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MITO é: Narração dos tempos fabulosos ou
heróicos, fábula, tradição alegórica explicativa dum fato natural,
histórico ou filosófico, coisa inacreditável, que não tem
realidade, quimera, utopia, mistério ou enigma; (do dicionário
brasileiro de Língua portuguesa).
Portanto, o que aconteceu em Portugal e
depois veio para o Brasil, foi uma das coisas mais fantásticas de
que poderia acontecer e que até hoje está fixada na memória do
cidadão português, bem como, na do brasileiro.
D. Sebastião veio a falecer e dai
criou-se um verdadeiro "Mito" sobre a sua morte e a sua
questionada ressurreição, e a isso foi dado pelos especialistas em
matéria histórica, um dos maiores fenômenos de superstição
coletiva de um povo.
No ano de 1530, o rei de Portugal D.
João III, havia dado umas terras, onde havia uma "Vila" para o
Infante D. Fernando que era irmão do próprio rei, como presente
pelo seu casamento. Com essa atitude os lavradores revoltaram-se
com essa atitude do rei e após tanta briga não permitiram que D.
Fernando tomasse posse dessa vila e embora o rei entrasse em
contato com os lavradores não houve consenso e após muito tempo o
infante D. Fernando veio a falecer e a vila voltou ao patrimônio
do rei.
Nesse período da revolta, um poeta de
nome Gonçalo Anes Bandarra, escreveu e publicou umas trovas, as
quais com o tempo tomaram uma dimensão descomunal. Esse poeta
Bandarra lia muito a Bíblia em português e mantinha muito contato
com os cristãos-novos e que no seu poetar as trovas eram
consideradas lesivas ao Rei, mormente, por causa da doação das
terras e vila ao seu irmão e como ele era um uma pessoa humilde de
profissão sapateiro, usava termos na época que ele mesmo não sabia
o que significava e o resultado era que as trovas tinham vários
sentidos e interpretações e como eram na maioria entendidas contra
o rei, começaram a circular cópias dentro da hierarquia real e
como ele escrevia muita coisa sobre a Bíblia e o Messias, os
cristãos-novos começaram a entender que viria esse Messias, mas,
no fundo as trovas eram um apelo para que D. João III viesse a
defender os da vila contra a ambição do tal infante que queria
imediatamente cobrar impostos de todo mundo.
Nesse ínterim, a Inquisição já estava
latente, interveio e mandou prender o referido Bandarra, o
escritor dos versos, porque julgaram que ele com as suas trovas e
falando muito da Bíblia, que ele estava defendendo o judaísmo, mas
como os próprios judeus achavam que as trovas dele eram diferentes
e contra, o mesmo foi posto em liberdade, todavia, foi só
condenado a não mais escrever nada e nunca mais se meter em
leituras profanas, sendo que os julgadores achavam que com isso
tudo acabaria, todavia, dai começou uma coisa que abalou toda a
estrutura emocional do povo português.
Com a morte de D.Sebastião em batalha
naval contra os mouros, numa condição misteriosa, começou a correr
em todo Portugal as trovas do Bandarra, uma vez que ninguém havia
visto o rei D. Sebastião morrer na batalha, embora muita gente
interessada haviam dito um e outro que tinham visto o rei em algum
lugar e teve gente que acabou morrendo na forca por afirmar que
era o rei reencarnado e até que o Abade de Beira, em uma carta
geral deixou a possibilidade do regresso do rei D.Sebastião, e
coisas incríveis aconteceram nesse período, como até diziam que o
mesmo tinha feito uma armada e viria defender Portugal contra o
invasor Napoleão.
Passado um tempo as leituras das trovas,
não eram mais lidas pelos cristãos-novos, mas pelos nobres que
achavam que nelas estava o segredo da volta de D.Sebastião e
acabaram incluindo novas versões às trovas e até a restauração de
Portugal sobre a Espanha veio confirmar as trovas e ele foi
considerado um verdadeiro profeta, sendo que, até o próprio
arcebispo de Lisboa mandou fazer uma estátua com a imagem de
Bandarra e colocou-a até num altar em Lisboa, e fez com que o rei
D.João IV prometesse devolver o trono a ele na reaparição. Dai
resultou tudo no "Bandarrismo" e ficando para sempre os que
esperam pelo Messias, (os judeus) e os que continuam a esperar por
D.Sebastião, surgindo o "Sebastianismo".
O próprio Padre Vieira, foi um fã
absoluto do Sebastianismo e embora o rei D.João IV viesse a
falecer sem a volta de D.Sebastião, o Padre Vieira acreditava nas
trovas dele até a sua própria morte e que Portugal seria o mentor
do Império Universal e que os judeus e cristãos se uniriam numa
nova igreja livre de todos os pecados.
Todos em Portugal acabaram acreditando
que D. Sebastião voltaria numa manhã nevoenta, e viria restaurar
Portugal, e isso acabou vindo para o Brasil com os imigrantes
portugueses e comerciantes, o que foi rapidamente absorvido pelos
nativos e nascidos no Brasil, mormente no Nordeste brasileiro,
como o grande drama do sebastianismo que foi a "Guerra dos
Canudos" em 1897, cujo mentor Antonio Conselheiro que anunciava
para o fim do século 19 a volta de D.Sebastião, todavia, hoje no
conceito literário essa consciência sebastianista ainda permanece
na mente dos portugueses e dos brasileiros, o mito do rei que há
de voltar numa manhã de nevoeiro, como aconteceu com o próprio
Fernando Pessoa e o brasileiro Ariano Suassuna, em suas obras
poéticas, que um "messias" virá um dia. Esse fato deu-se sem
contestação, num dos maiores mitos no Brasil maravilhoso e no
nosso eterno Portugal.
Adriano da Costa
Filho
Diretor Administrativo da Federação
Paulista de Tênis, Membro da Casa do Poeta de SP, Membro do
Movimento Poético Nacional, Membro da Academia Virtual Sala dos
Poetas e Escritores, Membro da Ordem Nacional dos Escritores do
Brasil, Honra Meritória,da Soberana Ordem Internacional do Mérito
Desportivo e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.
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