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Por Adriano da Costa Filho*


Sábado | 24 JAN 09

Coluna Luso-Descendente
“Os Mouros e a Música Portuguesa”

Adoramos ao ouvir a música folclórica de Portugal, alegre, vibrante e as quais sempre nos convidam pára adentrar qualquer salão de festas e sempre nos apaixonamos por quase todas essas músicas e danças, oriundas de todos cantos de Portugal. E da mesma forma, ao ouvirmos o maravilhoso “Fado” nos enleva a alma e nos deixa no coração a imensa saudade do Portugal eterno.

Como todos sabem, Portugal, no ano de 711 de nossa era, foi invadido pelas ordas "mouras", as quais expulsaram os “romanos", que estavam em Portugal já por 1000 anos, e os "mouros" ali ficaram até serem expulsos definitivamente no ano de 1452. Os "mouros" vieram do Marrocos e da Mauritânia do norte da África e atravessaram o estreito de Gibraltar no mar Mediterrâneo, com grande facilidade e expulsaram as ordas romanas.

Podemos citar ainda que a formação da gente lusitana, que veio dos Celtas, dos Iberos e outros povos que invadiram a península ibérica, eram povos que vieram do centro da Europa e misturaram-se ás populações locais, dando início à formação do povo lusitano/português, e com as invasões dos romanos e mouros, formou-se o que é hoje a população portuguesa.

Os romanos trouxeram a língua, o "Latim”, as construções de pontes, estradas e a jurisprudência. E os mouros trouxeram para Portugal a construção de castelos, igrejas, universidades, a matemática, a poesia, enfim grande cultura e principalmente creio que o grande alento para o espírito, a música moura. Com o passar do tempo, os lusitanos que já tinham o dom das danças e das músicas, foram assimilando a cultura moura e as músicas tiveram algumas características que, hoje em dia podemos notar nas músicas folclóricas e no próprio Fado.

No Fado e sua beleza, notamos o lamento mouro, as canções que nos levam à alma os amores perdidos, aos tempos passados, o amor por Portugal e podemos citar músicas com o lamento mouro como: "O Fado menor trásmontano", ”Fadinho rodopiado popular"; e no folclore como o "Vira de Nazaré", "Campos de Jales", "Peneirinho", “Olha o rolo", “Trim-trim", “Comboio" e enfim um grande número de músicas que ficaram eternamente no coração dos portugueses e revelam a arte musical dos mouros.

Os romanos deixaram a língua latina e os mouros infiltraram termos de sua língua no latim praticado pelos lusitanos, que já haviam incluído nessa língua lusitana/arcaica, que continha termos celtas, iberos, o latim, sendo que, muitos termos que hoje em dia nós falamos e praticamos nas músicas atuais portuguesas encontramos termos mouros em grande quantidade, como exemplo podemos citar: alface, alfazema, laranja, limão, cenoura, chafariz, arroba, calibre, quintal, rima, fardo, álcool, algarismo, almanaque, elixir, xarope, enfim um número infindável de termos mouros mais variados possíveis e que hoje constam de nosso falar diário.

Tudo isso já se passaram cinco séculos, porém, ficou duradoura essa herança dos "mouros", que puderam ilustrar a música folclórica e os fados, no nosso querido e eterno PORTUGAL.

Adriano da Costa Filho
Diretor Administrativo da Federação Paulista de Tênis, Membro da Casa do Poeta de SP, Membro do Movimento Poético Nacional, Membro da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Membro da Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Honra Meritória,da Soberana Ordem Internacional do Mérito Desportivo e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.


 

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