio, Neurastenia, todavia, um deles marcou a sua existência, porque como alentejana que era, escreveu o soneto ÁRVORES DO ALENTEJO:

Horas mortas...Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Árvores! Corações,almas que choram,
Gritam a Deus a benção duma fonte!
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
E quando, manhã alta, o sol posponte
A Oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Árvores! Não choreis! Olha e vede:
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Também ando a gritar, morta de sede,
Os trágicos perfis no horizonte!
Pedindo a Deus a minha gota d'água!
FLORBELA ESPANCA

Adriano da Costa Filho
Membro da Casa do Poeta de São Paulo, Movimento Poético Nacional, Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Academia Virtual Poética do Brasil, Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Associação Paulista de Imprensa, Associação Portuguesa de Poetas/Lisboa e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.


 

© 2003-2008 Jornal Mundo Lusíada - Todos os direitos reservados.

Artigos assinados não exprimem propriamente a opinião do Mundo Lusíada Online.
Colunas e textos de opinião com assinatura são de responsabilidade de seus autores.