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Por Adriano da Costa Filho*


Sexta-feira | 01 AGO 08

Coluna Luso-Descendente
“Sebastianismo – o maior mito da história de Portugal e do Brasil ”

MITO é: Narração dos tempos fabulosos ou heróicos, fábula, tradição alegórica explicativa dum fato natural, histórico ou filosófico, coisa inacreditável, que não tem realidade, quimera, utopia, mistério ou enigma; (do dicionário brasileiro de Língua portuguesa).

Portanto, o que aconteceu em Portugal e depois veio para o Brasil, foi uma das coisas mais fantásticas de que poderia acontecer e que até hoje está fixada na memória do cidadão português, bem como, na do brasileiro.

D. Sebastião veio a falecer e dai criou-se um verdadeiro "Mito" sobre a sua morte e a sua questionada ressurreição, e a isso foi dado pelos especialistas em matéria histórica, um dos maiores fenômenos de superstição coletiva de um povo.

No ano de 1530, o rei de Portugal D. João III, havia dado umas terras, onde havia uma "Vila" para o Infante D. Fernando que era irmão do próprio rei, como presente pelo seu casamento. Com essa atitude os lavradores revoltaram-se com essa atitude do rei e após tanta briga não permitiram que D. Fernando tomasse posse dessa vila e embora o rei entrasse em contato com os lavradores não houve consenso e após muito tempo o infante D. Fernando veio a falecer e a vila voltou ao patrimônio do rei.

Nesse período da revolta, um poeta de nome Gonçalo Anes Bandarra, escreveu e publicou umas trovas, as quais com o tempo tomaram uma dimensão descomunal. Esse poeta Bandarra lia muito a Bíblia em português e mantinha muito contato com os cristãos-novos e que no seu poetar as trovas eram consideradas lesivas ao Rei, mormente, por causa da doação das terras e vila ao seu irmão e como ele era um uma pessoa humilde de profissão sapateiro, usava termos na época que ele mesmo não sabia o que significava e o resultado era que as trovas tinham vários sentidos e interpretações e como eram na maioria entendidas contra o rei, começaram a circular cópias dentro da hierarquia real e como ele escrevia muita coisa sobre a Bíblia e o Messias, os cristãos-novos começaram a entender que viria esse Messias, mas, no fundo as trovas eram um apelo para que D. João III viesse a defender os da vila contra a ambição do tal infante que queria imediatamente cobrar impostos de todo mundo.

Nesse ínterim, a Inquisição já estava latente, interveio e mandou prender o referido Bandarra, o escritor dos versos, porque julgaram que ele com as suas trovas e falando muito da Bíblia, que ele estava defendendo o judaísmo, mas como os próprios judeus achavam que as trovas dele eram diferentes e contra, o mesmo foi posto em liberdade, todavia, foi só condenado a não mais escrever nada e nunca mais se meter em leituras profanas, sendo que os julgadores achavam que com isso tudo acabaria, todavia, dai começou uma coisa que abalou toda a estrutura emocional do povo português.

Com a morte de D.Sebastião em batalha naval contra os mouros, numa condição misteriosa, começou a correr em todo Portugal as trovas do Bandarra, uma vez que ninguém havia visto o rei D. Sebastião morrer na batalha, embora muita gente interessada haviam dito um e outro que tinham visto o rei em algum lugar e teve gente que acabou morrendo na forca por afirmar que era o rei reencarnado e até que o Abade de Beira, em uma carta geral deixou a possibilidade do regresso do rei D.Sebastião, e coisas incríveis aconteceram nesse período, como até diziam que o mesmo tinha feito uma armada e viria defender Portugal contra o invasor Napoleão.

Passado um tempo as leituras das trovas, não eram mais lidas pelos cristãos-novos, mas pelos nobres que achavam que nelas estava o segredo da volta de D.Sebastião e acabaram incluindo novas versões às trovas e até a restauração de Portugal sobre a Espanha veio confirmar as trovas e ele foi considerado um verdadeiro profeta, sendo que, até o próprio arcebispo de Lisboa mandou fazer uma estátua com a imagem de Bandarra e colocou-a até num altar em Lisboa, e fez com que o rei D.João IV prometesse devolver o trono a ele na reaparição. Dai resultou tudo no "Bandarrismo" e ficando para sempre os que esperam pelo Messias, (os judeus) e os que continuam a esperar por D.Sebastião, surgindo o "Sebastianismo".

O próprio Padre Vieira, foi um fã absoluto do Sebastianismo e embora o rei D.João IV viesse a falecer sem a volta de D.Sebastião, o Padre Vieira acreditava nas trovas dele até a sua própria morte e que Portugal seria o mentor do Império Universal e que os judeus e cristãos se uniriam numa nova igreja livre de todos os pecados.

Todos em Portugal acabaram acreditando que D. Sebastião voltaria numa manhã nevoenta, e viria restaurar Portugal, e isso acabou vindo para o Brasil com os imigrantes portugueses e comerciantes, o que foi rapidamente absorvido pelos nativos e nascidos no Brasil, mormente no Nordeste brasileiro, como o grande drama do sebastianismo que foi a "Guerra dos Canudos" em 1897, cujo mentor Antonio Conselheiro que anunciava para o fim do século 19 a volta de D.Sebastião, todavia, hoje no conceito literário essa consciência sebastianista ainda permanece na mente dos portugueses e dos brasileiros, o mito do rei que há de voltar numa manhã de nevoeiro, como aconteceu com o próprio Fernando Pessoa e o brasileiro Ariano Suassuna, em suas obras poéticas, que um "messias" virá um dia. Esse fato deu-se sem contestação, num dos maiores mitos no Brasil maravilhoso e no nosso eterno Portugal.

Adriano da Costa Filho
Diretor Administrativo da Federação Paulista de Tênis, Membro da Casa do Poeta de SP, Membro do Movimento Poético Nacional, Membro da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Membro da Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Honra Meritória,da Soberana Ordem Internacional do Mérito Desportivo e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.


 

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